Estados Unidos

Biden impõe duras sanções à Rússia por ciberataques e ingerência nas eleições

As medidas, que visam diretamente o setor russo de espionagem no exterior, chegam em plena escalada da tensão com o Kremlin

Joe Biden, nesta quarta-feira na Casa Branca.
Joe Biden, nesta quarta-feira na Casa Branca.Andrew Harnik / POOL / EFE

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O Governo presidido pelo democrata Joe Biden anunciou nesta quinta-feira uma ampla bateria de sanções contra a Rússia em represália por sua interferência nos interesses dos EUA por meio de espionagem cibernética. Adotadas com uma ordem executiva, as novas medidas dos EUA punirão, entre outras questões, a ingerência russa nas eleições presidenciais de 2020 e o recente ataque cibernético à empresa SolarWinds, mas também a suposta oferta da Rússia ao Taleban para que atacasse tropas norte-americanas no Afeganistão. O Departamento do Tesouro emitiu ainda uma diretriz que proíbe as instituições financeiras dos EUA de comprar dívida pública do banco central russo a partir de junho.

As sanções do Tesouro dos EUA, que visam a linha de ação da economia russa, afetam 16 entidades e 16 indivíduos e incluem a expulsão de uma dezena de funcionários da Embaixada russa em Washington, incluindo funcionários de inteligência, por “tentativas dirigidas pelo Governo Russo para influenciar as eleições presidenciais dos EUA em 2020 e outros atos de desinformação e interferência”.

Especificamente, a Casa Branca acusa formalmente o Serviço de Espionagem Estrangeira da Rússia (SVR) de ter perpetrado o ataque cibernético em grande escala que começou em 2019 e penetrou os sistemas informáticos da Administração dos Estados Unidos e de grandes empresas por meio de um programa da SolarWinds. As especulações sobre quem foi o responsável pela invasão permaneciam no terreno das suspeitas, mas agora, pela primeira vez, Washington diz que está “totalmente certo” da ação do SVR.

Entre os indivíduos envolvidos está um peso-pesado do Kremlin, Alexei Gromov, membro da Administração Presidencial. “Putin alimentou uma rede de fiéis que, por meio de seus negócios ilícitos, contribuíram com ações para minar as eleições de 2020 e dar à Rússia uma cobertura plausível em sua campanha de desinformação. Esta rede inclui o primeiro vice-chefe de pessoal da Administração Presidencial, Alexei Gromov”, explica o comunicado do Tesouro.

As medidas duras chegam após uma conversa por telefone entre Biden e o presidente russo, Vladimir Putin, na terça-feira. O democrata avisou Putin que “agirá com firmeza” na defesa dos seus interesses nacionais e propôs um encontro em um terceiro país, algo que, diante da bateria de sanções, está por um fio.

O telefonema foi o segundo tornado público desde que Biden assumiu o poder, em 20 de janeiro. O presidente dos EUA também demandou do líder russo que “diminua as tensões” com a Ucrânia e expressou sua “preocupação” com a mobilização militar russa na fronteira com aquele país.

No comunicado da Casa Branca anunciando a imposição de sanções, os EUA também acusam a Rússia, em uma referência que parece apontar diretamente para a crise no leste da Ucrânia, de “solapar a segurança em países e regiões importantes para a segurança nacional dos Estados Unidos e violar princípios bem estabelecidos do direito internacional, incluindo o respeito pela integridade territorial dos Estados, o que constitui uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos”.

Junto com o Reino Unido, Austrália, Canadá e União Europeia, Washington também pune oito pessoas e entidades na órbita do Kremlin pela ocupação da península da Crimeia em 2014. “A comunidade transatlântica se mantém unida para apoiar a Ucrânia contra as provocações russas unilaterais ao longo da Linha de Contato no leste da Ucrânia”, diz o comunicado.

Um recente relatório não classificado de espionagem dos EUA afirma que Putin autorizou campanhas de lobby com o objetivo de prejudicar a candidatura de Biden durante as eleições de 2020 e dar impulso à do republicano Donald Trump, de acordo com a CBS. “Um elemento-chave da estratégia de Moscou nesse ciclo eleitoral foi o uso de representantes ligados à inteligência russa para divulgar narrativas de influência, incluindo acusações enganosas ou infundadas contra o presidente Biden”, segundo o relatório divulgado pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional.

No ano passado, investigadores de segurança cibernética dos EUA identificaram um hackeamento de um programa de computador chamado SolarWinds, uma intrusão que deu aos piratas acesso a 18.000 redes de computadores privados e governamentais. O serviço de inteligência dos EUA identificou hackers na Rússia como responsáveis pelo ataque, os quais obtiveram acesso a arquivos digitais de várias agências do Governo dos EUA, incluindo os Departamentos do Tesouro, Justiça e Estado. O Tesouro também sanciona seis empresas russas de tecnologia, associadas aos serviços de inteligência, por suas “atividades nocivas”.

Biden ordenou em seu primeiro dia de mandato a revisão das relações com a Rússia, inicialmente contra altos funcionários russos pelo envenenamento do líder oposicionista Alexei Navalny. Biden aumentou a tensão ao responder afirmativamente, em entrevista à televisão, a uma pergunta sobre se Putin é um assassino, em referência à tentativa de acabar com o dissidente. Na lista de denúncias que respaldam as sanções anunciadas nesta quinta-feira, a Casa Branca inclui “a realização de atividades extraterritoriais dirigidas a dissidentes ou jornalistas”.

Entre “as ações que o Governo russo empreendeu contra nossa soberania e interesses”, indica a Casa Branca, está a suposta oferta da Rússia ao Talibã para atacar as tropas dos EUA no Afeganistão, revelada no ano passado pelo jornal The New York Times. No entanto, “dada a delicadeza do assunto, que compromete a segurança e o bem-estar de nossos soldados”, serão mantidos abertos os canais diplomáticos e de inteligência para apurar o ocorrido. Nesta semana, o presidente democrata anunciou a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, após 20 anos de presença nesse país.

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