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Luiz Henrique Mandetta: “O SUS por parte federal apagou as luzes e se calou”

Em live do EL PAÍS, ex-ministro de Bolsonaro diz temer o impacto na saúde pública após o fim da pandemia de coronavírus. "O que vem pela frente é mais complicado do que o já ficou para trás"

Brasília e São Paulo - 13 ago 2020 - 17:28 UTC

Ex-ministro da Saúde do Governo Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta criticou as medidas que vem sendo tomadas após a sua saída do cargo, em abril deste ano, por divergências com o presidente na condução do combate à pandemia de coronavírus. Em entrevista transmitida ao vivo pelo EL PAÍS, Mandetta disse que, por decisões da atual gestão, o Sistema Único de Saúde (SUS) rompeu o pacto federativo, ao deixar de ser uma das três partes responsáveis pela saúde pública no país. “O sistema [único de saúde] por parte federal apagou as luzes e se calou”.

A entrevista ao vivo teve transmissão no portal do jornal e nos perfis no Youtube e no Facebook. Na live, Mandetta também afirmou ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre a gravidade da doença em mais de uma ocasião. Mas o mandatário não o escutava. “No seu entorno, ele aconselhava pouco com os ministros. Ele tinha um aconselhamento paralelo”. Segundo o ex-ministro, o presidente preferia negar a gravidade da crise do que enfrentá-la. “Vi o presidente oscilar entre a negação e passar para a fase da ira”.

Médico ortopedista, Mandetta foi deputado federal pelo DEM de Mato Grosso do Sul por dois mandatos, foi secretário municipal de Saúde de Campo Grande e presidiu a Unimed em seu Estado. Deixou o Governo em abril deste ano, após não ceder às pressões do presidente Bolsonaro para que o ministério indicasse o uso da cloroquina no tratamento contra o novo coronavírus e por não aceitar a política contra o distanciamento social defendida pelo mandatário.

Apesar de ser político, Mandetta era considerado um quadro técnico no Governo. Ele chegou ao cargo por indicação de entidades da área de saúde, assim como da frente parlamentar do setor. Quando saiu, foi substituído pelo médico oncologista Nelson Teich, que ficou apenas um mês na função. O atual ministro interino da Saúde é o general do Exército Eduardo Pazuello.

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