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eleições na África do Sul

O partido de Mandela revalida a maioria absoluta

A corrupção desgasta o ANC, que está no poder na África do Sul desde 1994

Contagem de votos na Cidade do Cabo, na quarta-feira. Ampliar foto
Contagem de votos na Cidade do Cabo, na quarta-feira. AFP

O Congresso Nacional Africano (ANC, em suas siglas em inglês) revalidou a maioria absoluta nas eleições gerais celebradas nesta quinta-feira na África do Sul. Com 80% das urnas apuradas, a formação conseguiu 62,73% dos votos, 3,5 pontos menos que nas eleições de cinco anos atrás. Assim, o presidente, Jacob Zuma, será reeleito sem problemas para uma segunda legislatura e tomará posse no prédio histórico do Governo, em Pretória, no próximo dia 24 de maio.

O ANC sentaria no Parlamento 260 deputados, quatro menos que na última legislatura. O grande pulo foi dado pela Aliança Democrática (DA), tradicionalmente a receptora dos votos do eleitorado branco, que passaria de 22 a 84 representantes, isto é, quatro vezes mais. A terceira força é o partido criado meses antes das eleições por um ex-dirigente da juventude do ANC, Lutadores pela Liberdade Econômica (EFF), que entraria na Câmara com 22 membros, segundo os cálculos que elaborou a rede de televisão pública SABC.

O triunfo da ANC, no poder desde que Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente democrático em 1994, chega em meio a acusações de corrupção que atingem tanto o partido como ao próprio Zuma por ter destinado 49 milhões de reais a obras de sua residência particular.

À baixa popularidade de Zuma se somaram os protestos que nos últimos meses foram diários em muitos dos velhos guetos do apartheid, nestes bairros de barracos, onde ainda vivem negros pobres, em muitos casos sem luz nem água, os eleitores deram um apoio incontestável às siglas.

Os resultados demonstram que o eleitorado não se influenciou por todos estes casos que encheram páginas de jornais durante a longa campanha. Nesta quinta-feira, terminada a jornada eleitoral, jovens vestidos com as cores amarelo e verde do ANC e camisetas com o rosto do presidente justificavam seu voto “pelo grupo dos lutadores, mas não por Zuma”.

O retrato da jornada eleitoral se completa com os resultados das eleições provinciais. Houve poucas mudanças em relação a 2009. O ANC conservaria oito das nove regiões nas quais se divide o país, enquanto se resistiram Western Cape, no sul, onde ganhou de novo a DA com 59% dos votos, segundo o resultado provisório. Além disso, falta terminar a contagem em Gauteng (a província de Johannesburgo e Pretória, a mais povoada e motor econômico da África do Sul), onde, com menos de 40% de votos contados, o ANC estaria com 52% e seu principal rival, com 34%.

Nestas eleições houve um recorde de participação, com mais de 12,7 milhões de votos, 73% dos eleitores registrados. Porém, só se inscreveram previamente nas listas eleitorais um em cada três dos quem nasceram depois do fim do apartheid, a chamada geração dos nascidos livres.

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