Pequim acusa a OTAN de exagerar a “teoria de ameaça da China”

Governo chinês acusa a Aliança de criar “confrontos artificiais” um dia após a organização situar o gigante chinês como um “desafio sistêmico” à segurança mundial

O presidente Xi Jinping, em um discurso para comemorar o 70º aniversario da entrada do exército chinês na Coreia do Norte, em 3 de outubro de 2020.
O presidente Xi Jinping, em um discurso para comemorar o 70º aniversario da entrada do exército chinês na Coreia do Norte, em 3 de outubro de 2020.Andy Wong (AP)
Agencias
Bruxelas -
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Brussels (Belgium), 14/06/2021.- NATO Secretary General Jens Stoltenberg gives a press conference with Spain's Prime Minister (unseen) during a NATO summit at the North Atlantic Treaty Organization (NATO) headquarters in Brussels, Belgium, 14 June 2021. Leaders of NATO countries warned Russia on June 14, 2021, that there could be no return to normal relations between Moscow and the military alliance until it complies with international law, and that China's increasingly aggressive behaviour, including cyber warfare and building nuclear warheads, poses "systemic challenges" to international law and security. (Bélgica, Rusia, España, Bruselas, Moscú) EFE/EPA/KENZO TRIBOUILLARD / POOL
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Pequim exigiu nesta terça-feira que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) “pare de exagerar a teoria da ameaça chinesa”, depois que os líderes da Aliança Atlântica expressaram sua preocupação, um dia antes, sobre o que chamaram de as “políticas coercitivas” do país asiático e o apontaram como um desafio global à segurança. “Exigimos da OTAN racionalidade na avaliação do desenvolvimento da China e pare de exagerar a teoria da ameaça chinesa. Eles não devem usar nossos interesses e direitos legítimos como desculpa para manipular e criar confrontos artificiais “, disse um porta-voz da Missão Chinesa na União Europeia (UE), em um comunicado.

Os líderes da OTAN assumiram uma postura mais dura em relação a Pequim na segunda-feira, em uma declaração assinada por unanimidade, nesta que é a primeira cúpula com o novo presidente dos EUA, Joe Biden, com a Aliança. “As ambições declaradas e o comportamento assertivo da China apresentam desafios sistêmicos às regras da ordem internacional e em áreas relevantes para a segurança da aliança”, afirmaram os 30 líderes do bloco ocidental, durante o encontro que acontece em Bruxelas.

Já o presidente dos EUA pediu aos seus homólogos da OTAN que reajam ao que chamou de “autoritarismo” e ao crescente poderio militar da China, colocando o gigante asiático no centro das prioridades do bloco. Por sua vez, o secretário-geral da Aliança, o norueguês Jens Stoltenberg, indicou que “todos reconheceram que a China está aumentando suas capacidades militares e que continua com seu comportamento coercitivo.” O secretário-geral da OTAN também apontou que o Governo chinês está “expandindo rapidamente seu arsenal nuclear” e classificou como “opaca” a forma como Pequim expõe ao mundo seu real arsenal.

Em nota, o Governo chinês define essas declarações como “calúnias”, cujo objetivo é, na opinião de Pequim, “atacar o desenvolvimento pacífico da China.” Pequim ainda afirma, no comunicado, que “a OTAN continua a manter uma mentalidade típica da Guerra Fria”. “Instamos essa organização a seguir o caminho do diálogo e da cooperação e a tomar medidas que levem à estabilidade internacional”, continua o comunicado. “As políticas de defesa da China são legítimas e transparentes”, diz Pequim, que garante que o orçamento da OTAN seja muito maior do que o da China.

Mais armas nucleares

No primeiro dia de encontro dos líderes do bloco em Bruxelas, a OTAN acusou a expansão do arsenal nuclear de Pequim, “com mais ogivas e um maior número de sistemas sofisticados para estabelecer uma tríade nuclear”, ou seja, a divisão do arsenal atômico de um país em mísseis terrestres, projéteis e foguetes estratégicos, além de submarinos nucleares.

“O número de armas nucleares da China não atinge a magnitude disponível para os países da OTAN e, além disso, a China sempre defendeu não disparar primeiro este tipo de arma em nenhuma circunstância. Se a OTAN está tão empenhada na ‘paz, segurança e estabilidade’, será que pode chegar a um compromisso deste tipo, como o fez a China?“, rebateu Pequim. “Vamos prestar atenção especial aos ajustes estratégicos da OTAN. A China não representa um desafio sistêmico para ninguém, mas se alguém quiser nos impor, não ficaremos indiferentes“, acrescenta.

No comunicado, o Governo chinês lembrou ainda “a tragédia histórica” provocada por um bombardeio da OTAN contra a Embaixada da China na extinta Iugoslávia, o que causou a morte de três jornalistas chineses, em maio de 1999. “Nunca o esqueceremos”, acrescentou. A nota oficial de Pequim conclui afirmando: “A China sempre defenderá sua soberania.”

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