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Vozes do futuro

Cintilante, dinâmica e sorridente. A maior economia de América Latina se projeta. Petróleo, política, meio ambiente, cultura ou gastronomia são algumas das áreas nas quais estes ‘brasileiros’ estão impressionando o mundo com suas inquietudes e experiências.

  • A característica mais marcante da gestão de Maria das Graças Silva Foster, na presidência da Petrobras desde janeiro de 2012, é a sua franqueza. Uma autenticidade que pode espantar os leitores habituais dos cadernos de economia, acostumados com as evasivas de executivos. Em 2012, quando a empresa teve uma queda de 36% em seu lucro líquido, a comandante, que dá expedientes de até 18 horas, não hesitou em apontar o responsável por esse resultado. Era o Governo, o mesmo que a conduziu ao cargo, que adotara uma política anti-inflacionária que não permitia à empresa reajustar os preços dos combustíveis segundo as cotações dos mercados internacionais. Em 2013, a situação ainda não foi remediada e Graça Foster não perdeu nem um pouco o seu poder de fogo. Ao contrário, continua dando seus recados, como quando disse, em entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo, há pouco mais de um mês: “se eu não der resultado, me demite.” À frente de um gigante com patrimônio de mais de 345 bilhões de reais e presença em 25 países espalhados por todos os continentes, a mineira com 36 anos de “casa” personifica mais do que ninguém a figura construída no imaginário popular brasileiro de que os funcionários da petroleira “vestem a camisa”. Nascida no Estado de Minas Gerais, no Sudeste do país, a engenheira química começou sua carreira na companhia aos 24 anos. Assumiu a presidência após sete anos de gestão do baiano Sergio Gabrielli e com uma missão dura: pôr em marcha um audacioso plano de captação de recursos com a finalidade de investir uma barbaridade de 236,7 bilhões de dólares entre 2013 e 2017, quantia que reflete as enormes reservas de petróleo que a companhia vem prospectando. Nem fibra nem graça faltam a ela, pelo que se viu até agora, mas um pouco de apoio de quem a colocou no cargo pode ajudá-la a trazer de volta à Petrobras resultados que recompensem seus milhares de acionistas.
    1Franqueza no comando da Petrobras, por Felipe Vanini A característica mais marcante da gestão de Maria das Graças Silva Foster, na presidência da Petrobras desde janeiro de 2012, é a sua franqueza. Uma autenticidade que pode espantar os leitores habituais dos cadernos de economia, acostumados com as evasivas de executivos. Em 2012, quando a empresa teve uma queda de 36% em seu lucro líquido, a comandante, que dá expedientes de até 18 horas, não hesitou em apontar o responsável por esse resultado. Era o Governo, o mesmo que a conduziu ao cargo, que adotara uma política anti-inflacionária que não permitia à empresa reajustar os preços dos combustíveis segundo as cotações dos mercados internacionais. Em 2013, a situação ainda não foi remediada e Graça Foster não perdeu nem um pouco o seu poder de fogo. Ao contrário, continua dando seus recados, como quando disse, em entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo, há pouco mais de um mês: “se eu não der resultado, me demite.” À frente de um gigante com patrimônio de mais de 345 bilhões de reais e presença em 25 países espalhados por todos os continentes, a mineira com 36 anos de “casa” personifica mais do que ninguém a figura construída no imaginário popular brasileiro de que os funcionários da petroleira “vestem a camisa”. Nascida no Estado de Minas Gerais, no Sudeste do país, a engenheira química começou sua carreira na companhia aos 24 anos. Assumiu a presidência após sete anos de gestão do baiano Sergio Gabrielli e com uma missão dura: pôr em marcha um audacioso plano de captação de recursos com a finalidade de investir uma barbaridade de 236,7 bilhões de dólares entre 2013 e 2017, quantia que reflete as enormes reservas de petróleo que a companhia vem prospectando. Nem fibra nem graça faltam a ela, pelo que se viu até agora, mas um pouco de apoio de quem a colocou no cargo pode ajudá-la a trazer de volta à Petrobras resultados que recompensem seus milhares de acionistas.
  • A maioria dos colegas de profissão do engenheiro agrônomo Roberto Ricardo Vizentin, 49 anos, decidiu trabalhar para milhares de agricultores brasileiros. Ele, por sua vez, mudou do lado do balcão. Há quase 30 anos é um dos principais defensores da aliança entre a a agronomia e a ecologia. Seu perfil poderia ser o de um “ecochato” ou de “ecolouco”, como vários ambientalistas e representantes de ONGs são tachados. Mas, sua atual função o impede de ser radical. Nos últimos 18 meses Vizentin, natural de Xanxerê, em Santa Catarina, é o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nesse tempo no cargo, sua principal tarefa é convencer os grandes proprietários de terra a investirem em unidades de conservação. Ou seja, tem de fazer um lobby junto aos principais desmatadores para que eles compensem o governo financeiramente por árvores e vegetações que destruíram em troca de lavouras ou pastos para a pecuária. Quando consegue esses recursos, entrega para outros fazendeiros. Qual seria a lógica então de tirar o dinheiro de um produtor rural para o outro? Isso é, na verdade, um negócio ambiental. Sua meta no Instituto Chico Mendes é acelerar a regularização fundiária e tentar ampliar as áreas ambientais protegidas. A primeira tarefa, conforme especialistas consultados, tem sido bem sucedida. O lobby é feito por Vizentin e sua equipe da maneira adequada. Mas ainda há muito trabalho pela frente: 10 milhões dos 75 milhões de hectares de áreas protegidas – de parques nacionais, unidades de conservação, centros de pesquisa e unidades marinhas – ainda estão irregulares. Isso quer dizer que milhares de donos de terra perderam suas áreas para a União e não receberam nem um centavo por isso. A segunda missão ainda exige desafios. Nesses 18 meses de trabalho, apenas três novas unidades de conservação foram criadas. Hoje são 313. Ou seja, o país está longe de chegar aos 128 milhões de hectares de áreas protegidas ambientalmente, uma meta que precisa ser cumprida até 2020.
    2O “lobista” do meio ambiente, por Afonso Benites A maioria dos colegas de profissão do engenheiro agrônomo Roberto Ricardo Vizentin, 49 anos, decidiu trabalhar para milhares de agricultores brasileiros. Ele, por sua vez, mudou do lado do balcão. Há quase 30 anos é um dos principais defensores da aliança entre a a agronomia e a ecologia. Seu perfil poderia ser o de um “ecochato” ou de “ecolouco”, como vários ambientalistas e representantes de ONGs são tachados. Mas, sua atual função o impede de ser radical. Nos últimos 18 meses Vizentin, natural de Xanxerê, em Santa Catarina, é o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nesse tempo no cargo, sua principal tarefa é convencer os grandes proprietários de terra a investirem em unidades de conservação. Ou seja, tem de fazer um lobby junto aos principais desmatadores para que eles compensem o governo financeiramente por árvores e vegetações que destruíram em troca de lavouras ou pastos para a pecuária. Quando consegue esses recursos, entrega para outros fazendeiros. Qual seria a lógica então de tirar o dinheiro de um produtor rural para o outro? Isso é, na verdade, um negócio ambiental. Sua meta no Instituto Chico Mendes é acelerar a regularização fundiária e tentar ampliar as áreas ambientais protegidas. A primeira tarefa, conforme especialistas consultados, tem sido bem sucedida. O lobby é feito por Vizentin e sua equipe da maneira adequada. Mas ainda há muito trabalho pela frente: 10 milhões dos 75 milhões de hectares de áreas protegidas – de parques nacionais, unidades de conservação, centros de pesquisa e unidades marinhas – ainda estão irregulares. Isso quer dizer que milhares de donos de terra perderam suas áreas para a União e não receberam nem um centavo por isso. A segunda missão ainda exige desafios. Nesses 18 meses de trabalho, apenas três novas unidades de conservação foram criadas. Hoje são 313. Ou seja, o país está longe de chegar aos 128 milhões de hectares de áreas protegidas ambientalmente, uma meta que precisa ser cumprida até 2020.
  • A economista Ana Carla Fonseca, de 44 anos, é uma verdadeira evangelizadora da criatividade aplicada à cidadania. Mestre em Administração, e Doutora em Urbanismo, dedica-se a trabalhar pela transformação de cidades por meio de projetos de economia criativa, atividades intangíveis, que nem sempre constam da leitura do PIB local. Para entender do que se trata, Ana Carla explica como Guaramiranga, um município do Estado do Ceará, se destacou promovendo festivais de jazz durante o agitado carnaval brasileiro. Ou ainda, Parati, no estado do Rio, que criou um turismo cultural com a Feira Literária Internacional de Parati, realizada anualmente.  Sua paixão pelo tema já cruzou fronteiras, e Ana Carla já foi convidada a partilhar seu conhecimento em países tão diversos como China, Argentina ou França. Em 2013, o Governo da Holanda deu-lhe a missão de trabalhar, junto a instituições públicas e privadas de diversas cidades do país, projetos de economia criativa. Autora do livro "Cidades Criativas", primeira obra brasileira publicada com essa temática, foi finalista do Prêmio Jabuti (www.premiojabuti.org.br), que destaca os livros mais importantes do ano no país. Também ganhou o Prêmio Claudia (www.premioclaudia.com.br), o maior prêmio feminino da América Latina, na categoria Negócios. “O ano também viu a concretização de Sampa Criativa (www.sampacriativa.org.br), uma plataforma desenhada especificamente para a transformação social, econômica e cultural da cidade de São Paulo, a partir de suas singularidades ”, conta Ana Carla, que dirige a empresa Garimpo de Soluções.  Para 2014 as perspectivas são de continuar evangelizando em prol de projetos pioneiros e inovadores. “Uma missão que professo, com mente e coração, para fazer com que empresas, Governos e sociedades ganhem juntos em um novo contexto de mundo”, afirma.
    3Evangelho da economia criativa, por Carla Jiménez A economista Ana Carla Fonseca, de 44 anos, é uma verdadeira evangelizadora da criatividade aplicada à cidadania. Mestre em Administração, e Doutora em Urbanismo, dedica-se a trabalhar pela transformação de cidades por meio de projetos de economia criativa, atividades intangíveis, que nem sempre constam da leitura do PIB local. Para entender do que se trata, Ana Carla explica como Guaramiranga, um município do Estado do Ceará, se destacou promovendo festivais de jazz durante o agitado carnaval brasileiro. Ou ainda, Parati, no estado do Rio, que criou um turismo cultural com a Feira Literária Internacional de Parati, realizada anualmente. Sua paixão pelo tema já cruzou fronteiras, e Ana Carla já foi convidada a partilhar seu conhecimento em países tão diversos como China, Argentina ou França. Em 2013, o Governo da Holanda deu-lhe a missão de trabalhar, junto a instituições públicas e privadas de diversas cidades do país, projetos de economia criativa. Autora do livro "Cidades Criativas", primeira obra brasileira publicada com essa temática, foi finalista do Prêmio Jabuti (www.premiojabuti.org.br), que destaca os livros mais importantes do ano no país. Também ganhou o Prêmio Claudia (www.premioclaudia.com.br), o maior prêmio feminino da América Latina, na categoria Negócios. “O ano também viu a concretização de Sampa Criativa (www.sampacriativa.org.br), uma plataforma desenhada especificamente para a transformação social, econômica e cultural da cidade de São Paulo, a partir de suas singularidades ”, conta Ana Carla, que dirige a empresa Garimpo de Soluções. Para 2014 as perspectivas são de continuar evangelizando em prol de projetos pioneiros e inovadores. “Uma missão que professo, com mente e coração, para fazer com que empresas, Governos e sociedades ganhem juntos em um novo contexto de mundo”, afirma.
  • Os cabelos grisalhos do ministro da Saúde Alexandre Padilha, de 42 anos, ganharam os holofotes, quando o Governo Federal criou o Programa Mais Médicos. O objetivo do projeto, implementado em julho, era trazer médicos do exterior, principalmente de Cuba, para trabalhar em áreas distantes do país, onde os profissionais brasileiros não querem atuar, devido às precárias condições de trabalho e ao baixo salário.  A polêmica foi grande. Os médicos acusavam o Governo de compactuar com um regime “de escravidão” cubano, em alusão ao fato de que o país caribenho ficará com parte do salário dos médicos. As entidades médicas também reclamavam que Padilha permitiu a estrangeiros atuarem no Brasil sem o Revalida, uma prova que atesta o conhecimento deles em medicina.  Mas, cinco meses depois, a polêmica acabou. Chegaram ao Brasil 6.664 médicos para atuar em regiões pobres e o nome de Padilha ficou em evidência. Uma reviravolta, talvez calculada, que fortaleceu seu nome como candidato do PT ao Governo de São Paulo, a região mais rica da federação. Padilha não assume sua candidatura para 2014, mas já mudou seu domicílio eleitoral para o Estado, mesmo morando em Brasília, capital do país.  O atual ministro diz sentir-se “orgulhoso” de ter seu nome apontado por militantes do partido e por seu padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, para “ajudar a mudar o cansaço que existe no Estado com os 20 anos de Governo do PSDB”.  Novato em eleições, ele tentará embarcar na onda de “renovação” pedida pelo país durante os protestos de junho. Traz como trunfo seu currículo, de um perfil que agrada a elite paulista, bastante resistente ao PT: não é ligado às bases sindicais do partido e fez sua carreira na área acadêmica. Formou-se médico e coordenou um núcleo de medicina tropical da USP, a principal faculdade do país, entre 2000 e 2004.  A seu favor, ainda, Padilha é visto como “workaholic”, “típico de um paulista”, ressalta.
    4O petista que quer assumir São Paulo, por Talita Bedinelli Os cabelos grisalhos do ministro da Saúde Alexandre Padilha, de 42 anos, ganharam os holofotes, quando o Governo Federal criou o Programa Mais Médicos. O objetivo do projeto, implementado em julho, era trazer médicos do exterior, principalmente de Cuba, para trabalhar em áreas distantes do país, onde os profissionais brasileiros não querem atuar, devido às precárias condições de trabalho e ao baixo salário. A polêmica foi grande. Os médicos acusavam o Governo de compactuar com um regime “de escravidão” cubano, em alusão ao fato de que o país caribenho ficará com parte do salário dos médicos. As entidades médicas também reclamavam que Padilha permitiu a estrangeiros atuarem no Brasil sem o Revalida, uma prova que atesta o conhecimento deles em medicina. Mas, cinco meses depois, a polêmica acabou. Chegaram ao Brasil 6.664 médicos para atuar em regiões pobres e o nome de Padilha ficou em evidência. Uma reviravolta, talvez calculada, que fortaleceu seu nome como candidato do PT ao Governo de São Paulo, a região mais rica da federação. Padilha não assume sua candidatura para 2014, mas já mudou seu domicílio eleitoral para o Estado, mesmo morando em Brasília, capital do país. O atual ministro diz sentir-se “orgulhoso” de ter seu nome apontado por militantes do partido e por seu padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, para “ajudar a mudar o cansaço que existe no Estado com os 20 anos de Governo do PSDB”. Novato em eleições, ele tentará embarcar na onda de “renovação” pedida pelo país durante os protestos de junho. Traz como trunfo seu currículo, de um perfil que agrada a elite paulista, bastante resistente ao PT: não é ligado às bases sindicais do partido e fez sua carreira na área acadêmica. Formou-se médico e coordenou um núcleo de medicina tropical da USP, a principal faculdade do país, entre 2000 e 2004. A seu favor, ainda, Padilha é visto como “workaholic”, “típico de um paulista”, ressalta.
  • Aos 20 anos de idade, Fernanda Torres recebeu a concorrida Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes, pelo filme Eu sei que vou te amar. O ano era 1986, mas dizer que a sua carreira de atriz começara ali, seria injusto. A atriz carioca, de 49 anos, filha do casal de atores Fernanda Montenegro (Central do Brasil, O que é isso, companheiro?, entre outros) e Fernando Torres, estreou no teatro aos 13, e, em seguida, estava na televisão e no cinema.  Hoje, com mais de três décadas de carreira, Fernanda Torres – apelidada carinhosamente pelos brasileiros de Fernandinha – faz sucesso na televisão com o seriado cômico Tapas e Beijos, na rede Globo, canal de mais audiência no país. Em 2013, celebrou dez anos em cartaz, no Rio de Janeiro, com a peça A Casa dos Budas Ditosos e acaba de lançar seu primeiro romance, Fim. “Jamais imaginei que conseguiria dar conta de um romance, que chegasse, algum dia, perto da literatura”. Mas ela conseguiu. O livro, lançado em novembro, já está entre os mais vendidos do Brasil.  Politizada, Fernandinha disse certa vez que "quando Lula ainda estava em campanha para a presidência, muitos achavam que ele nos envergonharia quando fosse ao exterior. O cara arrebentou”. E para 2014, ela também pretende ‘arrebentar’. “Espero dar conta do meu ano de gravação na TV, quero ver o Juízo Final, uma história de terror que escrevi para o cinema, tomar corpo. Gostaria de ver uma série de TV sobre a formação de algumas cabeças pensantes do Brasil, chamada Minha Estupidez, se viabilizar", diz. A nova escritora faz planos de editar seu livro de crônicas, que ainda não foi publicado, e depois se dedicar à leitura. “Gostaria de ler Moby Dick, Lolita e Anna Karenina, que nunca li”, emenda. Talvez 365 dias sejam poucos para ela.
    5365 dias para Fernanda Torres arrebentar, por Marina Rossi Aos 20 anos de idade, Fernanda Torres recebeu a concorrida Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes, pelo filme Eu sei que vou te amar. O ano era 1986, mas dizer que a sua carreira de atriz começara ali, seria injusto. A atriz carioca, de 49 anos, filha do casal de atores Fernanda Montenegro (Central do Brasil, O que é isso, companheiro?, entre outros) e Fernando Torres, estreou no teatro aos 13, e, em seguida, estava na televisão e no cinema. Hoje, com mais de três décadas de carreira, Fernanda Torres – apelidada carinhosamente pelos brasileiros de Fernandinha – faz sucesso na televisão com o seriado cômico Tapas e Beijos, na rede Globo, canal de mais audiência no país. Em 2013, celebrou dez anos em cartaz, no Rio de Janeiro, com a peça A Casa dos Budas Ditosos e acaba de lançar seu primeiro romance, Fim. “Jamais imaginei que conseguiria dar conta de um romance, que chegasse, algum dia, perto da literatura”. Mas ela conseguiu. O livro, lançado em novembro, já está entre os mais vendidos do Brasil. Politizada, Fernandinha disse certa vez que "quando Lula ainda estava em campanha para a presidência, muitos achavam que ele nos envergonharia quando fosse ao exterior. O cara arrebentou”. E para 2014, ela também pretende ‘arrebentar’. “Espero dar conta do meu ano de gravação na TV, quero ver o Juízo Final, uma história de terror que escrevi para o cinema, tomar corpo. Gostaria de ver uma série de TV sobre a formação de algumas cabeças pensantes do Brasil, chamada Minha Estupidez, se viabilizar", diz. A nova escritora faz planos de editar seu livro de crônicas, que ainda não foi publicado, e depois se dedicar à leitura. “Gostaria de ler Moby Dick, Lolita e Anna Karenina, que nunca li”, emenda. Talvez 365 dias sejam poucos para ela.
  • Em pouco mais de três meses à frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo conseguiu o que muitos sonharam ao longo dos últimos 20 anos: um grande acordo global para estimular o comércio. “Pela primeira vez na história, a OMC verdadeiramente entregou o que prometeu. Estamos de volta”, afirmou ele via Twitter após o tão aguardado desfecho das negociações em Bali, na Indonésia, no início de dezembro. Entre os pontos mais positivos do acordo estão a desburocratização comercial e a promoção dos países mais pobres. O esforço para conter as lágrimas após a conquista em Bali dá uma ideia da dedicação desse baiano de Salvador. E também dos avanços que podem ser esperados em 2014 e ao longo de seu mandato de quatro anos em Genebra, onde fica a sede central da organização composta por 159 Estados-membros e responsável por supervisionar o comércio mundial. Para se tornar o sexto diretor-geral da história da OMC, em setembro, Roberto Carvalho de Azevêdo, de 56 anos, contou com o apoio dos países emergentes e em desenvolvimento para derrotar o mexicano Herminio Blanco, que tinha o apoio da União Europeia, em maio deste ano. É o primeiro latino-americano a ocupar o cargo, coroando uma respeitada trajetória diplomática de perfil conciliador e que já incluía serviços nas embaixadas brasileiras em Washington e Montevidéu. Além, claro, do posto de embaixador do Brasil na própria OMC desde 2008, quando agregou a seu currículo vitórias em disputas importantes, como a obtida contra os Estados Unidos em casos como o de subsídio ao algodão. Agora, seu maior desafio é desbloquear a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, cujas negociações estão paralisadas há anos e parecem longe de um final feliz. A tarefa é difícil, mas a julgar pelo rápido aproveitamento de Azevêdo, em Bali, muito possível. “Colocamos o mundo de volta na OMC”, avisa.
    6O brasileiro que impulsiona o comércio mundial, por Frederico Rosas Em pouco mais de três meses à frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo conseguiu o que muitos sonharam ao longo dos últimos 20 anos: um grande acordo global para estimular o comércio. “Pela primeira vez na história, a OMC verdadeiramente entregou o que prometeu. Estamos de volta”, afirmou ele via Twitter após o tão aguardado desfecho das negociações em Bali, na Indonésia, no início de dezembro. Entre os pontos mais positivos do acordo estão a desburocratização comercial e a promoção dos países mais pobres. O esforço para conter as lágrimas após a conquista em Bali dá uma ideia da dedicação desse baiano de Salvador. E também dos avanços que podem ser esperados em 2014 e ao longo de seu mandato de quatro anos em Genebra, onde fica a sede central da organização composta por 159 Estados-membros e responsável por supervisionar o comércio mundial. Para se tornar o sexto diretor-geral da história da OMC, em setembro, Roberto Carvalho de Azevêdo, de 56 anos, contou com o apoio dos países emergentes e em desenvolvimento para derrotar o mexicano Herminio Blanco, que tinha o apoio da União Europeia, em maio deste ano. É o primeiro latino-americano a ocupar o cargo, coroando uma respeitada trajetória diplomática de perfil conciliador e que já incluía serviços nas embaixadas brasileiras em Washington e Montevidéu. Além, claro, do posto de embaixador do Brasil na própria OMC desde 2008, quando agregou a seu currículo vitórias em disputas importantes, como a obtida contra os Estados Unidos em casos como o de subsídio ao algodão. Agora, seu maior desafio é desbloquear a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, cujas negociações estão paralisadas há anos e parecem longe de um final feliz. A tarefa é difícil, mas a julgar pelo rápido aproveitamento de Azevêdo, em Bali, muito possível. “Colocamos o mundo de volta na OMC”, avisa. REUTERS
  • O jornalista e crítico de cinema Kleber Mendonça Filho, 45 anos, nasceu e morou, até os 13 anos de idade, em Recife, a capital de Pernambuco. A vivência em um tradicional bairro de classe média pernambucano, chamado Casa Forte, foi fundamental para a criação de um dos maiores filmes nacionais da história. Há tempos não se via um filme brasileiro ser tão comentado mundo afora. O Som ao Redor é uma ficção onde a semelhança com a realidade não é mera coincidência. “Muitas coisas que estão no filme, como histórias de famílias tradicionais, foram feitas inspiradas no bairro onde eu cresci”, diz o diretor. A película, que estreou primeiramente fora do Brasil, no festival de Rotterdam de 2012, retrata a classe média brasileira, um tema pouco explorado pelo cinema nacional, que costuma se apegar aos cenários compostos pelas favelas cariocas ou pela selva amazônica. O lançamento no Brasil aconteceu em janeiro de 2013. “Eu não poderia ter esperado nada melhor que a reação que tivemos em casa”, diz, se referindo às calorosas críticas na imprensa brasileira e aos 100 mil espectadores em todo o país. Neste ano, o filme, que está na lista dos 25 melhores do ano do New York Times, estreou também na Polônia, Inglaterra, Portugal, Canadá, México e em fevereiro entra no circuito na França. Antes disso, porém, o longa tem algumas chances de trazer para o Brasil um Oscar, já que é um dos indicados para a disputa. Para 2014, Mendonça tem três projetos correndo simultaneamente: “Um deles, é o filme Bacurau, que já tem 70% da verba captada, e provavelmente será o primeiro filme que eu farei depois de O Som ao Redor”, diz. “Os outros dois são Aquários e The Crew, este último, um argumento do Michelangelo Antonioni, e que será uma produção internacional”.
    7O som ao redor do mundo, por Marina Rossi O jornalista e crítico de cinema Kleber Mendonça Filho, 45 anos, nasceu e morou, até os 13 anos de idade, em Recife, a capital de Pernambuco. A vivência em um tradicional bairro de classe média pernambucano, chamado Casa Forte, foi fundamental para a criação de um dos maiores filmes nacionais da história. Há tempos não se via um filme brasileiro ser tão comentado mundo afora. O Som ao Redor é uma ficção onde a semelhança com a realidade não é mera coincidência. “Muitas coisas que estão no filme, como histórias de famílias tradicionais, foram feitas inspiradas no bairro onde eu cresci”, diz o diretor. A película, que estreou primeiramente fora do Brasil, no festival de Rotterdam de 2012, retrata a classe média brasileira, um tema pouco explorado pelo cinema nacional, que costuma se apegar aos cenários compostos pelas favelas cariocas ou pela selva amazônica. O lançamento no Brasil aconteceu em janeiro de 2013. “Eu não poderia ter esperado nada melhor que a reação que tivemos em casa”, diz, se referindo às calorosas críticas na imprensa brasileira e aos 100 mil espectadores em todo o país. Neste ano, o filme, que está na lista dos 25 melhores do ano do New York Times, estreou também na Polônia, Inglaterra, Portugal, Canadá, México e em fevereiro entra no circuito na França. Antes disso, porém, o longa tem algumas chances de trazer para o Brasil um Oscar, já que é um dos indicados para a disputa. Para 2014, Mendonça tem três projetos correndo simultaneamente: “Um deles, é o filme Bacurau, que já tem 70% da verba captada, e provavelmente será o primeiro filme que eu farei depois de O Som ao Redor”, diz. “Os outros dois são Aquários e The Crew, este último, um argumento do Michelangelo Antonioni, e que será uma produção internacional”. Cinemascópio
  • Dona de um tom de voz suave, a política brasileira Marina Silva protagonizou em outubro de 2013 um dos movimentos mais importantes do xadrez eleitoral, de olho nas eleições presidenciais deste ano. Marina se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), para ser a candidata a vice de Eduardo Campos, atual governador do Estado Pernambuco. A sua filiação aconteceu após a Justiça Eleitoral impugnar a fundação do novo partido que ela encabeçava, a Rede Sustentabilidade. Mesmo candidata a vice, seu nome tem potencial para embaralhar os resultados de 2014. Nas eleições de 2010, quando concorreu pelo Partido Verde, alcançou surpreendentes 19% dos votos, ou o apoio de cerca de 20 milhões de eleitores. A militância de Silva em defesa do meio ambiente nos anos 80, junto com Chico Mendes, líder seringueiro de renome internacional assassinado a mando de fazendeiros do Estado do Acre, no Norte do país, é um dos pontos centrais da sua biografia. Com Mendes, ela ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT), um sindicato com células espalhadas por todos os Estados do País, que congrega trabalhadores de diversos setores. Nascida em 1958, em uma pequena comunidade chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre, Silva foi alfabetizada aos 16 anos. Enfrentou diversos problemas de saúde em razão das condições precárias da região onde nasceu, como hepatite, leishmaniose, malária e contaminação com o metal tóxico mercúrio, usado na extração de minérios. Superou todos. Chegou a trabalhar como empregada doméstica, mas, obstinada, estudou até graduar-se no curso de História. Elegeu-se vereadora por Rio Branco, capital do Acre, deputada estadual e, por fim, senadora, em 1994. Entre 2003 e 2008, foi ministra do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Lula, com quem rompeu por desavenças sobre o rumo das políticas ambientais do Governo. Hoje, essa evangélica de temperamento nada mercurial está no caminho das ambições do PT de eleger-se pela quarta vez consecutiva e manter-se no comando do Executivo brasileiro.
    8Uma mulher com mercúrio no sangue, por Felipe Vanini Dona de um tom de voz suave, a política brasileira Marina Silva protagonizou em outubro de 2013 um dos movimentos mais importantes do xadrez eleitoral, de olho nas eleições presidenciais deste ano. Marina se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), para ser a candidata a vice de Eduardo Campos, atual governador do Estado Pernambuco. A sua filiação aconteceu após a Justiça Eleitoral impugnar a fundação do novo partido que ela encabeçava, a Rede Sustentabilidade. Mesmo candidata a vice, seu nome tem potencial para embaralhar os resultados de 2014. Nas eleições de 2010, quando concorreu pelo Partido Verde, alcançou surpreendentes 19% dos votos, ou o apoio de cerca de 20 milhões de eleitores. A militância de Silva em defesa do meio ambiente nos anos 80, junto com Chico Mendes, líder seringueiro de renome internacional assassinado a mando de fazendeiros do Estado do Acre, no Norte do país, é um dos pontos centrais da sua biografia. Com Mendes, ela ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT), um sindicato com células espalhadas por todos os Estados do País, que congrega trabalhadores de diversos setores. Nascida em 1958, em uma pequena comunidade chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre, Silva foi alfabetizada aos 16 anos. Enfrentou diversos problemas de saúde em razão das condições precárias da região onde nasceu, como hepatite, leishmaniose, malária e contaminação com o metal tóxico mercúrio, usado na extração de minérios. Superou todos. Chegou a trabalhar como empregada doméstica, mas, obstinada, estudou até graduar-se no curso de História. Elegeu-se vereadora por Rio Branco, capital do Acre, deputada estadual e, por fim, senadora, em 1994. Entre 2003 e 2008, foi ministra do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Lula, com quem rompeu por desavenças sobre o rumo das políticas ambientais do Governo. Hoje, essa evangélica de temperamento nada mercurial está no caminho das ambições do PT de eleger-se pela quarta vez consecutiva e manter-se no comando do Executivo brasileiro. Contacto
  • Um zagueiro ruim de bola que se tornou um treinador consagrado. Esse é Luiz Felipe Scolari, 65 anos. Gaúcho de Passo Fundo, Felipão, como os brasileiros o chamam, é a típica pessoa mal humorada e divertida ao mesmo tempo. Quando está de saco cheio, dá patadas em repórteres. Quando está animado, até conta piadas sobre os tempos em que jogava em clubes pequenos do sul do país. Após 31 anos de carreira como treinador, Felipão está em sua segunda passagem pela seleção canarinha. A primeira foi na Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil chegou ao pentacampeonato mundial. Ironicamente, seu retorno aconteceu em um dos piores momentos de sua carreira. Deixou o clube que dirigia, o Palmeiras, que estava a ponto de ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o que de fato ocorreu em 2012. O que pesou a favor dele para substituir Mano Menezes não foi o momento técnico, mas sim o carisma que tem com os torcedores. Após sua primeira passagem pela seleção, Felipão viveu desafios muito distintos. Na seleção portuguesa, onde ficou cinco anos, obteve bons resultados (vice-campeão da Eurocopa e quarto lugar na Copa de 2006). Depois, teve uma breve e conturbada passagem pelo inglês Chelsea e pelo Bunyodkor, do Uzbequistão. Nos meios de comunicação, Felipão é visto como um excelente manipulador da mídia. Sabe usá-la quando quer valorizar seu time ou criar um ambiente instável entre os adversários. O que ele não esperava era que um dia seria manipulado. Apresentadores da rádio espanhola Cadena Cope ligaram para ele se passando pelo treinador espanhol Vicente Del Bosque. Felipão acreditou em cada palavra. O assunto da conversa era a convocação de Diego Costa. Felipão disse que contaria com os préstimos do atacante. Quando a notícia veio à tona, ele se viu obrigado a antecipar o chamado de Costa, que disse um sonoro não ao Brasil e optou jogar pela Espanha. Desde então, Felipão chutou a imprensa espanhola para escanteio. Agora, não dá mais entrevista para periódicos espanhóis.
    9O querido rabugento, por Afonso Benites Um zagueiro ruim de bola que se tornou um treinador consagrado. Esse é Luiz Felipe Scolari, 65 anos. Gaúcho de Passo Fundo, Felipão, como os brasileiros o chamam, é a típica pessoa mal humorada e divertida ao mesmo tempo. Quando está de saco cheio, dá patadas em repórteres. Quando está animado, até conta piadas sobre os tempos em que jogava em clubes pequenos do sul do país. Após 31 anos de carreira como treinador, Felipão está em sua segunda passagem pela seleção canarinha. A primeira foi na Copa do Mundo de 2002, quando o Brasil chegou ao pentacampeonato mundial. Ironicamente, seu retorno aconteceu em um dos piores momentos de sua carreira. Deixou o clube que dirigia, o Palmeiras, que estava a ponto de ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o que de fato ocorreu em 2012. O que pesou a favor dele para substituir Mano Menezes não foi o momento técnico, mas sim o carisma que tem com os torcedores. Após sua primeira passagem pela seleção, Felipão viveu desafios muito distintos. Na seleção portuguesa, onde ficou cinco anos, obteve bons resultados (vice-campeão da Eurocopa e quarto lugar na Copa de 2006). Depois, teve uma breve e conturbada passagem pelo inglês Chelsea e pelo Bunyodkor, do Uzbequistão. Nos meios de comunicação, Felipão é visto como um excelente manipulador da mídia. Sabe usá-la quando quer valorizar seu time ou criar um ambiente instável entre os adversários. O que ele não esperava era que um dia seria manipulado. Apresentadores da rádio espanhola Cadena Cope ligaram para ele se passando pelo treinador espanhol Vicente Del Bosque. Felipão acreditou em cada palavra. O assunto da conversa era a convocação de Diego Costa. Felipão disse que contaria com os préstimos do atacante. Quando a notícia veio à tona, ele se viu obrigado a antecipar o chamado de Costa, que disse um sonoro não ao Brasil e optou jogar pela Espanha. Desde então, Felipão chutou a imprensa espanhola para escanteio. Agora, não dá mais entrevista para periódicos espanhóis. AFP PHOTO
  • O cinema brasileiro tem grande projeção no exterior e uma das razões é Wagner Moura. Com seu papel protagonista em Tropa de Elite, apresentou-se ao mundo. Com suas opiniões, tomou partido e revelou-se como um dos atores políticos mais ativos do Brasil. Fez campanha por Marina Silva, candidata então à presidência pelo Partido Verde, e posiciona-se sem pudor em favor de causas ambientais, como a luta contra a hidrelétrica de Belo Monte. Moura, natural da Bahia, pai de três filhos e casado há 13 anos, é um desses que recolhem assinaturas e as levam pessoalmente até o Congresso porque acham que o trabalho escravo no Brasil deve ter uma emenda constitucional. E dos que utilizam sua própria casa como exemplo de uma moradia sustentável.   Os trabalhos desse ator, jornalista de formação, são afins com suas opiniões. Sua última estreia, Serra Pelada, trata sobre a febre do ouro nos anos oitenta. No início do ano esteve entre Matt Damon e Alicia Braga em Elysium, alertando os espetadores para a desigualdade social através da ficção científica. Seus planos para 2014 também têm a pretensão de fazer refletir com Praia do Futuro, com o diretor Karim Ainouz, e sua estreia como diretor, com a história do guerrilheiro brasileiro Marighella, assassinado em 1969 durante a ditadura militar que governou o país durante 21 anos.
    10Um ator ativista, por Beatriz Borges O cinema brasileiro tem grande projeção no exterior e uma das razões é Wagner Moura. Com seu papel protagonista em Tropa de Elite, apresentou-se ao mundo. Com suas opiniões, tomou partido e revelou-se como um dos atores políticos mais ativos do Brasil. Fez campanha por Marina Silva, candidata então à presidência pelo Partido Verde, e posiciona-se sem pudor em favor de causas ambientais, como a luta contra a hidrelétrica de Belo Monte. Moura, natural da Bahia, pai de três filhos e casado há 13 anos, é um desses que recolhem assinaturas e as levam pessoalmente até o Congresso porque acham que o trabalho escravo no Brasil deve ter uma emenda constitucional. E dos que utilizam sua própria casa como exemplo de uma moradia sustentável. Os trabalhos desse ator, jornalista de formação, são afins com suas opiniões. Sua última estreia, Serra Pelada, trata sobre a febre do ouro nos anos oitenta. No início do ano esteve entre Matt Damon e Alicia Braga em Elysium, alertando os espetadores para a desigualdade social através da ficção científica. Seus planos para 2014 também têm a pretensão de fazer refletir com Praia do Futuro, com o diretor Karim Ainouz, e sua estreia como diretor, com a história do guerrilheiro brasileiro Marighella, assassinado em 1969 durante a ditadura militar que governou o país durante 21 anos.
  • Alex Atala, de 45 anos, é a imagem internacional da gastronomia brasileira. O D.o.M, um de seus exclusivos restaurantes em São Paulo ganhou neste ano a sexta posição mundial na lista da Restaurant Magazine, a revista Times estampou o chef em sua capa como um dos mais influentes do mundo e uma de suas assessoras calcula que se publicam 3.000 referências do cozinheiro por ano. Mas a fama concentrada em sua imagem pesa sobre ele. "No curto prazo, o Brasil demonstrará que sua cozinha não é só Alex Atala. Nosso país tem uma geração de uns 15 chefs impressionante. A Espanha é uma referência mundial não só por seus produtos, senão por sua equipe", afirmou o chef em seu restaurante Dalva e Dito.  Para Atala, 2013 foi memorável. "Sobretudo por ter conseguido equilibrar a rentabilidade dos restaurantes com minha vida familiar". Atala também escreveu um livro, "Redescubriendo Ingredientes Brasileiros", que lhe permitiu viajar e amadurecer. "Dentro da cozinha se sofre de certa miopia. As viagens permitiram-me observar tudo desde longe e me focar no importante". O importante para Atala não foi a capa da Times, diz, senão as "mudanças profundas" que está conseguindo imprimir "na participação do homem na cadeia alimentar do país".  O chef, orgulhoso de seu passado punk, conta com entusiasmo como, graças a sua influência, conseguiu recuperar a produção de arroz no Vale do Rio Paraíba, uma importante região que percorre parte do leste de São Paulo e o sul de Rio de Janeiro.  Há nove anos um agricultor e um pesquisador da região bateram à porta da cozinha de Atala com um saquinho de arroz negro para que o provasse. "Quem ia comprar arroz negro deles?", perguntou-se. Pois ele e restante dos chefs do país. "80% desse vale se mantém agora com a produção de arrozes especiais, para poder competir com os Estados do Sul", conta. "O próximo desafio será ensinar o cultivo orgânico". Mostrando o pelo arrepiado de seu braço cheio de tatuagens diz: "Como me disse Ferran Adriá -o primeiro a ensinar ao mundo quem era Alex Atala, lembra- a maior rede social do mundo não é o Facebook, é a gastronomia".
    11Um saquinho de arroz negro, por María Martín Alex Atala, de 45 anos, é a imagem internacional da gastronomia brasileira. O D.o.M, um de seus exclusivos restaurantes em São Paulo ganhou neste ano a sexta posição mundial na lista da Restaurant Magazine, a revista Times estampou o chef em sua capa como um dos mais influentes do mundo e uma de suas assessoras calcula que se publicam 3.000 referências do cozinheiro por ano. Mas a fama concentrada em sua imagem pesa sobre ele. "No curto prazo, o Brasil demonstrará que sua cozinha não é só Alex Atala. Nosso país tem uma geração de uns 15 chefs impressionante. A Espanha é uma referência mundial não só por seus produtos, senão por sua equipe", afirmou o chef em seu restaurante Dalva e Dito. Para Atala, 2013 foi memorável. "Sobretudo por ter conseguido equilibrar a rentabilidade dos restaurantes com minha vida familiar". Atala também escreveu um livro, "Redescubriendo Ingredientes Brasileiros", que lhe permitiu viajar e amadurecer. "Dentro da cozinha se sofre de certa miopia. As viagens permitiram-me observar tudo desde longe e me focar no importante". O importante para Atala não foi a capa da Times, diz, senão as "mudanças profundas" que está conseguindo imprimir "na participação do homem na cadeia alimentar do país". O chef, orgulhoso de seu passado punk, conta com entusiasmo como, graças a sua influência, conseguiu recuperar a produção de arroz no Vale do Rio Paraíba, uma importante região que percorre parte do leste de São Paulo e o sul de Rio de Janeiro. Há nove anos um agricultor e um pesquisador da região bateram à porta da cozinha de Atala com um saquinho de arroz negro para que o provasse. "Quem ia comprar arroz negro deles?", perguntou-se. Pois ele e restante dos chefs do país. "80% desse vale se mantém agora com a produção de arrozes especiais, para poder competir com os Estados do Sul", conta. "O próximo desafio será ensinar o cultivo orgânico". Mostrando o pelo arrepiado de seu braço cheio de tatuagens diz: "Como me disse Ferran Adriá -o primeiro a ensinar ao mundo quem era Alex Atala, lembra- a maior rede social do mundo não é o Facebook, é a gastronomia". AFP
  • Os protestos que revolucionaram as ruas do Brasil em junho de 2013 começaram por 20 centavos que o Governo de São Paulo reajustou no preço da passagem de metrô e ônibus. Depois da reivindicação, que se expandiu a toda velocidade, estava o movimento PASSE LIVRE, um grupo, até então pouco conhecido, que agora conta com cerca de 60 membros. Ativos desde 2006 na defesa do transporte público gratuito e pelo protagonismo da sociedade em seu gerenciamento, teceram redes em todo o país demonstrando uma impressionante capacidade de mobilização. Em pouco tempo, foram identificados como os interlocutores entre o poder e a rua. Até Dilma Rousseff os recebeu em seu gabinete. Os jovens saíram do Palácio do Planalto dizendo que a presidenta não estava preparada para tratar assuntos de mobilidade. "Não fomos até ali como líderes dos protestos e sim para discutir o transporte público do país. E ocorreu o que esperávamos, que o governo nos ignorou", diz Marcelo Hotimsky, estudante de filosofia de 20 anos e um dos participantes da reunião. Em pleno auge, com mais de um milhão de pessoas manifestando-se em todo o país, com dezenas de movimentos sociais querendo se unir a sua causa e o acréscimo da tarifa cancelado, decidiram se afastar das ruas. "Paramos para nos concentrar em outros problemas de transporte que ainda não conhecíamos bem. Ainda há 37 milhões de brasileiros que não podem pagar o ônibus. O direito ao transporte não o é e acaba limitando o acesso a outros direitos fundamentais como a saúde ou a educação", explica Hotimsky. O resultado de seu trabalho já começou a se ver com novas mobilizações na periferia de São Paulo. Desde então, o Passe Livre convocou alguns atos isolados, enquanto os protestos em massa se apagam. "Não posso adivinhar o alcance, mas no ano que vem será um período forte de mobilizações. O Mundial mostra algumas contradições do poder público: se há dinheiro para construir estádios, por que não o há para investir em políticas de transporte coletivo?".
    12Os jovens das manifestações de junho, por María Martín Os protestos que revolucionaram as ruas do Brasil em junho de 2013 começaram por 20 centavos que o Governo de São Paulo reajustou no preço da passagem de metrô e ônibus. Depois da reivindicação, que se expandiu a toda velocidade, estava o movimento PASSE LIVRE, um grupo, até então pouco conhecido, que agora conta com cerca de 60 membros. Ativos desde 2006 na defesa do transporte público gratuito e pelo protagonismo da sociedade em seu gerenciamento, teceram redes em todo o país demonstrando uma impressionante capacidade de mobilização. Em pouco tempo, foram identificados como os interlocutores entre o poder e a rua. Até Dilma Rousseff os recebeu em seu gabinete. Os jovens saíram do Palácio do Planalto dizendo que a presidenta não estava preparada para tratar assuntos de mobilidade. "Não fomos até ali como líderes dos protestos e sim para discutir o transporte público do país. E ocorreu o que esperávamos, que o governo nos ignorou", diz Marcelo Hotimsky, estudante de filosofia de 20 anos e um dos participantes da reunião. Em pleno auge, com mais de um milhão de pessoas manifestando-se em todo o país, com dezenas de movimentos sociais querendo se unir a sua causa e o acréscimo da tarifa cancelado, decidiram se afastar das ruas. "Paramos para nos concentrar em outros problemas de transporte que ainda não conhecíamos bem. Ainda há 37 milhões de brasileiros que não podem pagar o ônibus. O direito ao transporte não o é e acaba limitando o acesso a outros direitos fundamentais como a saúde ou a educação", explica Hotimsky. O resultado de seu trabalho já começou a se ver com novas mobilizações na periferia de São Paulo. Desde então, o Passe Livre convocou alguns atos isolados, enquanto os protestos em massa se apagam. "Não posso adivinhar o alcance, mas no ano que vem será um período forte de mobilizações. O Mundial mostra algumas contradições do poder público: se há dinheiro para construir estádios, por que não o há para investir em políticas de transporte coletivo?". AFP
  • Em novembro, Joaquim Barbosa encarcerou os políticos do PT envolvidos no esquema de corrupção Mensalão. Foi a primeira vez que cargos eleitos foram condenados pelo Supremo Tribunal, órgão que ele preside desde 2012. O PSDB, partido da oposição, também está na mira em outro caso de desvio de dinheiro em Minas Gerais, onde nasceu Barbosa, o primeiro negro à frente do Tribunal. Entre as polêmicas nas quais esteve envolvido estão seu apoio para que haja um limite para a reeleição de cargos de parlamentares -os políticos profissionais, que estão há 30 anos ou mais no Congresso-, ir contra a atenção preferencial dos advogados em audiências com magistrados e a liberação do uso de células tronco para pesquisa. Mas o ataque aos políticos do mesmo partido que lhe colocou no posto que ocupa foi considerado uma afronta. Alguns conspiram que foi uma manobra política para lançar sua candidatura à presidência em 2014. Sobre o assunto, afirmou em uma entrevista realizada em julho que o Brasil não está preparado para um presidente negro. Apesar do desinteresse, a pesquisa elaborada pela Datafolha, onde Barbosa foi incluído como possível candidato, conquistou 1% de intenção de voto. É um crítico feroz do sistema penal, ao que acusa de ser pró-impunidade. Em 2014, apesar das comunidades criadas no Facebook a favor de sua candidatura e as especulações para que seja candidato a vice-presidente com Aécio Neves (PSDB), se espera que continue seu trabalho no Supremo. Tem uma causa: inicial de forma oficial o diálogo com o Governo para que as prisões sejam controladas pelo judiciário.
    13O juiz que incomoda, por Beatriz Borges Em novembro, Joaquim Barbosa encarcerou os políticos do PT envolvidos no esquema de corrupção Mensalão. Foi a primeira vez que cargos eleitos foram condenados pelo Supremo Tribunal, órgão que ele preside desde 2012. O PSDB, partido da oposição, também está na mira em outro caso de desvio de dinheiro em Minas Gerais, onde nasceu Barbosa, o primeiro negro à frente do Tribunal. Entre as polêmicas nas quais esteve envolvido estão seu apoio para que haja um limite para a reeleição de cargos de parlamentares -os políticos profissionais, que estão há 30 anos ou mais no Congresso-, ir contra a atenção preferencial dos advogados em audiências com magistrados e a liberação do uso de células tronco para pesquisa. Mas o ataque aos políticos do mesmo partido que lhe colocou no posto que ocupa foi considerado uma afronta. Alguns conspiram que foi uma manobra política para lançar sua candidatura à presidência em 2014. Sobre o assunto, afirmou em uma entrevista realizada em julho que o Brasil não está preparado para um presidente negro. Apesar do desinteresse, a pesquisa elaborada pela Datafolha, onde Barbosa foi incluído como possível candidato, conquistou 1% de intenção de voto. É um crítico feroz do sistema penal, ao que acusa de ser pró-impunidade. Em 2014, apesar das comunidades criadas no Facebook a favor de sua candidatura e as especulações para que seja candidato a vice-presidente com Aécio Neves (PSDB), se espera que continue seu trabalho no Supremo. Tem uma causa: inicial de forma oficial o diálogo com o Governo para que as prisões sejam controladas pelo judiciário.