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Nefasta gestão

Estratégia de Bolsonaro em relação à pandemia está causando vítimas desnecessárias

O presidente Jair Bolsonaro.
O presidente Jair Bolsonaro.Joédson Alves (EFE)
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AME9264. BRASILIA (BRASIL), 28/06/2020.- Varias personas participan en las instalación de centenares de cruces como homenaje a las víctimas de covid-19 este domingo, en la Explanada de los Ministerios de Brasil, en Brasilia (Brasil). El homenaje hace parte de la manifestación nacional convocada para este domingo en contra del presidente brasileño Jair Bolsonaro. Tras cuatro meses desde el primer caso, Brasil acumulaba hasta este sábado 57.070 muertes y 1.313.667 casos por la pandemia, que lo confirman cono el segundo país con más víctimas y contagios de coronavirus en el mundo después de Estados Unidos. EFE/ Myke Sena
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A gestão de um episódio tão nocivo e de graves consequências sociais e econômicas como a covid-19 revelou ser uma tarefa complicadíssima para todos os Governos do mundo. A maior parte da comunidade internacional optou por medidas drásticas ―fundamentalmente o confinamento― para achatar a curva de contágios e mortes. Enquanto isso, outros Executivos, entre os quais se destacou em certo momento o do Reino Unido, escolheram uma atitude mais frouxa à espera de resultados. Também se viu como alguns Governos ―o Reino Unido volta a ser o exemplo― mudaram de estratégia quando ficou demonstrado que a utilizada não era eficaz. Por isso, é particularmente desconcertante a obstinação do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em minimizar o impacto de uma doença sobre a qual já não há dúvidas quanto ao seu custo, tanto em vidas como em termos econômicos. E o mesmo acontece com sua atitude de atacar e ridicularizar quem, com razão, adverte para o perigo e pede uma mudança de atitude.

Bolsonaro é um dos políticos mais negacionistas do mundo em relação à covid-19, e o Brasil ocupa a segunda posição em mortes em nível global, com mais de 67.000 óbitos confirmados. O outro grande negacionista é Donald Trump, e os EUA ostentam o triste recorde de mortos e contágios. O presidente brasileiro, além disso, evita constantemente os dados objetivos. Também é algo que ocorreu em outras latitudes antes que a doença chegasse ao Brasil. E a isso somou o hábito de se burlar dos estudos científicos e das instituições que os sustentavam. Como sinal disso, o Brasil está há mais de 50 dias sem ministro da Saúde. Entre abril e maio, dois titulares dessa pasta se demitiram sucessivamente por seu total desacordo com a atitude de Bolsonaro.

E, com este permanente desprezo governista por medidas mínimas de prudência, o próprio mandatário brasileiro anunciou ter contraído o novo coronavírus. Uma péssima notícia tanto do ponto de vista humano como institucional. Se, lamentável e indesejavelmente, a saúde de Bolsonaro piorar, será alterada tanto a ação do Governo brasileiro como a própria chefia do Estado num momento crítico em que o Brasil necessita urgentemente conter a pandemia, mitigar seus efeitos sociais e econômicos e encarar sua recuperação.

Sem necessidade de ser ele próprio vítima do contágio, Bolsonaro (65 anos), que continua afirmando que a doença não é tão grave e afeta sobretudo os idosos, deveria ter compreendido já há bastante tempo que sua gestão da pandemia é nefasta, que sua estratégia está causando um alto número de vítimas desnecessárias e provocando, além disso, um grave dano interno e externo ao país que preside. E tampouco parece ter compreendido que nunca é tarde para se corrigir.


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