O oligarca Mijáil Jodorkovski sai da prisão depois de Putin assinar o indulto

O Kremlin afirma que o pedido de clemência do ex-magnata implica em um "reconhecimento de culpa"

Mijaíl Jodorkovski (centro) em uma foto de 2010.
Mijaíl Jodorkovski (centro) em uma foto de 2010.MAXIM SHIPENKOV (EFE)

Após dez anos atrás das grades, o magnata Mijáil Jodorkovski — que já foi o homem mais rico da Rússia e dono da petroleira mais eficaz do país, a desaparecida Yukos, cujos principais ativos passaram para as mãos de uma empresa estatal — foi posto, por fim, em liberdade. Para conseguir, teve que pedir o indulto ao presidente Vladímir Putin, algo que ele tinha se negado a fazer anteriormente porque, como sublinham no Kremlin, isso significa o reconhecimento de sua culpa.

Jodorkovski estava na prisão desde 2003, e foi condenado por roubo e corrupção em 2005. Ele foi solto oito meses antes da data prevista. O indulto, que foi assinado nesta sexta-feira, já havia sido anunciado no dia anterior por Putin, após a maratona de coletiva de imprensa anual que o presidente russo deu aos meios russos e estrangeiros. Seu advogado confirmou que Jodorkovski saiu da prisão, localizada na cidade de Segueza, em Carelia, ao norte da Rússia, pouco depois do meio dia local.

Jodorkovski pediria o indulto após conversar com agentes dos Serviços Federais de Segurança, segundo o prestigioso diário Kommersant. Os Serviços, segundo o diário, teriam dito ao magnata sobre a piora no estado de saúde de sua mãe, que está com câncer, e da preparação de um novo processo contra ele, ou seja, a perspectiva de uma possível nova condenação, teria motivado a sua decisão de escrever a Putin pedindo que a liberdade.

Sua mãe disse desconhecer os verdadeiros motivos que impulsionaram o milionário a escrever essa carta, mas disse que era verdade que ela e seu marido estavam doentes. Além disso, acrescenta que ela sabe as condições que o filho viveu nos últimos dez anos e só quem sofre do mesmo que ele teria direito ao julgar. O decreto de Putin diz que Jodorkovski estava sendo posto em liberdade "por motivos humanitários".

Jodorkovski era considerado um preso político pelas organizações de defesa de direitos humanos: sua condenação, embora formalmente era devido à sonegação de impostos e outros crimes econômicos, estava motivada, segundo essas organizações, pelo fato de o então magnata petroleiro ter se atrevido a desafiar Putin e financiado a oposição.

Um dos primeiros a reagir à libertação de Jodorkovski foi Vladímir Lukín, o defensor do povo russo, quem opinou que esta "terá um bom efeito humanizador sobre a sociedade". "Nossa sociedade está doente de medo, ódio, profunda desconfiança mútua e outros males", e o indulto atua como "uma medicina" neste sentido. Não está claro a que se dedicará Jodorkovski agora e se decidirá participar da  política ou não.