Pandemia de coronavírus

EUA pisam no acelerador para voltar à normalidade

Várias das grandes cidades do país anunciam sua reabertura completa antes de 4 de julho, a data escolhida por Biden para começar a relaxar as restrições

Um homem passa em frente à Bolsa de Valores de Nova York, em novembro de 2020.
Um homem passa em frente à Bolsa de Valores de Nova York, em novembro de 2020.Mark Lennihan / AP

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Joe Biden visualizou os norte-americanos preparando um churrasco no quintal das suas casas em 4 de julho para comemorar ao mesmo tempo a independência do país e “o dia da independência em relação ao vírus”. Mas a volta à normalidade tem pressa, e há lugares dos Estados Unidos que não quiseram esperar até a simbólica data fixada pelo presidente. Com os novos casos despencando e a campanha de vacinação a toda velocidade, grandes cidades como Nova York e Chicago já anunciaram sua abertura para as próximas semanas, e nesta segunda-feira Washington, a capital, determinou que a partir de 11 de junho os ginásios esportivos, salas de espetáculos e casas noturnas voltarão a abrir as portas sem restrições de lotação, pela primeira vez em 14 meses.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDCs, na sigla em inglês) já autorizam pessoas completamente vacinadas a deixarem de usar máscara ao ar livre após duas semanas da última injeção, salvo em aglomerações. Um documento publicado na quarta-feira passada pelos CDCs dizia que, se o ritmo de vacinação se mantiver bom (mais de metade da população adulta já recebeu pelo menos uma dose) e a população continuar respeitando as medidas preventivas, em julho a pandemia poderia estar controlada no país. Ao menos temporariamente.

Os Estados Unidos atravessam seu melhor momento na luta contra o vírus. Há um mês, o número de mortes diárias está abaixo de 1.000, e já há grandes cidades que somam vários dias sem registrar óbitos por covid-19. As previsões mais otimistas dos CDCs indicam que, até agosto, o país passará da cifra atual de mais de 4.000 mortos por semana para algumas centenas e, até dezembro, menos de 100 por dia.

O assessor da Casa Branca para a crise do coronavírus, o médico Anthony Fauci, antecipou que os norte-americanos deveriam começar a ver um ponto de inflexão da pandemia “dentro de poucas semanas”. Mas os sanitaristas mantêm a cautela e questionam a possibilidade de alcançar a imunidade coletiva até o verão boreal, apesar da meta de Biden de ter 70% da população adulta vacinada até 4 de julho, Dia da Independência. As pesquisas mostram que entre 20% e 25% dos adultos não pretendem se vacinar.

Em Chicago, grandes espaços fechados, como ginásios poliesportivos, teatros e casas de shows, atualmente podem funcionar com 25% da sua capacidade. Os estabelecimentos pequenos podem chegar a 50%. As pessoas ainda precisam manter a distância física e utilizar máscaras. Os festivais e os eventos ao ar livre com acesso gratuito devem se limitar a 15 pessoas a cada 10 metros quadrados. O Estado de Illinois, onde fica Chicago, espera reabrir completamente até 4 de julho. O Texas, com 29 milhões de habitantes, abriu totalmente em 10 de março, e a Flórida suspendeu na semana passada todas as ordens de restrição impostas pela pandemia. Os comércios deverão adotar suas próprias medidas.

Nova York: tudo aberto, menos os teatros da Broadway

Com a única exceção da Broadway, que só subirá as cortinas dos seus palcos em 14 de setembro, a cidade de Nova York recuperará a plena atividade a partir de 19 de maio. Dois dias antes, está previsto que o metrô volte a funcionar 24 horas por dia, depois de um ano fechado de madrugada para trabalhos de limpeza e desinfecção. O retorno à normalidade é extensivo ao Estado de Nova York e aos vizinhos Nova Jersey e Connecticut, o triângulo que em março de 2020 constituiu o epicentro da pandemia. A demora na reabertura dos teatros da Broadway se deve à dificuldade envolvida no desenho e montagem de produções, assim como a provisão das medidas de segurança necessárias nas salas.

Restaurantes, escritórios, lojas, museus, barbearias, parques de diversões, academias de ginástica e instalações esportivas poderão funcionar a pleno vapor pela primeira vez em 14 meses. É verdade que os estabelecimentos deverão procurar que se mantenha a distância de segurança, assim como evitar multidões, a não ser que exijam um certificado de vacinação ―os imunizados recebem uma caderneta ou algum outro documento― ou um exame negativo de coronavírus, anunciou nesta semana o governador de Nova York, Andrew Cuomo. Os restaurantes deverão continuar mantendo a distância de segurança de seis pés (1,8 metro) mediante barreiras ou biombos entre as mesas.

Mais de um terço da população adulta de Nova York, Nova Jersey e Connecticut já está totalmente vacinado. Porém, a cidade dos arranha-céus está qualificada como “de altíssimo risco” devido à prevalência do vírus em áreas com baixas taxas de vacinação, somada à desaceleração do processo e à existência de novas variantes.

Restrições brandas em Los Angeles

Na semana passada, milhões de californianos receberam em seus celulares um alerta de emergência. “A cidade de Los Angeles agora oferece a vacina contra covid-19 sem hora marcada para todos os maiores de 16 anos”, dizia a mensagem. Até o momento, 48% dos californianos, quase 19 milhões de pessoas, já receberam pelo menos a primeira dose de imunização. Isto, junto a uma sólida redução nas mortes e internações, levou o Estado mais povoado do país a pisar no acelerador rumo à meta da reabertura total, marcada para 15 de junho. No futuro se vislumbra um retorno a algo semelhante à vida pré-pandêmica, mas com a máscara mantendo-se como um acessório obrigatório pelo menos até o verão.

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Los Angeles passou no último dia 6 ao degrau mais brando das restrições pela pandemia. A maioria dos estabelecimentos comerciais está aberta com algumas restrições de horário e capacidade. Os restaurantes permitem uma ocupação de 75% se todos os comensais apresentarem exames negativos ou caderneta de vacinação. Os bares precisam se conformar com 37,5% da clientela. Pontos famosos também voltaram à vida: a Disneylândia reabriu suas portas em 30 de abril, após 13 meses fechada, o período mais longo em seus 65 anos de história. O parque, localizado no condado de Anaheim, funcionará com apenas 25% da capacidade de público nas próximas semanas.

Em geral, a cidade do entretenimento começa a recuperar sua atarefada agenda. Os Lakers, os Clippers e demais equipes esportivas profissionais já atuam diante de alguns torcedores desde meados de abril. Os Dodgers, time mais amado do beisebol local, adaptou áreas exclusivas do seu estádio para pessoas vacinadas. Os 500 assentos, de 15.000 espectadores possíveis durante a pandemia, foram rapidamente vendidos, mostrando o futuro possível se o ritmo de vacinação continuar sendo veloz e a taxa de positividade dos exames se mantiver em torno de 0,9%. A carreira política do governador democrata, Gavin Newsom, depende da reabertura. Em novembro, ele disputa o cargo em eleições especiais onde os californianos darão nota à sua gestão da pandemia e ao retorno à normalidade.

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