Bolsas da América Latina desabam acompanhando a queda global

Brasil aciona ‘circuit breaker’ pela quinta vez depois de cair 12,5% na abertura. Argentina derrete mais de 10%, o mesmo que o Chile

Bolsa do Valores do Brasil, em São Paulo, em 13 de março de 2020.
Bolsa do Valores do Brasil, em São Paulo, em 13 de março de 2020.NELSON ALMEIDA / AFP

Em mais um dia forte nervosismo no mercado, a Bolsa de Valores brasileira abriu em forte queda nesta segunda-feira e teve que suspender as operações. O chamado circuit breaker, quando as negociações são paralisadas por 30 minutos, foi acionado após o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, tombar 12,53%. Na semana passada, a pior para a Bolsa desde a crise de 2008, o mecanismo foi acionado quatro vezes.

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O dólar abriu em forte alta, após o anúncio do Banco Central dos EUA, o Fed, de mais um corte na taxa de juros para tentar amenizar os impactos da crise da pandemia de coronavírus. Foi o segundo em doze dias o que, segundo especialistas, mostra a preocupação dos efeitos do vírus na economia global. No cenário doméstico, aumentam as apostas de um corte também na taxa de juros brasileira, a Selic, nesta semana. Às 9h14 o dólar avançava 2,12%, cotado a 4,9147. Nesta manhã, a moeda norte-americana já chegou a bater 4,9882, com alta de mais de 3%.

O coronavírus já reflete nas projeções da economia brasileira deste ano. De acordo com o Boletim Focus, relatório do Banco Central com as principais instituições financeiras do país, o Brasil deve crescer menos do que projetado e os juros devem cair ainda mais em 2020. O mercado reduziu de 1,99% para 1,68 a estimativa de crescimento do PIB brasileiro. A previsão da Selic que era de 4,25% para o ano passou para 3,75%.

A Argentina e o Chile seguiram a toada brasileira. O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires caía 10,2% na abertura e operava abaixo dos 30.000 pontos. As ações mais castigadas eram as de empresas de energia e bancos, setores mais afetados pela crise. A petroleira YPF liderava as quedas com uma perda de 16,66%. Outras como Central Puerto, Banco Supervielle, Telecom e Sociedad Comercial del Plata, todas com quedas acima dos 10%.

O IPSA - indicador que reúne as principais ações chilenas — caía mais de 10% na abertura da Bolsa de Comercio de Santiago. As ações da LATAM, a única companhia aérea cotada no IPSA, registrava queda de 14,12%, em sintonia com o mau momento da indústria em nível internacional.

O pânico dos mercados mundiais também foi um golpe no peso chilenas. Nas primeiras horas da manhã registrava uma paridade de 850 pesos por dólar, perto da mínima histórica observada na quinta feira da semana passada. A queda do peso mexicano — uma das maiores referências para a moeda chilena — assim como a queda na cotação do cobre explicam a debacle. A commoditie sofre uma agressiva perda nos mercados futuros com uma queda de 2,40 dólaresla libra por primeira vez desde novembro de 2016. Segundo análise da Bloomberg desta semana, o câmbio poderia chegar a impensáveis 1000 pesos por dólar, caso Wall Street entre em choque.

Outra segunda-feira cinza na Europa e Ásia

As Bolsas europeias e asiáticas abriram com baixas generalizadas apesar dos plano conjunto dos principais Bancos Centrais do mundo para garantir liquidez. O Federal Reserve decidiu inclusive zerar sua taxa de juros pro primeira vez desde 2008, e um plano de injeção de recursos de 700 bilhões de dólares. Nada foi suficiente, e nesta segunda o Ibex 35 caía mais de 10%, arrastado por IAG (British Airways e Iberia), que perdia um quarto do seu valor nesta sessão. O setor aéreo é um dos mais afetados pela crise do coronavírus.

As perdas se estenderam por todos os mercados europeus, com Londres e Paris caindo mais de 11% e Frankfurt um pouco mais de 10%. Horas antes os mercados Asia-Pacífico fechavam com quedas entre 10% (Austrália) e 4% (Hong Kong).