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Queiroz pagou mensalidades escolares das filhas de Flávio Bolsonaro, diz MP do Rio em pedido de prisão

Promotores apresentaram à Justiça novos fatos que julgam ser provas de que o ex-policial atuava como uma espécie de operador financeiro do filho primogênito do presidente

Fabricio Queiroz é escoltado ao chegar no Rio.
Fabricio Queiroz é escoltado ao chegar no Rio.Silvia Izquierdo / AP

Promotores do Rio de Janeiro dizem ter obtido provas de que o ex-policial militar e ex-assessor da família Bolsonaro Fabrício Queiroz pagou mensalidades escolares das filhas do senador Flávio Bolsonaro. Queiroz foi preso nesta quinta-feira, a pedido dos Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em uma casa em Atibaia, no interior de São Paulo, pertencente ao advogado Frederick Wassef, que representa o presidente Jair Bolsonaro e Flávio em processos. O ex-policial e o senador são investigados pela suspeita de que desviaram verbas salariais públicas de funcionários do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no esquema conhecido como “rachadinha”.

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Ao solicitar a prisão de Queiroz, os promotores apresentaram à Justiça novos fatos que sustentam a tese do Ministério Público de que o ex-policial atuava como uma espécie de operador financeiro de Flávio, entre eles a quitação das mensalidades escolares. Os investigadores obtiveram imagens em vídeo de Queiroz fazendo pagamentos no caixa de um banco, que pelo horário, pela data e pelos valores, foram feitos, ao menos, para o pagamento das mensalidades escolares de outubro de 2018 das filhas do então deputado estadual e atual senador. Outros pagamentos de mensalidades também são investigados. Como os valores dos pagamentos de Queiroz coincidiam com os custos financeiros das mensalidades, além de existir coincidência do horário das imagens de Queiroz e do horário da quitação dos boletos, os promotores avaliaram que Queiroz foi o responsável por eles. “As provas não deixam dúvida de que Queiroz pagou as mensalidades”, diz um promotor envolvido na investigação.

Queiroz foi chefe de gabinete de Flávio na Alerj e era amigo do presidente Jair Bolsonaro desde os anos 80. O ex-assessor chegou a admitir em carta à Justiça que ficava com parte dos salários dos servidores do gabinete de Flavio Bolsonaro, mas nunca esclareceu se o chefe tinha conhecimento. O pagamento das mensalidades apontado pelo Ministério Público é mais um elemento que aponta para a tese de que Queiroz não operava o esquema para si, segundo os investigadores. O filho primogênito do presidente nega ter cometido qualquer irregularidade. Nesta quinta, disse considerar a prisão de Queiroz mais um movimento de ataque ao pai.

“Não imaginava que isso pudesse acontecer comigo”

A prisão preventiva de Queiroz e de sua mulher, Marcia Aguiar, ainda foragida, foram pedidas pelo Ministério Público à Justiça do Rio sob o argumento de que eram necessárias para que eles não prejudicassem o andamento das investigações. De posso da ordem de prisão, a operação que prendeu Queiroz começou às 4h30 na sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo. De lá saíram promotores, policiais civis e três advogados da comissão de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil. Ao chegar na casa de Frederick Wassef, em Atibaia, os policiais tiveram de arrombar a porta de entrada com um aríete profissional. Só na quarta-feira os promotores constataram que o refúgio de Queiroz pertencia ao advogado Wassef, segundo afirmam os investigadores. Ao receber ordem de prisão, de acordo com investigadores, Queiroz comentou: “Depois de mais de 30 anos como policial, eu não imaginava que isso pudesse acontecer comigo”.

Além da batida no interior de São Paulo, os promotores também fizeram, nesta quinta, buscas em seis endereços ligados ao senador e ao ex-policial no Rio. Além da nova questão das mensalidades, o MP-RJ também investiga se o senador usou sua loja franqueada da rede Kopenhagen para camuflar recursos desviados dos salários de funcionários de seus gabinetes.

A promotoria fluminense também apura se o dinheiro público desviado do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual, também foi usado para que o senador adquirisse imóveis. O papel de Queiroz é considerado crucial no esquema da “rachadinha”, porque a investigação obteve indícios de que era o ex-policial quem coletava dinheiro em espécie, sacado pelos outros funcionários do gabinete, e depositava de acordo com os interesses de Flávio.

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