Protestos antirracistas nos EUA

Minneapolis desmantelará sua polícia para reconstruí-la sob novas normas

Trump ordena retirada do Guarda Nacional de Washington

Membros da Guarda Nacional e da DEA (Agência Antidrogas) nas ruas de Washington. Em vídeo, declarações de Lisa Bender, presidenta da Câmara Municipal de Minneapolis, neste domingo. 

06/06/2020 ONLY FOR USE IN SPAIN
Membros da Guarda Nacional e da DEA (Agência Antidrogas) nas ruas de Washington. Em vídeo, declarações de Lisa Bender, presidenta da Câmara Municipal de Minneapolis, neste domingo. 06/06/2020 ONLY FOR USE IN SPAINJay Mallin / EUROPA PRESS

Os gigantescos protestos pela morte de George Floyd por um policial branco nos EUA estão tendo suas consequências. Neste domingo, Lisa Bender, a presidenta da Câmara Municipal de Minneapolis, onde ocorreu a tragédia, anunciou que está comprometida em “desmantelar” a polícia local para “reconstruí-la sob um novo modelo de segurança”. Além disso, o presidente Donald Trump ordenou a retirada da Guarda Nacional das ruas de Washington, a capital.

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Os quase 3.900 reservistas que a Administração federal mobilizou no fim de semana passado, procedentes de 11 dos 50 Estados da União, receberam ordem do presidente para retornar a seus lares. Trump não tinha neste domingo nenhum evento a ser coberto pelos jornalistas que acompanham a Casa Branca, de modo que o anúncio, como era de se esperar, foi feito pelo Twitter. “Acabo de dar a ordem à Guarda Nacional para que comece o processo de retirada de Washington, D.C., agora que tudo está sob perfeito controle. Irão para casa, mas podem voltar rapidamente se precisarmos dele”, advertiu o mandatário.

O presidente comentou, através de sua conta no Twitter, que a participação nas manifestações é cada vez menor. “Ontem à noite se apresentaram muitos menos manifestantes do que o previsto!", proclamou. A jornada de protesto do sábado foi pacífica e maciça, e milhares de pessoas de todas as idades tomaram as ruas de Washington.

Houve apenas duas noites de distúrbios na cidade, mas o presidente sentiu a necessidade de ter pulso firme na capital da nação e inclusive ameaçou mandar tropas do Exército para as cidades dos Estados Unidos que viviam protestos depois da morte sob custódia policial do afro-americano George Floyd. Trump parece inclusive ter conseguido finalmente o muro que tanto desejava, mas em vez de construí-lo na fronteira com o México, no sul do país, o ergueu diante da Casa Branca. Fortificada como nunca antes na história, a adjacente praça Lafayette está agora inacessível porque foi rodeada por uma cerca preta de ferro que impõe muitos metros de distância entre a residência presidencial e os cidadãos.

Junto com a polícia, a Guarda Nacional serve para impor a ordem nos Estados. Formada por reservistas voluntários, fica sob o comando dos respectivos governadores, a menos que seja convocada para proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos em momentos de conflito ou desastre natural. No caso de Washington, onde não há governador, a atribuição de convocá-la é do presidente.

Os cidadãos de Washington não desejavam a presença de veículos armados e reservistas da Guarda Nacional em suas ruas. A própria prefeita da cidade, a afro-americana democrata Muriel Bowser, qualificou a operação imposta por Trump como uma “invasão”.

A morte sob custódia policial de George Floyd numa esquina de Minneapolis desatou algumas noites de fogo e fúria e posteriormente uma resposta popular por todo o país. Uma das primeiras consequências do ocorrido foi o anúncio, neste domingo, de que o departamento de polícia da cidade será desmantelado e reconstruído. “Nós nos comprometemos a desmantelar a polícia tal como a conhecemos na cidade de Minneapolis e a reconstruir com nossa comunidade um novo modelo de segurança pública que realmente mantenha nossa comunidade a salvo”, disse à CNN a presidenta da corporação municipal, Lisa Bender. Neste domingo, o prefeito da cidade, o democrata Jacob Frey, foi a uma mobilização a título pessoal, mas acabou expulso por não querer se comprometer a retirar verbas da polícia.

Como se vê num vídeo publicado no perfil Sana Saeed, redatora do AJ Plus, na rede social Twitter, Frey pede perdão pela tragédia que ocorreu sob sua gestão, promete mudanças estruturais no sindicato da polícia e, quando está mencionando a questão do racismo nas instituições, uma das organizadoras toma o microfone para lhe exigir que se comprometa com a retirada de verbas da polícia local, ameaçando que do contrário não conseguirá se reeleger.

Frey responde que não apoia a “abolição total da polícia”, e a organizadora reage pedindo inflamadamente que deixe o local. O prefeito decide ir embora, enquanto os manifestantes o recriminam ao grito de “vergonha!”, e um dos participantes chega inclusive a atirar um objeto em sua direção, sem alcançá-lo.

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