Investidura parlamentar na Espanha

Espanha não forma Governo e corre contra o relógio para evitar quarta eleição em quatro anos

O socialista Sánchez não conseguiu o apoio necessário para obter maioria dos votos. Partidos têm até 23 de setembro para tentar novo acordo antes que seja preciso fazer novo pleito geral

Pedro Sanchez durante a sessão de votação nesta quinta.
Pedro Sanchez durante a sessão de votação nesta quinta. JVS (EL PAÍS)

O acordo costurado até os últimos minutos entre o Partido Socialista Espanhol (PSOE) e a legenda de esquerda Unidas Podemos falhou. E na manhã desta quinta-feira, o presidente interino do Governo espanhol, Pedro Sánchez, não conseguiu obter a maioria simples de votos necessária no Parlamento para que seu nome fosse confirmado para o cargo. Foi a segunda votação perdida por Sánchez nesta semana, quando ocorreu a chamada sessão de investidura —momento em que os deputados votam para escolher o presidente de Governo do país. Nesta segunda votação, teoricamente mais fácil, o líder socialista e único candidato precisava apenas obter mais votos favoráveis do que contrários. Mas com as negociações emperradas, seu nome acabou rejeitado.  Agora, começa a correr um novo prazo para a indicação de um nome que obtenha consenso, antes que seja preciso convocar novas eleições gerais —um processo um tanto traumático, já que seria a quarta votação popular desde 2015.

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A rejeição ao nome de Sanchéz aconteceu ao final de quatro dias de discussões. No início da tarde desta quinta (manhã no Brasil), o Congresso rejeitou o nome do socialista por 155 votos contrários e 67 abstenções. Foram 124 votos a favor, os mesmos obtidos na votação da última terça-feira, a primeira desta etapa do processo, quando ele também perdeu o pleito, ao não conseguir os 176 votos necessários na ocasião. Isso mostra que não houve qualquer resultado nas negociações, que prosseguiram até o último minuto dos debates desta quinta, quando o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, afirmou que aceitaria abrir mão de um dos ministérios que sua sigla queria, o do Trabalho, pela gestão de uma pasta específica, que lidaria com as políticas de emprego. "Não leve os espanhóis a uma nova eleição. Negocie com a gente", pediu ele da tribuna, publicamente, a Sánchez. Os socialistas, entretanto, recusaram a nova oferta.

Agora, começa uma corrida contra o relógio. Serão dois meses para que os partidos tentem negociar uma nova investidura, de acordo com o artigo 172 do Regulamento do Congresso. Assim, a segunda-feira, 23 de setembro, será o último dia para que as legendas cheguem a um acordo. Caso as negociações não avancem, em 24 de setembro o rei terá que dissolver as cortes e serão convocadas novas eleições, que devem ser realizadas em 10 de novembro.