As Buscas do MH370

A Malásia publicará um primeiro relatório do voo MH370 na próxima semana

O submarino Bluefin-21 está a ponto de finalizar sem êxito a missão na zona demarcada Um alto cargo do Pentágono afirma que a busca pelo avião malaio pode durar anos

Agências
Sidney / Pequim - 25 abr 2014 - 15:26 UTC
Familiares de passageiros chineses do MH370 protestam na embaixada da Malásia em Pequim.
Familiares de passageiros chineses do MH370 protestam na embaixada da Malásia em Pequim.AP

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, anunciou na noite desta quinta-feira, em uma entrevista para a CNN, que na semana que vem será publicado o primeiro relatório da investigação do ocorrido com o voo MH370 da Malaysia Airlines, que desapareceu no dia 8 de março enquanto voava de Kuala Lumpur para Pequim com 239 pessoas a bordo. O regulamento internacional da OACI (a agência das Nações Unidas para a Aviação Civil) recomenda que seja emitido um relatório preliminar sobre acidentes ou incidentes depois de um mês do ocorrido. Por ora, as autoridades malaias consideram que alguém a bordo do B-777 desligou os equipamentos de comunicações e mudou deliberadamente o rumo do avião.

Mas até agora, nenhum resto do avião foi encontrado, o que fez com que Najib descartasse declarar a morte das pessoas que viajavam no avião. "Há que se levar em conta os sentimentos dos familiares e alguns disseram publicamente que não estavam dispostos a aceitar" a morte de seus parentes "até que se encontre uma prova concreta" do avião. Em todo caso, acrescentou, "é difícil imaginar outra coisa" que não seja a morte dos passageiros.

O último sinal detectado por um satélite sobre o Índico sete horas depois do desaparecimento do avião levou as buscas para uma enorme zona ao noroeste da Austrália. Ali registraram-se sons que com bastante probabilidade correspondem aos emitidos pelos localizadores das caixas-pretas, mas o submarino autônomo Bluefin-21está a ponto de finalizar a missão na zona assinalada (Um raio de 10 quilômetros) sem sucesso. Nesta sexta-feira, o Centro de Coordenação das Agências Conjuntas da Austrália que realiza a décima terceira missão, fez um pente-fino em aproximadamente 95% da zona de busca. "Não encontramos nada até o momento".

Por isso, será necessário aumentar a zona de busca, de modo que um alto cargo do Pentágono não identificado disse à Reuters que o rastreio pode durar "anos". As caixas-pretas e a maior parte da fuselagem do AF477, que caiu no Atlântico em 2009, não foram encontradas até quase dois anos depois do acidente.

A Autoridade Australiana de Segurança Marítima realiza ao mesmo tempo uma busca visual em uma área de 49.240 quilômetros quadrados situada a 1.584 quilômetros ao noroeste de Perth, na costa oeste australiana, na qual participam 8 aviões e 10 embarcações.

O gerenciamento da crise gerada pelo desaparecimento do MH370 provocou duras críticas ao Governo malaio, sobretudo por parte de Pequim, que tem 153 de seus cidadãos desaparecidos com o avião. Ontem à noite, dezenas de pessoas fizeram uma manifestação em frente à Embaixada da Malásia em Pequim, para exigir ser recebidos e que designem um novo representante nas reuniões de informação com as famílias, segundo informou a France Press.

Mais de 200 familiares retiveram dez membros da equipe da Malaysian Airline depois de uma reunião informativa em um hotel de Pequim e não libertaram os funcionários até a primeira hora desta sexta-feira, segundo a linha aérea.

"A Malaysia Airlines confirma que sua equipe foi retida no salão de festas do hotel Lido em Pequim por familiares do MH370 devido à insatisfação das famílias na hora de obter detalhes sobre o avião desaparecido", disse a companhia em um comunicado.

Em outro incidente, um familiar de um desaparecido chinês atacou um supervisor de segurança da Malaysian Airline, Kalaichelven Shunmugam, no mesmo hotel na terça-feira passada, segundo a empresa. O trabalhador sofreu ferimentos leves e a linha aérea apresentou uma denúncia ante a Polícia.

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