O vírus chinês

Identificado o primeiro infectado nos EUA pelo coronavírus de Wuhan

A pessoa afetada viajou recentemente para Wuhan (China), o epicentro do surto ocorrido em dezembro passado, com mais de 270 casos registrados

Um grupo de viajantes usa máscaras na Estação Ferroviária Oeste de Pequim nesta terça-feira.
Um grupo de viajantes usa máscaras na Estação Ferroviária Oeste de Pequim nesta terça-feira.Mark Schiefelbein / AP

O novo vírus de Wuhan, que já deixou seis mortos na China e centenas de pessoas afetadas, atravessou o Pacífico. Um homem de 30 anos que viajou para a região chinesa foi diagnosticado com o vírus na semana passada em Seattle, no Estado de Washington, como confirmado na terça-feira pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), enquanto todo o país estava de olho na televisão para acompanhar o impeachment contra Donald Trump no Senado.

O vírus de Wuhan é um novo coronavírus chamado 2019-nCov, que é transmitido entre humanos e causa doenças respiratórias. Foi detectado pela primeira vez há menos de um mês. A partir desta cidade, localizada na área central do território chinês e onde vivem 11 milhões de pessoas ―mais do que Londres ou Nova York―, o patógeno começou a se espalhar pelas províncias vizinhas. Na última sexta-feira, por exemplo, não havia resultados positivos por ali, mas agora existem 38 casos espalhados por 15 outras grandes cidades chinesas e saltou para quatro o número de países do sudeste asiático afetados.

O paciente de Seattle, cuja identidade é desconhecida no momento, está internado no Everett Regional Medical Center, capital do condado de Snohomish (Washington). Seu quadro é estável, responde ao tratamento e não é considerado sob risco. O CDC também explicou que o paciente não apresentava sintomas quando desembarcou em 15 de janeiro nos Estados Unidos. Ele foi ao médico no domingo passado e foi hospitalizado por pneumonia.

O paciente não visitou nenhum dos mercados de Wuhan, onde foram confirmados vários dos afetados pelo vírus, mas estava na região, disse Nancy Messonnier, diretora do departamento de doenças respiratórias do CDC. As autoridades estão procurando todas as pessoas que estiveram em contato com o paciente recentemente, explicou Messonnier. Eles não esperam por mais casos.

Desde a última sexta-feira, 17, o CDC impôs controles especiais para monitorar a possível entrada do vírus no país nos aeroportos mais movimentados da costa oeste: San Francisco, Los Angeles e Nova York. São os três aeroportos com mais passageiros da região de Wuhan. O CDC alocou cerca de 100 trabalhadores para esses aeroportos e instalou salas de quarentena. As autoridades de saúde estão em alerta há duas semanas. Em 11 de janeiro, foi emitido um alerta de saúde de Nível 1 para passageiros que estavam em Wuhan.

Um grupo de especialistas do Centro de Epidemiologia de Doenças Infecciosas da Universidade de Hong Kong sugere que a realidade é ainda mais preocupante do que os dados oferecidos pela China. Segundo um relatório elaborado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e apresentado nesta terça-feira, o número total de pessoas infectadas já pode chegar a 1.500: 1.343 em Wuhan e 115 no resto do país.

Além da China e dos Estados Unidos, houve casos de pessoas com esse vírus detectadas na Coreia do Sul, Tailândia, Japão e Taiwan, onde uma mulher de 55 anos também foi reconhecida nesta terça-feira com a doença. Como nos casos anteriores, ela viajou para Wuhan nas últimas semanas. O ministro da Saúde da ilha, Chen Shih-chung, garantiu que nenhum dos familiares do paciente apresentava sintomas semelhantes aos de uma pneumonia comum e que outras 46 pessoas que mantiveram contato com ela durante a viagem de avião foram colocadas em observação. Além disso, as Filipinas e a Austrália também anunciaram que tomaram medidas por conta dos primeiros casos suspeitos em seu território nacional.

A OMS fez uma visita a Wuhan na segunda-feira com um grupo de especialistas em saúde chineses, liderado pelo Dr. Zhong Nanshan, diretor do Laboratório Estadual de Doenças Infecciosas em Guangzhou e destaque nacional no campo. Segundo este conglomerado de especialistas, 15 funcionários médicos da cidade contraíram o vírus, o que confirma a disseminação entre os seres humanos ―uma possibilidade descartada até o fim de semana passado―.

A escalada desse novo coronavírus, descoberto há duas semanas, lembra a epidemia de SARS, com a qual possui semelhanças genéticas. A epidemia de 2002, também originária da China, matou 700 pessoas em todo o mundo. A OMS realizará uma reunião de emergência nesta quarta-feira para decidir se deve declarar “uma emergência internacional de saúde pública” por causa do surto. Enquanto isso, o Conselho de Estado chinês também agendou uma entrevista coletiva detalhando a evolução do vírus nas últimas horas.

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