O que você precisa saber antes de viajar para se vacinar nos EUA?

Alguns Estados norte-americanos começaram a administrar as vacinas anticovid da Moderna, Pfizer e Johnson & Johnson a turistas e outros residentes

Funcionária da Aeroméxico recebe uma vacina da Pfizer no Aeroporto Internacional de Miami, em maio de 2021.
Funcionária da Aeroméxico recebe uma vacina da Pfizer no Aeroporto Internacional de Miami, em maio de 2021.JOE RAEDLE (AFP)

Aviso aos leitores: o EL PAÍS mantém abertas as informações essenciais sobre o coronavírus durante a crise. Se você quer apoiar nosso jornalismo, clique aqui para assinar.

Ainda enfrentando os efeitos de uma pandemia que já matou mais de 3,3 milhões de pessoas no mundo inteiro, os países da América Latina estão vendo os Estados Unidos como um oásis em relação às suas próprias campanhas de vacinação, marcadas pela lentidão e a incerteza. Diante de tantas dúvidas e espera, muitos latino-americanos começaram a viajar aos EUA com o único objetivo de receber uma ou mais doses do imunizante, uma modalidade de turismo vacinal que só é possível porque alguns Estados norte-americanos, com excesso de vacinas, estão inoculando também não residentes, independentemente do seu status migratório.

Mais informações
People are screened as they wait in line outdoors to be inoculated with a COVID-19 vaccine at Clinica Monseñor Oscar A. Romero in Los Angeles, Wednesday, April 21, 2021. California Gov. Gavin Newsom says nearly half of Californians eligible for vaccination have received at least one shot against the coronavirus.  (AP Photo/Damian Dovarganes)
Passagem aérea de ida e volta, alojamento e “hora marcada para vacinação” no turismo vacinal dos EUA
FILE - In this Tuesday, April 20, 2021, file photo, a man wearing a cannabis costume hands out marijuana cigarettes in New York during a "Joints for Jabs" event, where adults who showed their COVID-19 vaccination cards received a free joint. Free beer, pot and doughnuts. Savings bonds. A raffle ticket for a snowmobile. Places around the U.S. are offering incentives to try to energize the nation’s slowing vaccination drive and get reluctant Americans to roll up their sleeves.  (AP Photo/Mark Lennihan, File)
‘Donuts’, cervejas e maconha grátis para incentivar a vacinação nos Estados Unidos
(FILES) In this file photo a nurse prepares the Pfizer Covid-19 vaccine a public housing project pop-up site targeting vulnerable communities in Los Angeles, California on March 10, 2021. - Pfizer sharply increased its projections for 2021 revenues and profits on May 4, 2021, citing much higher sales from its Covid-19 vaccine sales.The drugmaker now estimates 2021 revenues of $26 billion from the vaccine, up from $15 billion previously and reflecting 1.6 billion doses expected to be delivered this year under contracts signed through mid-April. (Photo by Frederic J. BROWN / AFP)
Quais as consequências da quebra das patentes das vacinas? Entenda a histórica proposta dos EUA

A abertura pública da imunização contra a covid-19 também aos estrangeiros foi implementada pensando em quem já se encontra no país e não tem condições de voltar ao seu local de origem. Porém, essa brecha está permitindo não só que imigrantes ―inclusive os ilegais― sejam vacinados, mas também pessoas recém-chegadas, que entram com visto de turista, embora o objetivo seja tomar a injeção.

Segundo o site Travel Off Path, em alguns Estados dos EUA a oferta é maior que a demanda, por isso os governos locais começaram a distribuir a vacina através de redes de supermercados, como Walmart, Safeway e Costco, onde basta se registrar por telefone ou via internet para marcar hora na loja desejada. Embora essas redes tenham abrangência nacional, nem todos os Estados autorizam a aplicação de vacinas a não residentes. O mesmo ocorre com as redes de drogarias Walgreens e CVS. Esta última recebeu no começo do ano 250.000 doses como parte de uma parceria com o Governo federal.

Segundo o mesmo site, os Estados que estão imunizando sem comprovar residência legal são Arizona, Louisiana, Texas, Alabama, Califórnia, Colorado, Indiana, Iowa, Michigan, Nevada, Novo México, Ohio, Carolina do Sul, Tennessee, Virgínia e Flórida. O Governo de Nova York, que em princípio tinha recebido queixas dos moradores que se opunham a esta medida, também abriu uma lista de postos onde os turistas podem marcar hora para se vacinar. A única condição, em todos os casos, é apresentar um documento provando ter pelo menos 16 anos de idade. Antes de marcar hora, é preciso verificar quais são as vacinas disponíveis em cada Estado, já que em geral são aplicadas as da Moderna, Pfizer (duas doses em ambos os casos) e Johnson & Johnson (dose única).

Apoie a produção de notícias como esta. Assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$

Clique aqui

Texas, Louisiana e Arizona foram os Estados pioneiros em oferecer o excedente de injeções, pois desde o final de março convidaram a população não residente a marcar hora para se vacinar. O Departamento de Saúde Pública do Colorado, além de reiterar que não é necessário ser cidadão nem ter residência legal para obter a vacina gratuita contra a covid-19, informa que não compartilhará dados com finalidades legais ou de imigração.

Como resultado da possibilidade de se inocular dentro dos Estados Unidos, muitas agências de viagem começaram a comercializar pacotes turísticos que incluem a imunização, voos de ida e volta, alojamento, aluguel de carro e seguro de viagem, por preços a partir de 1.000 dólares (5.310 reais), segundo o destino. A vantagem legal, para quem estiver como estrangeiro nos Estados Unidos, é que o tipo de visto B1 e B2, para não imigrantes, não implica que o interessado em se vacinar não possa fazê-lo dentro do país, por isso receber a vacina não é ilegal. No caso dos brasileiros, atualmente eles podem entrar nos EUA desde que cumpram a quarentena em algum país autorizado a viajar aos Estados Unidos como, por exemplo, o México.

Inscreva-se aqui para receber a newsletter diária do EL PAÍS Brasil: reportagens, análises, entrevistas exclusivas e as principais informações do dia no seu e-mail, de segunda a sexta. Inscreva-se também para receber nossa newsletter semanal aos sábados, com os destaques da cobertura na semana.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS