Ex-presidente do Barça é preso em inquérito que apura difamação de inimigos nas redes sociais

Agentes fazem buscas na sede do clube e levam três ex-responsáveis por supostos pagamentos destinados a difamar jogadores e adversários da diretoria

Agentes da polícia catalã entram na sede do FC Barcelona.
Agentes da polícia catalã entram na sede do FC Barcelona.ALBERT GEA (Reuters)
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Josep Maria Bartomeu, ex-presidente do FC Barcelona, foi detido nesta segunda-feira como parte do inquérito que apura o chamado Barçagate, a suposta difamação nas redes sociais de jogadores e adversários do ex-dirigente. Além de Bartomeu, os agentes dos Mossos d’Esquadra (polícia da Catalunha) detiveram três pessoas próximas do ex-presidente: Óscar Grau, executivo-chefe do clube azul-grená; Román Gómez Pontí, diretor jurídico; e Jaume Masferrer, assessor da presidência. Os policiais também estão fazendo buscas na sede do clube, cumprindo um mandado judicial e como parte da investigação dos ex-diretores suspeitos de administração desleal.

No começo da manhã desta segunda (madrugada no Brasil), os Mossos entraram nos escritórios do Camp Nou, conforme noticiou a rádio SER e este jornal confirmou. Trata-se de uma das cinco buscas simultâneas ordenadas pela juíza Alejandra Gil, do tribunal de instrução número 13 de Barcelona, que investiga o suposto prejuízo causado ao patrimônio do clube por parte de Bartomeu e da cúpula do Barça. Os investigadores cumpriam ordem judicial para buscar indícios que corroborem as denúncias do chamado Barçagate, mas as detenções foram uma iniciativa da polícia, sem terem sido ordenadas pela juíza. É previsível que, após as buscas, todos os detidos sejam postos em liberdade à espera de serem convocados para depor no tribunal. Por enquanto, permanecem na delegacia de polícia do bairro de Les Corts, onde fica o Camp Nou.

A operação ocorre numa semana crucial para o futuro do clube, que tem eleições para a presidência no domingo que vem. Desde a saída de Bartomeu, em outubro do ano passado, uma administração interina conduz o clube.

O Barçagate começou em fevereiro de 2020, quando a rádio SER revelou que o FC Barcelona teria contratado uma empresa externa, chamada I3 Ventures, supostamente para melhorar a imagem pública do presidente Bartomeu. A I3 Ventures aparecia associada a uma série de contas difamatórias em redes sociais que divulgavam mensagens contra jogadores do clube e também contra adversários da diretoria e pessoas do entorno barcelonista. As faturas pagas à empresa foram divididas, supostamente para burlar as auditorias internas.

A difusão dessa suposta estratégia de difamação foi um dos elementos que fizeram a presidência de Bartomeu cambalear. As más relações com o astro do time, Leo Messi ―que há poucos meses tomou iniciativas para deixar o clube―, e a preocupante situação financeira da agremiação acabaram levando a uma moção de censura contra Bartomeu, que acabou não sendo votada porque o cartola, encurralado pela opinião pública, renunciou antes.

A investigação judicial começou em junho. A juíza acatou a denúncia apresentada pela plataforma de torcedores Dignitat Blaugrana pelos supostos crimes de administração desleal e corrupção entre particulares. Uma das primeiras providências que a juíza tomou foi solicitar ao clube todas as informações sobre os contratos com a I3 Ventures.

Os Mossos já haviam comparecido em 5 de julho à sede do clube para solicitar esses contratos. Os agentes se queixaram à juíza da falta de colaboração, e ela agora ordenou estas novas buscas. O caso permanece sob sigilo, já prorrogado seis vezes, para evitar vazamentos interessados, segundo a juíza Gil.

Em um relatório, os Mossos apontaram indícios de corrupção nos contratos assinados pelo Barça. O clube supostamente pagou um ágio (seis vezes superior ao valor de mercado) à companhia I3Ventures. Além disso, burlou os controles internos estabelecidos pelo próprio clube quando o pagamento de um milhão de euros (6,7 milhões de reais) foi fracionado em cinco faturas de 200.000. Nesse relatório, a polícia acrescenta que a demissão de Jaume Masferrer, assessor de Bartomeu na presidência e um dos detidos nesta segunda-feira, foi “simulada”.

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