Conflito árabe-israelense

Biden defende cessar-fogo em Gaza em conversa com Netanyahu

Primeiro-ministro israelense adverte que completará seu objetivos contra o Hamas antes de qualquer trégua

Joe Biden na Casa Branca nesta segunda-feira.
Joe Biden na Casa Branca nesta segunda-feira.NICHOLAS KAMM / AFP

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A escalada da violência na Faixa de Gaza está forçando Joe Biden a se envolver cada vez mais em um conflito que pretendia deixar em segundo plano em seu mandato. O presidente dos Estados Unidos conversou nesta segunda-feira por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e expressou seu “apoio ao cessar-fogo”, segundo o resumo da ligação fornecido pela Casa Branca, algo que ele não havia feito até agora, ao menos pública e explicitamente, mas que está longe de ser uma exortação para que a ofensiva seja finalizada imediatamente.

Desde o início das hostilidades na semana passada, o democrata tem destacado o direito de Israel de se defender dos ataques terroristas do Hamas, uma linha da qual ele não se moveu, apesar da pressão do flanco esquerdo de seu próprio partido. Biden também reiterou o direito de defesa de Israel contra “ataques indiscriminados de foguetes” na conversa desta segunda-feira, mas levantou a necessidade de um cessar-fogo e do envolvimento dos Estados Unidos e do Egito para facilitar esse objetivo.

Não parece fácil, Netanyahu avisou Biden naquela mesma conversa que está determinado a cumprir os objetivos da ofensiva na Faixa de Gaza antes de aceitar essa trégua, relata Juan Carlos Sanz de Jerusalém. Essa escalada bélica, a mais séria na área em 14 anos, começou na tarde de segunda-feira passada, após o lançamento de foguetes do Hamas contra Jerusalém, e já custou a vida de pelo menos 204 pessoas em Gaza (incluindo 58 crianças e 34 mulheres), deixando imagens sangrentas que causaram estupor na comunidade internacional.

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Biden pediu a Netanyahu que “faça todos os esforços para garantir a proteção dos civis inocentes”, de acordo com a Casa Branca, que algumas horas antes informara que Washington estava realizando um trabalho diplomático “intenso e silencioso” em face dessa irrupção no conflito. Para o democrata, essa crise é uma dor de cabeça. Determinado a situar a rivalidade com a China no centro de suas prioridades geopolíticas, ele pretendia evitar o máximo possível o barril de pólvora do Oriente Médio, rompendo, assim, com a política do Governo Donald Trump e insistindo na solução dos dois Estados.

Pela manhã, durante sua visita oficial a Copenhague, o chefe da Diplomacia dos EUA, Antony Blinken, reiterou o apoio de Washington a seu estreito aliado: “Israel tem o direito de se defender, não pode ser equiparado a um grupo terrorista como o Hamas, mas como democracia tem a carga [responsabilidade] adicional de fazer todo o possível para evitar vítimas civis”, declarou. Ele também instou o Hamas a interromper “de imediato” o lançamento de mísseis no território israelense.

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