Morre Carlito Carvalhosa, um dos principais nomes da arte contemporânea no Brasil

Herdeiro estético de Hélio Oiticica e o primeiro artista brasileiro vivo a ter uma exposição solo no MoMA, em Nova York, Carvalhosa foi vítima de um câncer aos 59 anos

O artista Carlito Carvalhosa.
O artista Carlito Carvalhosa.Arquivo pessoal

Morreu na noite de quinta-feira, em São Paulo, o artista plástico Carlito Carvalhosa, aos 59 anos, um dos principais nomes das artes contemporâneas brasileiras. O artista tratava de um câncer no intestino há oito anos e deixa esposa e duas filhas. Aclamado no mercado internacional de curadores e colecionadores, ele faleceu dois dias depois de o Museu Guggenheim de Nova York comprar uma de suas obras.

Ao lado de Paulo Monteiro, Fábio Miguez, Nuno Ramos e Rodrigo Andrade, Carvalhosa foi integrante da Casa 7, um grupo de amigos artistas que se reuniu na década de 1980 em um ateliê para trabalhar suas propostas estéticas comuns. Fortemente influenciados pelos neoexpressionistas alemães e a transvanguarda italiana, eles faziam, na época, pinturas gestuais de grandes dimensões. Construtivista, Carvalhosa trabalhava principalmente com cera sobre tela, criando peças translúcidas.

Na década seguinte, o artista paulista passaria a criar esculturas feitas em materiais diversos, consagrando-se como um herdeiro dos ideais plásticos de Hélio Oiticica, como aponta Luis Pérez-Oramas, que analisou sua obra em um livro e foi curador da mostra de Carvalhosa no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 2011 —o artista paulista tornou-se o primeiro artista brasileiro vivo a ter uma exposição solo no museu e ainda hoje é um dos poucos nomes que apresentaram seu trabalho na renomada instituição.

A obra 'sala de espera' (2013), feita com postes de madeira, de Carlito Carvalhosa, exposta no MAC-USP.
A obra 'sala de espera' (2013), feita com postes de madeira, de Carlito Carvalhosa, exposta no MAC-USP.

Tanto nos anos oitenta quanto nos anos noventa, o processo de construção de suas obras revelavam etapas da produção de cada uma delas —no caso das esculturas, por exemplo, é possível contemplar a forma dos cilindros que as moldaram.

Além da mostra histórica no MoMA, as obras de Carvalhosa também foram expostas em várias bienais, entre elas a 18ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1985, a Bienal de Havana, em Cuba, no ano seguinte, e a Bienal do Mercosul, em 2001 e 2009.






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