Trump restringe a entrada a trabalhadores estrangeiros alegando impacto da pandemia no emprego

Presidente assina uma ordem executiva que suspende a emissão de determinados vistos, principalmente os de empregos muito qualificados, até o final do ano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um ato.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um ato.Alex Brandon (AP)
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Donald Trump assinou na segunda-feira uma ordem executiva que suspende temporariamente a emissão de determinados vistos de trabalho. Mais de meio milhão de trabalhadores estrangeiros, cuja entrada Trump chama na ordem de “prejudicial aos interesses dos Estados Unidos”, serão afetados. Essa foi a explicação fornecida através de uma sessão por telefone entre jornalistas e membros do alto escalão da Administração, que pediram para manter o anonimato, e que colocaram a medida dentro de uma iniciativa mais ampla de limitar a entrada de trabalhadores estrangeiros enquanto durar o retrocesso econômico causado pela pandemia do coronavírus. 

As restrições afetam os vistos H-1B, programa destinado aos trabalhadores muito qualificados e especializados, e outras categorias. Ficam isentos os trabalhadores sanitários e os do campo. No total, combinada com a suspensão temporária de permissões de residência permanente e green cards assinada por Trump em abril, as suspensões de vistos evitarão que 525.000 imigrantes viajem aos Estados Unidos para trabalhar de hoje até o final do ano, de acordo com os funcionários. 

A ordem diz que “a atual admissão de trabalhadores dentro de várias categorias de vistos para não imigrantes significa um risco de deslocar e colocar em desvantagem os trabalhadores norte-americanos durante a atual recuperação” econômica após a pandemia. No texto da ordem, o presidente procura lançar um sinal aos afro-americanos, em meio à mobilização por justiça racial que percorre o país desde a morte de George Floyd pela polícia há um mês. O excesso na “oferta de trabalhadores”, afirma Trump, “é particularmente danosa aos que estão entre o emprego e o desemprego”. E acrescenta: “Nos anos recentes, esses trabalhadores foram desproporcionalmente representados por grupos historicamente desfavorecidos, incluindo os afro-americanos e outras minorias”. 

A ordem, esperada há semanas, suscitou o repúdio de grupos de empresários, que afirmam que precisam contratar em outros países o talento que não encontram aqui, e de ativistas que denunciam que o presidente, para contentar suas bases em plena campanha eleitoral, volta a atacar os imigrantes por razões de política doméstica. “Com a recuperação da economia, as empresas norte-americanas precisarão de garantias de que podem cobrir todas as suas necessidades do quadro de empregados”, escreveu a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, em uma carta enviada a Trump em maio. “Para isso, é crucial que tenham acesso a talento tanto domesticamente como ao redor do mundo”. 

Em abril Trump assinou outra ordem que suspendia a concessão de green cards durante dois meses. A nova ordem estabelece que “esse período de 60 dias é insuficiente”. Assim, amplia a suspensão até 30 de dezembro e acrescenta restrições a vistos de trabalho. Em abril, após as medidas de confinamento impostas pela pandemia, a taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu a 14,7%, a mais alta desde a Grande Depressão, após chegar a um mínimo histórico de 3,5% em fevereiro. Em maio, entretanto, após o país começar a reabrir, foram criados 2,5 milhões de empregos e o desemprego caiu para 13,3%. 

A categoria de vistos H-1B é muito utilizada no recrutamento de trabalhadores à indústria tecnológica. Empresas como a Apple, Amazon, Facebook e Google pediram nas últimas semanas à Casa Branca que reconsidere seus planos. Os H-2B também são afetados, vistos para trabalhadores de temporada, principalmente na construção e no setor turístico e hoteleiro. A ordem não afeta os imigrantes que já moram e trabalham nos Estados Unidos. 

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