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Princesa japonesa Mako troca vida imperial por um plebeu

Neta mais velha do imperador Akihito se casará com ex-colega da universidade

A princesa Mako, do Japão, em imagem de 2016.
A princesa Mako, do Japão, em imagem de 2016. Jorge Adorno

A princesa japonesa Mako, neta mais velha do imperador Akihito, irá se casar com um plebeu, segundo a imprensa local, e, por isso, perderá sua condição imperial. Mako tem 25 anos e contrairá matrimônio em 2018 com Kei Komuro, um ex-colega de universidade que tem a mesma idade que ela. A legislação japonesa prevê que, caso queiram manter seus direitos e deveres como membros da família imperial, as mulheres devem se casar com alguém que tenha origem real. Caso contrário, perdem esse estatuto. Dessa forma, a princesa Mako de Akishino passará a ser apenas Mako Komuro. A casa imperial não se pronunciou a respeito.

Kei Komuro, o futuro marido da princesa, foi questionado por jornalistas nesta quarta-feira diante do escritório de advocacia onde trabalho em Tóquio. “Não é o momento para fazer comentários, mas falarei quando for oportuno”, disse Komuro. Mako, filha do príncipe Fumihito, formou-se na Universidade Cristã Internacional, tem um mestrado na Universidade de Leicester e trabalhou como pesquisadora em um museu. Daqui a um, presumivelmente, perderá os seus direitos como membro da família imperial e mudará de vida radicalmente.

A notícia recolocou em pauta, no Japão, a discussão sobre a minguante família imperial. A legislação autoriza que os homens se casem com plebeias. O príncipe-herdeiro Naruhito o fez e manteve o seu estatuto e seus títulos. Sua irmã, a princesa Sayako, os perdeu em 2005 ao se casar com um funcionário da prefeitura de Tóquio.

A família imperial do Japão, em uma imagem de 2016.
A família imperial do Japão, em uma imagem de 2016. Reuters

O compromisso de Mako se tornou público poucos dias depois de o Governo do país aprovar um projeto de lei que permitirá que o imperador Akihito abdique. Aos 83 anos, ele já admitiu que a idade dificultará o cumprimento de suas obrigações. Será a primeira abdicação de um imperador em quase dois séculos. A legislação que será aprovada não faz referência, porém, à lei sálica que vigora no país nem à possibilidade, ou não, de permitir que as mulheres continuem a fazer parte da família imperial após o casamento, algo que os conservadores temem que poderia ser um primeiro passo para se permitir que as mulheres herdam o trono. Isso faz com que existam apenas quatro herdeiros: os dois filhos do imperador Akihito, um irmão octogenário e o irmão de Mako, Hisahito, que tem 10 anos de idade. Após a abdicação, o sucessor será Naruhito, filho de Akihito, que não teve filhos homens, razão pela qual o imperador seguinte poderia ser o príncipe Hisahito.

Ao ser questionado sobre a escassez de membros da família imperial, o ministro porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, declarou nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que o Executivo não mudou de opinião “em relação à forma de agir ou aos passos a serem dados para garantir a estabilidade da sucessão imperial”.

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