Pandemia de coronavírusColuna
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O coronavírus é o grito desesperado da Terra ferida

A pandemia serviu como um alerta a toda a humanidade. É como se nos alertasse de que a Terra não é infinita e que ao desrespeitá-la ela se vingará cada dia mais de nós e de nossa cegueira

Tercio Galdino, 66, e sua mulher Aliceia, 65, usam "roupas espaciais" de proteção enquanto passeiam por Copacabana.
Tercio Galdino, 66, e sua mulher Aliceia, 65, usam "roupas espaciais" de proteção enquanto passeiam por Copacabana.RICARDO MORAES / Reuters

O coronavírus que está atormentando a humanidade pode ser o grito desesperado da Terra ferida e maltratada. Pode ser o duro preço a ser pago pelo desprezo de nosso planeta que nos abriga e que estamos destruindo com nosso modo de vida predatório. E não é este colunista que afirma tal coisa. São os grandes cientistas e especialistas que estão dando o alarme.

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A verdade é que estamos sofrendo uma das pandemias mais assustadoras da história. Talvez já tenha existido no passado epidemias com maior número de vítimas mortais, mas dessa vez se trata de um vírus dos mais desconcertantes e difíceis de se analisar. E os prognósticos dos especialistas são aterradores.

A cada dia que passa os cientistas nos assustam mais. Dizem que a pandemia só começou, que outros vírus piores surgem no horizonte e que sequer se sabe tudo sobre o coronavírus. E mais, se atemoriza os já curados dizendo que podem ficar com sequelas graves físicas e psíquicas para sempre. Algo mais? Sim, a incerteza das vacinas, já que existe o temor que dada a rapidez com que o coronavírus muta, as vacinas podem chegar tarde. E como se não fosse o suficiente, o fato de que nem mesmo a OMS ainda tem certeza absoluta de como o vírus se transmite. Ainda estamos às escuras em muitas coisas. Talvez o único certo seja que o vírus parece transmitir-se principalmente na aglomeração das pessoas e em ambientes fechados.

O que fica mais claro é que a humanidade que parecia até estar vencendo a morte com a força da medicina acabou ajoelhada diante de um vírus do que desconhecemos com certeza como apareceu e quanto ainda pode se modificar. Em dezenas de artigos, nesse mesmo jornal, os especialistas se perguntaram como nossas vidas poderão mudar após a pandemia e quais novidades trará às novas gerações. Uma coisa, entretanto, parece cada vez mais clara e é o fato de que o coronavírus serviu como um alerta a toda a humanidade. É como se nos alertasse de que a Terra não é infinita e que ao desrespeitá-la ela se vingará cada dia mais de nós e de nossa cegueira.

A água e o ar que respiramos, o consumismo desenfreado que inunda a terra de resíduos tóxicos e os alimentos que consumimos não são infinitos. O genocídio de animais e plantas irá nos cobrar uma conta cada dia mais alta e o pequeno planeta logo pode se tornar inabitável.

Se o simples coronavírus está colocando de joelhos os cinco continentes parando a economia e semeando dor e morte não é difícil imaginar o que a humanidade pode esperar. Essa pandemia está revelando à ciência, à medicina, à filosofia e à própria religião que o amanhã poderá ser trágico para todo, ricos e pobres. É a própria natureza com as incógnitas que está criando e nunca haviam desconcertado tanto a ciência e a medicina, que está nos ensinando que de nada adianta esconder a realidade. Os recursos do planeta não são infinitos e gritam e ameaçam nos sepultar se continuarmos nessa louca e desenfreada corrida ao consumo. E as consequências graves da destruição da terra não serão para amanhã. A cada dia que passa, cada nova tragédia natural, é como uma chamada de atenção que nos alerta de que o fim do Planeta Terra pode estar próximo.

Vamos olhar nos olhos das crianças e nos perguntar se queremos deixar-lhes de herança um planeta destroçado, violentado e envergonhado sobre cujos escombros continuamos fechando os olhos em vez de começar já hoje, porque amanhã pode ser tarde demais, a mudar nossos hábitos de vida.

O coronavírus que está afetando toda a humanidade ao mesmo tempo e que pegou de surpresa a ciência e a medicina não é só mais uma gripe como os imbecis continuam falando. Hoje a política, a ciência, a economia e as próprias religiões são responsáveis pelas ameaças globais que nos espreitam. Esconder a cabeça debaixo da asa é condenar as crianças que são a esperança de um planeta reconciliado consigo mesmo. E abandoná-las a um destino de morte certa por nosso egoísmo de hoje é um genocídio não só do futuro como do presente.

Dessa pandemia, da qual já não restam dúvidas de que é diferente, desconcertante e que pode ser um alarme de algo pior, ou sairemos dela reconciliados com a humanidade pedindo perdão à Mãe Terra por nossas contínuas violências e jurando mudar os hábitos perversos de destruição e hipoteca do futuro e até de nosso presente, ou estaremos caminhando a um novo dilúvio bíblico.

Muito pessimismo? Não, porque acho que a capacidade do ser humano de resgatar a vida e a natureza antes de ser tarde demais é tão grande ou maior que sua força de destruição e niilismo. É só tomar consciência se queremos continuar apostando pela destruição ou pelo resgate universal da vida. Uma vida que será mais feliz à medida que a libertarmos do supérfluo e inútil que ameaçam nos afogar.

A salvação é apostar pelo essencial da vida, para dar mais importância ao intangível do que o tangível resumido no sábio adágio de que “menos é mais”. A pobreza, a miséria, as abomináveis desigualdades sociais deixariam de existir sem a ganância de uns poucos decididos a monopolizar o que não seriam capazes de consumir mesmo que o destino os fizesse imortais, o que não são.

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