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Marcelo Gallardo estende seu império no River Plate por “pelo menos mais um ano”

Treinador põe fim às especulações sobre a saída do clube argentino, onde conquistou 13 títulos em sete anos e meio como treinador (e já havia celebrado outros oito como jogador)

Marcelo Gallardo sostiene la copa de campeón de la primera división del fútbol argentino
Marcelo Gallardo é campeão da primeira divisão do futebol argentino com o River, no dia 25 de novembro, após vencer o Racing Club no Monumental.AGUSTIN MARCARIAN (Reuters)

A Argentina é um país assombrado por uma inflação que ultrapassa os 50% ao ano, mas, sempre aficcionados por futebol, os mais fanáticos jogaram nos últimos dias uma pergunta em forma de brincadeira: qual cargo será mais difícil de exercer, o de ministro da Economia ou do futuro substituto de Marcelo Gallardo como treinador do River Plate? Por ora, o sucessor do “Muñeco” (boneco) à frente do último campeão da Liga Argentina terá de esperar: após vários dias de suspense, o treinador anunciou nesta quarta-feira que vai renovar a relação com o clube que mais conquistou Ligas argentinas por um ano.

As instituições estão sempre acima de seus jogadores ou de seus técnicos, mas a fronteira entre River e Gallardo às vezes se torna confusa: nos próximos meses uma estátua de sete metros de altura será inaugurada na porta do estádio Monumental. Segundo o clube, será a maior escultura de bronze do mundo dedicada a um atleta, neste caso ao homem que escreveu a glória moderna do River.

Embora a história do clube tenha sido escrita por verdadeiras estrelas que em muitos casos espalharam sua aura no exterior, como Alfredo Di Stéfano, Ariel Ortega, Enzo Francescoli, Norberto Alonso, Ángel Labruna, Pablo Aimar e Ramón Díaz, Gallardo personifica uma lenda viva que nos últimos anos posicionou-se sentimentalmente acima do resto dos deuses de vermelho e branco. Aos oito títulos que conquistou como jogador, desde que assumiu a função de técnico há sete anos e meio, em junho de 2014, somou mais 13 voltas olímpicas —nenhum técnico deu tantos campeonatos a um clube da Argentina. Parece uma história de super-heróis da Marvel: dos 68 títulos oficiais que o River conquistou, Gallardo participou de 21.

“Ontem dei o clique e decidi continuar”, explicou Gallardo nesta quarta-feira, que há duas semanas, quando o River se sagrou campeão da Liga 2021, havia anunciado que demoraria alguns dias para saber se ainda seguiria à frente do time. Foi como se os torcedores parassem de respirar, mas a espera teve um final feliz. “Foi fundamental levar algum tempo para refletir sobre o que exige uma instituição como esta. A verdade é que não tive muito tempo, mas opto por continuar“, explicou numa entrevista coletiva, mais como se seguisse seu coração do que se o fizesse por razões econômicas ou desportivas.

Num futebol tão instável, no qual 15 treinadores perderam suas posições em 2021 na Liga Profissional, Gallardo é um caso atípico. Nos sete anos e meio em que está no River, o Boca teve seis treinadores diferentes e o San Lorenzo, outro dos grandes clubes, contratou 15. Seu ciclo já está entre os quatro mais longos de toda a história da Argentina, e para encontrar os três primeiros é preciso voltar às décadas de 1940 e 1950: Victorio Spinetto no Vélez (14 anos, de 1942 a 1955), José María Minella no River (13, de 1947 a 1959) e Guillermo Stábile no Racing (9, de 1945 a 1953).

Gallardo, de 45 anos, foi procurado pela seleção uruguaia como substituto de Oscar Tabárez, mas disse nunca ter pensado nessa possibilidade. Algumas semanas atrás, ele também soube do interesse do Barcelona como um possível substituto para Ronald Koeman. “Nunca avaliei outras oportunidades. Reconheço que recebi propostas que agradeço, mas queria continuar na River até o final do meu contrato. E agora quero continuar mais um ano“, explicou.

Como se planejado em um roteiro, o River segue celebrando nesta quinta-feira com uma grande festa em seu estádio pelos três anos da Copa Libertadores 2018. Se Gallardo conquistou 13 títulos como técnico, incluindo duas edições do torneio máximo continental, aquela final em 9 de dezembro, contra o Boca, no Santiago Bernabéu, em Madri, ele marcou um Everest impossível de alcançar.

A pedido da direção do clube, a escultora Mercedes Savall trabalha desde 2019 numa enorme estátua de Gallardo, cujas primeiras peças chegaram na semana passada às portas do Monumental, onde será instalada junto à de Labruna, o outro grande herói do River, vencedor de 22 títulos como jogador e treinador entre as décadas de 1940 e 1970.

“A estátua de Gallardo é feita de chaves e pequenos objetos de bronze doados por torcedores, mas, depois de Madri, superou todas as expectativas: por isso será tão grande. Primeiro fiz um modelo de gesso do qual foi tirado o molde e, depois, segui um processo chamado fundição por cera perdida“, conta Savall, que já havia feito a estátua de Labruna, de seis metros de altura e colocada ao lado do Museu do River.

“Agora pedi que o chão da estátua do Gallardo seja coberto com a grama do Bernabéu, espero que possa ser feito. As primeiras peças já chegaram ao Monumental e em três ou quatro meses será inaugurada. A pandemia parou tudo, mas são obras que duram para a eternidade”, acrescenta a artista, em consonância com um ciclo, o de Gallardo, que já é atemporal, mas continuará por mais um ano.

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