Pandemia de coronavírus

Morre voluntário brasileiro que participava de testes com vacina de Oxford contra covid-19

Médico recém-formado morreu por complicações do coronavírus. Anvisa não esclareceu se o voluntário tomou a vacina ou o placebo, mas afirmou que testes seguirão

SIPHIWE SIBEKO / Reuters

Um voluntário brasileiro que participava dos testes com a potencial vacina contra o coronavírus desenvolvida em parceria pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, morreu, segundo a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que coordena os estudos clínicos com a vacina. O voluntário João Pedro Feitosa, que faleceu por complicações da covid-19, tinha 28 anos, era médico recém-formado e morador do Rio de Janeiro.

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Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que foi informada da morte do voluntário na segunda-feira e que recebeu dados das investigações sobre o caso, realizadas pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança. A Anvisa não esclareceu se o voluntário tomou a vacina ou o placebo. Fontes escutados pelo jornal O Globo e a Bloomberg afirmam que o participante não tinha recebido imunizações.

Segundo a assessoria da Anvisa, os testes com a vacina seguirão mesmo após a morte do voluntário. “É importante ressaltar que, com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação”, disse a Anvisa. A AstraZeneca Brasil ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.


A Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou uma nota de pesar ao ex-aluno João Pedro Feitosa que tinha “acabado de se diplomar e não poupou esforços para atuar no enfrentamento da pandemia”. Feitosa concluiu o curso de medicina em julho do ano passado e estava atuando na linha de frente do combate ao coronavírus nas regres privadas e municipal do Rio de Janeiro.

A vacina desenvolvida em parceria entre o laboratório AstraZeneca e Oxford é a principal aposta do Governo brasileiro para a futura campanha de vacinação. O Ministério da Saúde firmou acordo com a AstraZeneca para compra doses do imunizante e para a posterior produção local da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O governo federal editou uma medida provisória liberando 1,9 bilhão de reais para o projeto da vacina e pretende oferecer 100 milhões de doses no primeiro semestre da vacina, caso os estudos confirmem sua eficácia e segurança.

Os testes com a potencial vacina Oxford/AstraZeneca haviam sido paralisados no início de setembro após o surgimento de uma doença grave e não explicada em um voluntário no Reino Unido. O estudo posteriormente foi retomado no Reino Unido, no Brasil e em outros países, mas ainda não voltou a ser realizado nos Estado Unidos.

Bolsonaro diz que não comprará vacina chinesa

Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou um em post do Facebook, nesta quarta-feira, que não pretender comprar a vacina Coronavac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, do Governo paulista – contrariando o anúncio feito ontem ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que havia anunciado a intenção de adquirir 46 milhões de doses do imunizante contra a pandemia do novo coronavírus. Pouco depois, em meio à crise instalada, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde comunicou ainda que o ministro testou positivo para a covid-19.

Com agência Reuters

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