Seleccione Edição
Login

O mais famoso restaurante peruano ganha nova casa

Gastón Acurio, o fundador de 'Astrid y Gastón', anuncia "uma aposentadoria antecipada" e que seu chef principal, Diego Muñoz, liderará o projeto

Acurio, na cozinha do seu restaurante.
Acurio, na cozinha do seu restaurante. EFE

O restaurante peruano Astrid y Gastón ocupa a posição 14 entre os 100 melhores do mundo. Na quarta-feira passada seu fundador, o chef e empresário Gastón Acurio, explicou a oferta de seu novo estabelecimento entre pedreiros e uma obra não concluída. Mantém o mesmo nome, tem um apelido (Casa Moreyra) e um novo local, depois de fechar o anterior, que comemoraria 20 anos em julho.

Acurio foi o principal promotor da gastronomia peruana no mundo. A sua chegada à coletiva de imprensa, convocada na casa Moreyra, um edifício do século XVIII que é patrimônio cultural, um homem de classe média gritou: “Gastón, presidente!”. “Não!”, responde Acurio, dando adeus com a mão. O empresário adverte: “Vamos falar de qualquer coisa menos de política”.

Acurio negou uma possível candidatura presidencial, embora seu nome aparecesse nas pesquisas

Em dezembro Acurio negou uma possível candidatura presidencial, embora seu nome aparecesse nas pesquisas. Reconhece que usa de forma provocadora a palavra “Adelante!” (Vá em frente!), característica do ex-presidente Fernando Belaúnde Terry, do Partido da Ação Popular, ao que pertenceu seu pai, Gastón Acurio Velarde, ex-senador e ministro durante o primeiro dos dois Governos de Belaúnde (1963-1968).

A casa-fazenda Moreyra foi construída há aproximadamente 300 anos no hoje exclusivo distrito de San Isidro, na área metropolitana de Lima. A restauração custou dois milhões de dólares, detalha Acurio, embora o investimento total do projeto é de seis milhões de dólares. As cozinhas vêm de Barcelona, confeccionadas por Joaquín Casademont, que desenhou os fogões dos famosos elBulli e El Celler de Can Roca.

Projeto das obras da Casa Moreyra. ampliar foto
Projeto das obras da Casa Moreyra.

O local tem quatro espaços: o restaurante que só oferecerá um menu degustação, cujo custo ainda não se sabe; o gastrobar; dois espaços privados chamados O Céu (na torre da casa), e O Éden, uma pequena horta onde realizará atividades didáticas para cerca de 15 crianças todos os dias.

Acurio explica que o espaço do bar “será bem mais econômico, com um cardápio alterado diariamente de acordo os produtos que o país oferece”. Dá para ver o céu azul desde o teto desse pátio, pois as trepadeiras que o cobrirão ainda estão pequenas. O arquiteto Manuel de Rivero, um dos encarregados da restauração, explica que, ao terminar o verão, a esplanada terá “trepadeiras de tumbo e maracujá e outra fruta para fazer coquetéis”. Acrescenta: “Vamos colocar luzes, como um céu estrelado”.

O empresário e chef peruano Gastón Acurio. ampliar foto
O empresário e chef peruano Gastón Acurio.

Durante o percurso pela Casa Moreyra, o empresário de 46 anos, disse que começava “uma espécie de aposentadoria antecipada” para se converter em um anfitrião, e que o novo projeto será liderado pelo chef Diego Muñoz, de 37 anos, que até agora era seu chefe de cozinha.

Sobre as razões de sua saída, Acurio explicou: “Astrid [Gutsche, sua esposa] e eu somos parte do movimento gastronômico que criou uma corrente entre o campo e o consumidor, o principal instigador do orgulho pela cozinha [peruana]. Os resultados se cumpriram nesta primeira etapa: nosso objetivo inicial era que nossa cozinha fosse conhecida no mundo, que os pratos do Peru despertassem curiosidade e depois provocação, que se convertessem em uma tendência de consumo. A cozinha virou um produto de atração turística. Tudo isto é o resultado de um processo de 20 anos do qual Astrid e eu fomos parte. Mas as expectativas sobre a cozinha peruana agora se multiplicaram por dez e a seguinte etapa está se iniciando”.

“Justamente por isso nos corresponde abrir o caminho à seguinte geração. Eles são bem mais conscientes dos princípios e valores que construímos nestes 20 anos, viveram isso como algo natural. Nós crescemos entre o medo e o sonho, descobrindo que isto era possível. Por outro lado, os jovens peruanos são livres, acreditam nisso com muito mais convicção, embora estaremos ali para tudo que precisem”, acrescentou o empresário, marcando as diferenças entre o Peru de meados dos anos noventa, quando o país saía de sua pior crise econômica e das sequelas de 20 anos de violência, e o Peru atual, uma das economias mais estáveis da América Latina.

Em 16 de fevereiro o novo estabelecimento será inaugurado com um diálogo entre chefs e jornalistas especializados. Entre os participantes previstos, Ferrán Adrià, Joan Roca (Celler de Can Roca), Luis Andoni Aduriz (Mugaritz), o editor Howard Chua; representantes de produtores pesqueiros e agrícolas, os ministros de Agricultura e Produção, e estudantes das duas principais escolas de gastronomia de Lima. O local fechará durante algumas semanas e será aberto ao público em março.

Acurio precisou que o renovado Astrid y Gastón começará com um menu inspirado em Virú, o nome desta parte do território quando chegaram os conquistadores à América, e que a oficina do restaurante, com pesquisas sobre produtos, será variada duas ou três vezes por ano. Enquanto isso, o empresário informou que já encontrou o local para abrir uma universidade de gastronomia e hotelaria em Pucusana, ao sul de Lima, outro dos projetos que promove.