Após pior semana desde 2008, Bolsa brasileira fecha em alta de 13,91%

Paulo Guedes apresentará novas medidas para combater o coronavírus e os efeitos na economia. Caixa vai liberar 75 bilhões de reais de crédito para empresas e bancos

Bolsa de valores de São Paulo.
Bolsa de valores de São Paulo.EFE

Um dia após o maior tombo em mais de 20 anos, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, reagiu positivamente nesta sexta-feira (13) às medidas de estímulos anunciadas pelas maiores economias do mundo para combater os efeitos da pandemia do coronavírus. Uma das principais foi o anúncio do Banco Central dos EUA (Fed) que irá comprar 33 bilhões de dólares de títulos do Tesouro americano para solucionar as distorções do mercado, o que deixou os investidores mais confiantes. O Ibovespa terminou o dia no azul, com forte alta de 13,91% aos 82.677, após ter desabado 14,78 % na véspera.

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Na abertura dos negócios, a Bolsa brasileira chegou a registrar um avanço ainda maior, mas acabou perdendo fôlego durante o início da tarde em meio aos rumores de que o presidente Jair Bolsonaro tinha contraído coronavírus, o que foi desmentido pouco depois pelo próprio presidente. O índice voltou a acelerar, no entanto, no fim da tarde, com o anúncio de que os EUA entraram em estágio de emergência nacional por causa do avanço do coronavírus, e poderão acessar fundos emergenciais de até 50 bilhões de dólares.

Já o dólar sofreu uma volatilidade maior. A moeda norte-americana recuou no início do dia frente ao real, mas encerrou com alta de 0,56%, a 4,81, renovando máxima de recorde no fechamento. Na Europa, as ações quebraram uma série de seis dias consecutivos de perdas nesta sexta-feira, mas tiveram um ganho apenas modesto ao longo do dia.

Pior semana desde a crise de 2008

Ainda é cedo para saber o tamanho do estrago dos impactos do coronavírus na economia global e brasileira. E também no mercado de ações. Apenas nesta semana, o Ibovespa acumulou quatro circuit breakers, quando as operações são paralisadas após um forte tombo, e acumulou queda de mais de 25% em apenas quatro dias. Mesmo com a recuperação deste sexta, a Bolsa amargou a pior semana desde a crise de 2008, somando um tombo do índice de 15,63%. Um levantamento feito pela XP Investimentos com 30 gestores de ações mostra que a maioria acredita que levará ao menos um ano (56%) para a bolsa voltar aos níveis pré-Carnaval, na faixa de 115.000 pontos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na manhã desta sexta-feira que novas medidas em um pacote de combate ao coronavírus serão anunciadas em breve, como isenção de tarifas de importação para produtos médicos e hospitalares. Guedes ressaltou que o Governo está pensando em tudo “que não impacte o equilíbrio fiscal brasileiro”, inclusive quando questionado sobre a liberação do FGTS. Ele ainda avaliou, que, se a reação ao coronavírus for correta, a crise devido à pandemia deve ir embora em cinco ou seis meses.

Caixa vai liberar 75 bilhões de reais para empresas e bancos

De acordo com o ministro, bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil) vão ser usados para ajudar empresas que entrarem problemas financeiros. Nesta sexta-feira, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que a instituição pode aumentar a oferta de crédito em 75 bilhões de reais, por meio de três linhas: compra de carteira de pequenos e médios bancos (30 bilhões de reais), capital de giro ao setor imobiliário, e a pequenas e médias empresas (40 bilhões de reais) e outros 5 bilhões de reais para o crédito agrícola. “A Caixa tem amplo espaço para emprestar. Os 75 bilhões são apenas 10% da nossa carteira de crédito e nós faremos isso matematicamente. Estamos tranquilos e preparados”, declarou Guimarães.

Guedes também fez cobranças ao Congresso Nacional. “Eu gostaria que as principais lideranças políticas do Brasil reagissem também com muita velocidade, com as nossas reformas, para reforçar a saúde econômica do Brasil”, declarou. “Soltamos ontem medidas, hoje vamos soltar mais, segunda vamos soltar mais. A resposta à crise está vindo. Eu quero atender ao pedido do presidente [da Câmara dos Deputados] Rodrigo Maia, dizendo que estamos atentos. Da mesma forma que ele pediu, que disse que gostaria que houvesse alguma coisa, alguma reação ao coronavírus, estamos reagindo em 48 horas.”

Na quinta, o Ministério da Economia anunciou as primeiras medidas para minimizar os impactos da pandemia do novo coronavírus. Entre elas, a antecipação, para abril, do pagamento de 23 bilhões de reais referentes à parcela de 50% do 13º salário aos aposentados e pensionistas do INSS. A pasta também anunciou a suspensão, pelo período de 120 dias, da realização de prova de vida dos beneficiários do INSS. Um grupo de monitoramento dos impactos da doença foi criado por Paulo Guedes.