O Brasil e sua engenharia da indiferença

O principal esforço até agora não consistiu em se mobilizar para evitar as mortes durante a pandemia, mas em banalizá-las

Ativistas colocam cruzes na Esplanada dos Ministérios em homenagem aos mortos pelo coronavírus no dia 29 de junho.
Ativistas colocam cruzes na Esplanada dos Ministérios em homenagem aos mortos pelo coronavírus no dia 29 de junho.Myke Sena / EFE

Talvez fosse o caso de começar lembrando que a substância ética de um povo é definida através da maneira com que ele lida com a morte. Este é um tema maior presente entre os gregos, a saber, como uma sociedade se destrói a partir do momento em que ela não dá aos mortos o direito ao luto. Pois o luto mobiliza questões vinculadas à memória, à universalidade, ao reconhecimento, à suspensão do tempo e ao intolerável. Se uma das maiores tragédias que o...

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