Magnata Michael Bloomberg se prepara para entrar na disputa presidencial dos EUA

Ex-prefeito de Nova York planeja se inscrever nas primárias democratas do Alabama, mantendo assim suas possibilidades em aberto

O empresário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.
O empresário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.Elise Amendola (AP)

Michael Bloomberg se posiciona para eventualmente entrar na corrida presidencial de 2020. O plano do magnata é reunir um número suficiente de assinaturas para se registrar nas primárias democratas do Alabama antes do final do prazo. Isso deixaria a porta aberta ao ex-prefeito de Nova York para futuramente mergulhar na campanha e enfrentar o republicano Donald Trump caso conquiste a indicação partidária. Por enquanto, porém, tudo soa mais a uma advertência aos democratas, que se mostram divididos a um ano da eleição.

A manobra de última hora de Bloomberg foi antecipada pelo jornal The New York Times, citando fontes próximas ao empresário e filantropo. O nova-iorquino de 77 anos já tinha cogitado disputar a presidência em outros ciclos eleitorais, mas nunca chegou a formalizar uma candidatura. No começo deste ano, entretanto, disse que não tinha intenção de disputar a indicação, por causa da forte concorrência dentro do Partido Democrata.

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Howard Wolfson, seu principal assessor, emitiu uma declaração poucos minutos depois explicando que Michael Bloomberg considera Trump “uma ameaça sem precedentes”. Recordou que já na Convenção Democrata de 2016 advertira para o perigo que representaria a chegada do republicano à Casa Branca. Além disso, faz referência aos recursos que mobilizou nas eleições legislativas de 2018 para recuperar a maioria no Congresso e recentemente na Virgínia.

“Agora precisamos terminar o trabalho e assegurar que Trump seja derrotado”, afirma Wolfson, acrescentando que não vê neste momento os atuais candidatos democratas “bem posicionados” para isso. “Se Mike se candidatar”, prossegue, “ofereceria uma nova opção aos democratas”. Cita sua gestão como prefeito de Nova York, sua faceta de empreendedor e suas ações filantrópicas.

O assessor de Bloomberg conclui destacando sua capacidade liderança e de “unir as pessoas e impulsionar a mudança”. “Mike será capaz de enfrentar Trump e ganhar”, disse. A manobra, em todo caso, não significa necessariamente que irá iniciar uma campanha, de acordo com fontes citadas pela emissora NBC. Seria mais uma questão de manter as possibilidades em aberto.

Alerta aos democratas

“Ainda não é certeza”, insiste uma dessas fontes, reiterando que Bloomberg está muito preocupado com o que está vendo também no campo dos democratas. Embora o empresário tivesse descartado a possibilidade de disputar a presidência, voltou a considerar essa hipótese nas últimas semanas, ao observar como o ex-vice-presidente Joe Biden, tido como a opção mais moderada dos democratas, estava perdendo terreno para a senadora progressista Elizabeth Warren.

Michael Bloomberg já foi democrata, republicano e independente. Seu ponto fraco é ser capitalista demais para a ala progressista dos liberais (como é chamada a esquerda nos EUA), e muito progressista entre os conservadores. Se as eleições presidenciais se resumirem a uma disputa pelo voto centrista, ele teria chances. Numa recente entrevista ao EL PAÍS, ele lamentou que os dois partidos não mantenham uma boa relação.

Elizabeth Warren deu-lhe as boas vindas com um tuíte em que apresentou seu plano de elevar os impostos dos mais ricos e financiar assim ampliação do programa de saúde pública. Joe Biden supera a senadora de Massachusetts por apenas oito pontos na média das pesquisas. O terceiro é o senador por Vermont Bernie Sanders, que se define como socialista democrático. Também se destaca, embora bem atrás, Pete Buttigieg, prefeito da localidade de South Bend (Indiana).

O Alabama é, junto com a Califórnia e o Texas, um dos Estados com primárias democratas marcadas para a primeira terça-feira de março. Iowa, Nevada, New Hampshire e Carolina do Sul, os quatro Estados onde os candidatos se testam primeiro, fazem suas primárias em fevereiro. Bloomberg destinou 110 milhões de sua fortuna a apoiar candidatos democratas nas eleições legislativas de novembro de 2018, quando estes recuperaram o controle da Câmara de Representantes (deputados).

Também respaldou iniciativas para regular a posse de armas. É a favor do aborto, financia de seu próprio bolso campanhas contra o tabaco e é muito ativo no âmbito da luta contra a mudança climática. Michael Bloomberg tem uma fortuna estimada em 52 bilhões de dólares pela revista Forbes. É o nono na lista mundial, e o oitavo entre as 400 maiores fortunas dos Estados Unidos.