O aeroporto internacional do Rio não ficará pronto a tempo para a Copa

Os responsáveis insistem que o objetivo primordial das obras não é o evento em si, mas deixar um legado aos brasileiros

Aeroporto Antônio Carlos Jobim.
Aeroporto Antônio Carlos Jobim. Hassan Ammar (AP)

Em uma ocasião, a culpa foi do gambá. Em outra, se tratava de uma simples operação de manutenção da rede elétrica. Semanas antes, a companhia elétrica do Rio de Janeiro (Light) e a autoridade aeroportuária (Infraero) se culparam mutuamente, sem que ninguém chegasse a assumir a responsabilidade. Os apagões continuaram acontecendo nos últimos meses no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, Antônio Carlos Jobim (conhecido pelos cariocas como Galeão), mas o Governo brasileiro insiste que a situação está totalmente controlada, de frente com a Copa do Mundo.

O aeroporto, que apresenta a segunda maior porta de entrada de visitantes estrangeiros no Brasil (a outra é o aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo), foi privatizado em novembro de 2013 com a intenção de captar uma potente injeção de capital privado para seu projeto de modernização. Segundo vários especialistas, a licitação terminou muito tarde para chegar a tempo do evento.

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As autoridades brasileiras jogam com dois baralhos na hora de explicar atrasos incompreensíveis para a maioria da população. Como em tantos outros setores (como a segurança ou as redes de transporte urbano), os responsáveis insistem que o objetivo primordial das obras não é chegar a tempo da Copa, mas deixar um legado valioso aos brasileiros. No caso do Gaelão, o ministro da Aviação Civil, Moreira Franco, admitiu nesta segunda-feira que o terminal 1 do aeroporto do Rio continuará em obras durante o evento esportivo. Consequentemente, os visitantes que aterrissem no Rio irão reparar que o aeroporto da principal sede da Copa continua cheio de andaimes e áreas restritas. Os apagões também não estão descartados, já que uma parte da obra consiste justamente em modernizar o sistema elétrico da estrutura.

"É um aeroporto que não corresponde a uma cidade que vai abrigar os eventos com a envergadura dos Jogos Olímpicos e do Mundial. E não digo pelo tamanho, mas pelas instalações, que parecem ter parado no tempo", se queixa a argentina recém-chegada ao Brasil, Maria Fernanda Giuliano.

A atual administradora do aeroporto, a empresa pública Infraero, deverá passar o relatório das obras ao consórcio ganhador (formado pelas companhias Odebretch Transport e Changi) depois da Copa, previsivelmente em agosto. A ideia é que a obra esteja pronta no final do ano e que o aeroporto aumente sua capacidade até os 47 milhões de passageiros anuais, muito mais do que recebe atualmente.

O aeroporto do Rio é facilmente identificado pelas instalações obsoletas e por carecer de serviços dignos de uma capital turística. Não existem áreas comerciais livres de impostos, equiparáveis às de outros grandes aeroportos, e suas opções gastronômicas se reduzem a uma mínima expressão. Os meios de transporte que o conectam com a cidade estão limitados a quatro linhas de ônibus e às várias cooperativas de táxis que às vezes cobram tarifas abusivas.

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