Um satélite tailandês detecta 300 possíveis peças do avião desaparecido

Os objetos flutuam a uns 200 quilômetros de onde uma equipe internacional busca restos do Boeing 777 de Malaysia Airlines

Imágenes satelitales dos objetos flutuando no Índico sul. (reuters_live)

Os anúncios sobre a existência no oceano Índico sul de possíveis restos do Boeing 777-200ER da Malaysia Airlines desaparecido no dia 8 de março quando voava de Kuala Lumpur para Pequim se sobrepõem. A Tailândia disse nesta quinta-feira que um de seus satélites identificou cerca de “300 objetos de diferentes tamanhos” flutuando na área em que se suspeita que caiu o avião ao mar. Assim assegurou o diretor da agência de desenvolvimento de tecnologia espacial da Tailândia, Anond Snidvongs, que acrescentou que foram investigados 2.700 quilômetros ao sudoeste da cidade australiana de Perth, informa a Associated Press. Na quarta-feira, o ministro de Defesa e interino de Transporte da Malásia, Hishammuddin Hussein, anunciou que a França facilitava novas imagens de satélite que mostram 122 objetos no oceano na mesma região. Segundo Anond, os objetos detectados na segunda-feira passada pelo satélite Thaichote se encontravam a 200 quilômetros do local onde a França localizou 112 peças no domingo.

Tormentas, chuvas intensas, fortes ventos e pouca visibilidade obrigaram a suspender por segunda vez em três dias as operações de busca dos restos do Boeing 777. Oito dos 11 aviões militares e civis que estavam destinados nesta quinta-feira à operação alcançava já a área de rastreio no oceano Índico sul, a aproximadamente 2.500 quilômetros ao sudoeste de Perth, quando se viram forçados a retornar para suas bases.

A decisão frustrou as tentativas de localizar alguns dos numerosos possíveis restos do voo MH370 detectados nos últimos dias por satélites de diferentes países e pelos aviões que sobrevoaram a zona na que se acha que caiu a aeronave desaparecida.

A frota de aviões e barcos de seis países tinha previsto rastrear duas áreas com uma superfície total de 78.000 quilômetros quadrados, segundo informou a Autoridade de Segurança Marítima Australiana (AMSA) em um comunicado. Mas os aviões só puderam buscar durante umas duas horas, e não encontraram nada. Os cinco barcos que se encontram na zona –o navio da marinha australiana HMAS Success, o rompe-gelos chinês Xuelong e os barcos de guerra chineses Kunlunshan, Haikou e Qiandaohu- permaneceram apesar das más condições meteorológicas. AMSA prevê que o mau tempo dure 24 horas.

As imagens obtidas pela França, que foram capturadas pelo Airbus Defence & Space, mostram 122 objetos, cujos tamanhos oscilam entre um metro e 23 metros de comprimento. Foram detectados 2.557 quilômetros ao sudoeste de Perth, aproximadamente na mesma área em que satélites australianos e chineses identificaram anteriormente algumas peças soltas e agora o fez a Tailândia. O achado francês foi qualificado ontem por Hishammuddin como “a pista mais crível” existente até agora. As autoridades da Malásia anunciaram na segunda-feira pela noite que o Boeing caiu no oceano Índico sul sem deixar sobreviventes.

O voo MH370 desapareceu dos radares civis menos de uma hora após decolar de Kuala Lumpur. Os investigadores acham que aconteceu uma sabotagem, um sequestro ou uma tentativa de suicídio por parte do piloto ou do copiloto, embora não descartem uma falha técnica, como poderia ser uma despressurização súbita da cabine.

James Comey, diretor do FBI, assegurou ontem a membros do Congresso norte-americano que seus especialistas acabariam em um dia ou dois a análise de aparelhos eletrônicos do piloto, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, e do copiloto, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, que foram entregues pela Malásia. Entre eles, figura o simulador de voo que tinha Zaharie em sua casa em Kuala Lumpur.