Síria

Trump recomendou por carta a Erdogan que não posasse de “sujeito duro”

O presidente dos EUA recordou o da Turquia que destruiria sua economia se não chegassem a um acordo sobre a Síria

Imagem da carta de Trump a Erdogan.
Imagem da carta de Trump a Erdogan.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu em 9 de outubro uma carta ao líder da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na qual disse a ele para não ser um "durão" ou "louco". Foi a jornalista Trish Regan, da rede Fox, que divulgou a carta, cuja veracidade foi confirmada pouco depois pela Casa Branca.

Nenhum dos três parágrafos – quatro, se contarmos a última linha, na qual Trump finaliza com um "telefono mais tarde"– é desperdiçado nem está à altura de um estadista.

"Vamos fazer um bom acordo”, começa, encorajador, o presidente dos EUA, que se arrisca a dizer que, se Erdogan o escutar, a "história" o julgará favoravelmente por ter tomado o caminho humano e correto. Trump ameaça Erdogan com o oposto, caso ele não faça as coisas certas: "Entrará na história para sempre como o demônio".

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A decisão de Trump de retirar as forças norte-americanas do norte da Síria permitiu à Turquia iniciar uma operação militar na região contra os guerrilheiros curdos, que se sentem traídos, já que durante alguns anos lutaram ao lado de soldados dos EUA para derrotar o Estado Islâmico.

Trump se referiu à carta durante sua aparição diante da imprensa na manhã desta quinta-feira, após seu encontro com o presidente da Itália, Sergio Mattarella. O presidente negou ter dado a Erdogan qualquer tipo de "luz verde" para invadir o norte da Síria e fez alusão à carta como prova disso.

"Escrevi uma carta logo após a conversa [com Erdogan], uma carta muito forte", disse Trump. "Nunca dei nenhum sinal verde", insistiu.

Verdade. Trump diz a Erdogan na carta que ele não deveria querer o responsável pela matança de milhares de pessoas. “Porque não quero ser responsável por ter destruído a economia turca. O que farei ”, escreve o presidente. Em seguida, Trump lembra Erdogan do que pode acontecer se não seguir seus conselhos e lhe refresca a memória mencionando o caso de Andrew Brunson, um pastor evangélico que estava preso na Turquia, acusado de terrorismo, e que foi libertado em 2018 depois que o republicano multiplicou por dois as tarifas dos metais, o que enfraqueceu a moeda turca.

Na carta, Trump escreve uma frase que diz: "Trabalhei duro para resolver alguns dos seus problemas". Mas não apresenta mais detalhes. O final está à altura do resto da carta. Trump termina com um descontraído: “Telefono mais tarde. Atenciosamente", e a assinatura de Trump, com sua caligrafia.