Em um ano, mais de 8 milhões de brasileiros perderam seus empregos

Fila de desemprego já tem 14,3 milhões de brasileiros e taxa é recorde para período. Número de desalentados, as pessoas que desistiram de econtrar trabalho, é o maior desde 2012

Ambulantes na 25 de Março, escapando da fiscalização das medidas restritivas.
Ambulantes na 25 de Março, escapando da fiscalização das medidas restritivas.Toni Pires

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,2% no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na manhã desta quarta-feira. É a maior já registrada para o trimestre desde 2012, quando foi iniciada a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua). Ao todo, 14,3 milhões de brasileiros estavam sem um posto de trabalho no início deste ano. Janeiro foi o primeiro mês após o fim do auxílio emergencial dado pelo Governo à população mais vulnerável. Embora a taxa de desocupação tenha ficado estável frente ao trimestre anterior, no contraste com o mesmo período do ano passado, ela subiu. Em janeiro de 2020, antes da pandemia de covid-19, quando o mercado de trabalho ainda não havia sido fortemente impactado pela crise sanitária, estava em 11,2%. Em um ano, 8,1 milhões de pessoas perderam o emprego, uma queda de 8,6% na população ocupada do país.

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Mesmo com desemprego elevado, a população ocupada avançou no trimestre, chegando a 86 milhões de pessoas. São 1,7 milhão de brasileiros a mais que os que tinham emprego até outubro. Essa alta de 2% foi puxado principalmente pela informalidade, segundo o levantamento. “Esse crescimento ainda tem influência do fim de ano, já que novembro e dezembro foram meses de crescimentos importantes”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy. Com o aumento, o nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 48,7%. O IBGE considera como desempregado apenas os trabalhadores que efetivamente procuraram emprego nos últimos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado subiu 3,6% (339.000 pessoas), os trabalhadores por conta própria sem CNPJ aumentaram em 4,8% (826.000) e os trabalhadores domésticos sem carteira, cresceram 5,2%. “O trabalhador por conta própria e o empregado no setor privado sem carteira permanecem sendo aqueles que estão contribuindo mais para o crescimento da ocupação no país”, diz Beringuy. Com isso, a taxa de informalidade no trimestre encerrado em janeiro foi de 39,7%.

Número de desalentados bate recorde

O número de desalentados―que são as pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar vaga―bateu novo recorde, e chegou a 5,902 milhões de pessoas. O número ficou 25,6% acima do mesmo período de 2020. Na terça-feira, o ministério da Economia divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged), que mostraram a criação de mais de 400.000 vagas. Esses dados, no entanto, se referem apenas ao emprego de carteira assinada.

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A massa de rendimento ficou estável na comparação com o trimestre anterior, sendo estimada em 211,4 bilhões de reais. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda de 6,9% representa uma redução de 15,7 bilhões demais. O rendimento médio habitualmente recebido caiu 2,9% frente ao trimestre encerrado em outubro de 2020 e foi estimado em 2.521 reais. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade. “Chama atenção numa leitura preliminar dos dados o comportamento da massa salarial que voltou a cair e que reforça nossa percepção de demanda fraca no início do ano. Houve um recuo de 0,5% em relação ao mês anterior”, afirma o economista-chefe da Necton, André Perfeito. Para ele, os dados do início de 2021 “apontam indubitavelmente” para um primeiro trimestre em queda. “Até a reversão da parte mais aguda pandemia e o início [da nova rodada] do auxílio emergencial não poderemos fazer prognóstico melhor”, diz. A média das projeções do mercado para o crescimento do PIB em 2021 tem sido revisada para baixo está atualmente, em 3,8%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

As novas parcelas do benefício emergencial de até 350 reais começam a ser pagas no dia 16 de abril, primeiro para beneficiários do programa Bolsa Família. Serão quatro parcelas mensais, com valores entre 150 a 375 reais, pagas a 45,6 milhões de pessoas no Brasil, 22,6 milhões a menos que as contempladas em 2020.

Para analistas, o desemprego pode subir no próximo trimestre diante das novas medidas mais restritivas para enfrentar o avanço da pandemia por todo o Brasil, que nesta terça-feira bateu novo recorde com 3.780 morte pelo novo coronavírus em 24h. Atualmente, muitos Estados têm limitado o funcionamento do comércio e dos serviços não essenciais.“Os dados continuam pintando um quadro bastante desafiador para o mercado laboral brasileiro. A taxa de desemprego pena para cair de forma rápida e consistente e, mais preocupante ainda, a taxa de participação, a despeito da leve melhora em janeiro, segue distante dos níveis verificados antes da crise”, afirma o relatório da Guide Investimentos. Ainda segundo a corretora, o alto desalento, assim como a manutenção de um elevado patamar de indivíduos fora da força de trabalho também dificultam, em muito, o processo de recuperação.

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