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Merkel propõe a Putin uma estrutura federal para a Ucrânia

A chanceler alemã recomenda também o envio de uma comissão de investigação sob mandato da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa

Vladimir Putin e Angela Merkel durante uma coletiva em 2012.
Vladimir Putin e Angela Merkel durante uma coletiva em 2012. REUTERS

A iniciativa mais recente do governo alemão para acabar com a perigosa crise na Ucrânia foi divulgada nesta segunda-feira por meio de um breve comunicado oficial. A nota veio marcada por algo pouco habitual na diplomacia internacional: uma inédita repreensão da chanceler Angela Merkel ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Durante uma longa conversa telefônica na tarde do domingo, a chanceler disse a Putin que a presença russa na Crimeia era “uma intervenção inaceitável e contrária ao direito internacional”.

Na conversa, Merkel pediu para o presidente russo que respeitasse a integridade territorial da Ucrânia e lhe propôs o envio de uma comissão de investigação, sob o mandato da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). “O presidente aceitou a proposta da chanceler Merkel, destinada a iniciar um diálogo político”, diz o comunicado oficial do governo alemão, divulgado na segunda-feira pela manhã.

Horas mais tarde, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, deu mais detalhes sobre a proposta que Merkel fez a Putin e que poderia marcar o começo de uma solução à grave crise que mantém toda a comunidade internacional em estado de alerta. Segundo Seiffert, o governo alemão propôs a Moscou uma possível estrutura federal para a Ucrânia.

Seibert disse, durante uma coletiva de imprensa em Berlim, que a chanceler está a favor da criação de um “grupo de contato”, que incluiria a Ucrânia, Rússia e outros estados da OSCE e do Conselho de Europa, duas organizações, segundo o porta-voz, que têm “uma grande experiência” na solução deste tipo de problemas.

“Em um país com uma população tão diversa, com diferentes línguas e tradições é muito importante que todos os grupos étnicos se sentam representados em um só país e se sintam protegidos… É o grande desafio que a Ucrânia tem pela frente”, acrescentou Seibert, ao sugerir que a principal missão do grupo de contato seria estudar uma solução federal para a Ucrânia para garantir os direitos das minorias.

Embora Merkel obteve um pequeno sucesso ao ter o consentimento de Putin para o envio da missão, uma medida que desbloqueou de momento a via diplomática que parecia estar fechada para sempre, o porta-voz da chanceler admitiu que ainda existiam grandes diferenças de pontos de vista entre Rússia e a comunidade internacional

“Um processo político é o único caminho sensato para superar esta crise e o presidente Putin mantém grandes diferenças de parecer com o resto do mundo sobre a Ucrânia”, disse o porta-voz do governo federal alemão, ao responder a uma pergunta de um jornalista que quis saber se era verdade que Merkel tinha comentado com Barack Obama, também em uma conversa telefônica no domingo, que o mandatário russo perdia completamente “o sentido da realidade”.

Seibert insistiu em que a suspensão dos preparativos da cúpula do G-8 em Sochi foi realizada de comum acordo entre todos os membros, exceto Moscou, e acrescentou que se tratava de uma medida temporária.

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