Duterte anuncia que abandonará a política quando concluir seu mandato nas Filipinas

Mandatário que travou guerra às drogas no país renuncia a disputar as eleições de 2022 como candidato a vice-presidente, cargo que havia postulado diante da impossibilidade legal de buscar a reeleição

Agências
Manila / Bangcoc -
O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, neste sábado, em Manila.
O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, neste sábado, em Manila.LISA MARIE DAVID (Reuters)

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, anunciou neste sábado que não concorrerá a vice-presidente nas eleições de 2022 e que deixará a política assim que concluir seu mandato. Duterte tornou pública sua inesperada decisão após acompanhar o senador Christopher Bong Go, um dos políticos mais próximos dele, à Comissão Eleitoral para que Bong Go formalizasse sua candidatura à vice-presidência em substituição ao próprio Duterte, que havia anunciado sua candidatura a esse cargo semanas atrás. “O sentimento esmagador dos filipinos é que eu não estou qualificado e seria uma violação da Constituição passar por cima da lei, do espírito da Constituição”, disse Duterte, 76 anos, em um breve discurso. “Hoje, anuncio minha aposentadoria da vida política”, acrescentou.

Duterte havia aceitado publicamente no início de setembro a proposta de seu partido, o PDP-Laban, de se candidatar à vice-presidência nas eleições marcadas para maio de 2022, dada a impossibilidade legal de concorrer a novo mandato. Uma decisão que alguns analistas interpretaram como uma forma de tentar se proteger da justiça, depois que no último dia 15 de setembro o Tribunal Penal Internacional (TPI) deu luz verde para investigar a guerra às drogas iniciada por ele após sua chegada ao poder. O primeiro anúncio do presidente provocou a ira de seus opositores, que argumentaram que sua candidatura a vice-presidente ia contra o espírito da Constituição de 1987, aprovada após a ditadura de Ferndinand Marcos.

“Eu encararia esse anúncio com muita cautela”, disse Carlos Conde, investigador da Human Rights Watch nas Filipinas, à Reuters. “Mas, supondo que ele realmente se aposente, isso não significa que não obterá a proteção ante o TPI, que tanto deseja”.

A guerra às drogas, que já causou milhares de mortos em batidas policiais contra supostos traficantes e viciados em drogas, é o legado mais sangrento deixado pela presidência de Duterte, um dirigente que já protagonizou inúmeras polêmicas e fortes rompantes desde que assumiu o cargo, em 2016.

A Comissão Eleitoral começou na sexta-feira a cadastrar os candidatos para participar das próximas eleições, nas quais serão eleitos o novo presidente —para um único mandato de seis anos—, o vice-presidente —cargo praticamente cerimonial—, vários senadores e outros cargos menores.

O ex-boxeador filipino Manny Pacquiao foi o primeiro a formalizar sua candidatura à chefia do Estado, que também deverá ser disputada pelo ator que se tornou o político Francisco Domagoso, atual prefeito de Manila, e o ex-chefe da Polícia Panfilo Lacson. No momento, Sara Duterte-Carpio, filha do atual presidente, não tornou públicas sua intenção de concorrer à presidência, embora tenha rejeitado anteriormente que formaria uma chapa com seu pai.

De acordo com as pesquisas da agência Asia-Pulse, Duterte-Carpio é a política que agrega mais apoio se finalmente se candidatar ao cargo. A decisão de seu pai abre caminho para a atual prefeita de Davado, que até agora se recusava a concorrer à presidência justamente porque seu pai estava pensando em disputar a vice-presidência.

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