Caso Odebrecht

Ex-diretor da Pemex é preso na Espanha por envolvimento no caso Odebrecht

Emilio Lozoya, detido em Málaga, é um dos principais acusados de envolvimento no esquema de corrupção da Odebrecht

Emilio Lozoya, diretor da petrolífera estatal mexicana Pemex durante o Governo de Enrique Peña Nieto e um dos principais acusados de envolvimento no esquema de propinas da construtora brasileira Odebrecht, foi preso no início da manhã desta quarta-feira em Málaga, no sul Espanha, confirmaram ao EL PAÍS fontes policiais espanholas. A detenção ocorreu em um condomínio de luxo da capital da Costa do Sol, onde, segundo essas fontes, o ex-executivo vivia em uma casa da qual praticamente não saía. A prisão foi feita por agentes do Grupo de Localização de Fugitivos durante uma dessas poucas saídas. Fontes policiais disseram que ele não resistiu.

A detenção do ex-diretor da Pemex ocorreu a pedido da Procuradoria-Geral mexicana, que emitiu em maio um mandado de prisão internacional contra ele. Lozoya é acusado de fraude em larga escala, corrupção e suborno entre 2012 e 2016. Segundo a documentação enviada à Espanha, o ex-executivo supostamente concedeu contratos públicos em troca de subornos. As autoridades estimam que a fraude foi de 280 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais). Lozoya já tinha sido proibido de ocupar cargos públicos durante 10 anos em seu país.

A detenção de Lozoya é um golpe no coração do Governo anterior do México, presidido por Peña Nieto, de quem Lozoya era um dos homens de confiança. O ex-diretor da Pemex era muito próximo do último chanceler de Peña Nieto, Luis Videgaray, e chegou a ser considerado um dos meninos de ouro do então governante Partido Revolucionário Institucional (PRI).

O caso de Lozoya era diferente de outros ocorridos durante o Governo de seis anos de Peña Nieto, marcado por casos de corrupção, na medida em que significava que o escândalo da Odebrecht começava a alcançar o México, que até então não tinha sido afetado pela tempestade que sacudiu outros países da América Latina. No caso de Lozoya, três ex-diretores da construtora brasileira afirmaram que ele recebeu mais de 10 milhões de dólares (43,5 milhões de reais) em propinas entre 2012 e 2016 para ajudar na assinatura de contratos.

As delações correspondem a funcionários da construtora −Luis Alberto de Meneses, Luiz Mameri e Hilberto Silva− que aceitaram colaborar com a Justiça para obter benefícios em suas penas. Em uma reconstituição feita com base no depoimento juramentado dos três acusados pela Justiça brasileira e em dezenas de documentos −cópias de transferências eletrônicas, ordens de pagamento bancário, vídeos−, constatou-se que o nome de Lozoya aparece vinculado a diversas operações.

Os documentos e depoimentos apontaram que Lozoya solicitou e recebeu 4,1 milhões de dólares (17,8 milhões de reais) entre abril e novembro de 2012, ou seja, durante e após a campanha para a eleição presidencial mexicana daquele ano. Segundo o material, os funcionários da Odebrecht disseram que esse pagamento era uma maneira de garantir o favorecimento de alguém que naquela época se consolidava por sua proximidade com Peña Nieto. Lozoya participou da área internacional da campanha do candidato do PRI. Lozoya declarou várias vezes que não havia provas contra ele. “Nego categoricamente minha participação nesses fatos”, insistiu, depois da divulgação das acusações de suborno.

O paradeiro de Lozoya era um mistério, a ponto de começar a afetar o Governo do atual presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, bastante criticado por não ter feito nada para que as investigações contra Loyola avançassem. “Se estão foragidos, as autoridades competentes vão tentar prendê-los, essa é uma função da Procuradoria-Geral”, afirmou López Obrador no ano passado. “Não tenho problemas de consciência nem neste nem em outros casos, porque não protejo ninguém. Quando se tratar de um ato de corrupção, não protegerei nem a minha família, já disse isso. Não permitimos a corrupção nem a impunidade, não vamos acobertar ninguém e a presidência da república não autorizará negócios ilícitos”, acrescentou, durante uma de suas entrevistas coletivas matinais, na qual se defendeu das críticas. “O que não se pode dizer é que eles não são presos porque nós os protegemos. Isso não, isso é uma vil mentira! Se pensam que existe a mesma impunidade de sempre, não, as coisas agora são diferentes, não permitiremos a impunidade em nenhum caso.”

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