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Rodrigo, o brasileiro que é a esperança do Valencia contra o Barcelona na final da Copa do Rei

Nascido no Rio de Janeiro e naturalizado espanhol, o atacante não marcou tantos gols neste ano, mas foi fundamental para sua equipe chegar à final da Copa e se classificar para a Champions

Rodrigo, de joelhos, comemora um gol do Valencia contra o Valladolid.
Rodrigo, de joelhos, comemora um gol do Valencia contra o Valladolid. AFP

"Meus gols não têm nada a ver, sempre destaco o coletivo, embora quando as coisas dão errado, dois ou três jogadores, os de sempre, somos apontados como culpados, mas o futebol é assim mesmo.” Na noite de 29 de janeiro, o atacante Rodrigo Moreno incendiou o estádio de Mestalla, casa do Valencia, com três gols. Quem ardeu naquela fogueira foi o Getafe, que havia ganhado a partida de ida das quartas de final por 1 a 0 e, até os 47 minutos do segundo tempo do jogo de volta, empatava por 1 a 1. Até que Rodrigo, autor do único gol dos mandantes até então, foi às redes duas vezes em dois minutos durante os acréscimos. O brasileiro naturalizado espanhol, filho, sobrinho e primo de jogadores, iniciou uma reação que levou o Valencia a ficar 17 jogos seguidos sem perder, se classificando para a Champions pelo campeonato espanhol e chegando à final da Copa do Rei, que disputa nesse sábado, às 16h (horário de Brasília), contra o Barcelona em Sevilha.

Naquela noite de janeiro, Rodrigo se tornou o primeiro jogador na história da Copa a marcar dois gols decisivos nos descontos. Seus três gols em cima do Getafe foram seu primeiro hat-trick jogando pelo Valencia. O camisa 19, desbocado, celebrou a classificação batendo no escudo com uma mão enquanto esticava a camisa com a outra e gritando em português. Sim, português, porque Rodrigo é brasileiro; nascido no Rio de Janeiro, ele é filho do ex-lateral do Flamengo, Adalberto, sobrinho do tetracampeão mundial, Mazinho, e primo dos seus filhos, Rafinha e Thiago Alcântara. Apesar de começar na base rubro-negra, ainda com 12 anos, se profissionalizou no Real Madrid Castilla e jogou por quatro anos no Benfica, em Portugal, antes de se transferir para o Valencia em 2014. Assim como o primo Thiago, sempre esteve decidido a jogar pela Espanha, que defende desde a categoria sub-19. Em 2018, na Rússia, foi o camisa 9 da seleção eliminada nas oitavas para a dona da casa.

Para uma equipe até então com muitas dificuldades, o triunfo sobre o Getafe foi uma libertação. Teve o mesmo significado que sua vitória por 2 a 1 sobre o Celta de Vigo no estádio de Balaídos dez dias antes, na Liga, virando um jogo que perdia por 1 a 0. Nos dois jogos, um artilheiro foi decisivo: Rodrigo. E em Vigo houve outras duas imagens simbólicas desta temporada. O hispano-brasileiro marcou aos 39 minutos do segundo tempo e, quando o jogo acabou, ficou deitado de barriga para baixo no gramado enquanto o colega de elenco Santi Mina segurava sua cabeça e lhe sussurrava algo que ficou só entre eles. Antes disso, logo após o gol, abraçou seu treinador Marcelino, que perderia o cargo em caso de derrota. O morcego que simboliza o Valencia alçou voo definitivamente depois daquelas duas vitórias.

Os gols de Rodrigo, inferiores em número aos da temporada passada, foram, no entanto, mais importantes neste ano. Após o jogo contra o Getafe, o camisa 19 marcou no Mestalla, contra o Betis, o gol que fez seu se classificar à final da Copa do Rei. No trecho final da La Liga, fez dois gols para garantir a necessária vitória por 6 a 2 em Huesca, e em Pucela, na última rodada do campeonato, com seu time nervoso diante de um Valladolid que não jogava por nada, participou dos dois gols que deram ao Valencia o quarto lugar e a classificação para a Champions.

O atacante carioca já fez 14 gols nesta temporada: oito no campeonato espanhol, quatro na Copa do Rei e dois na Liga Europa. Na temporada passada, marcou 19. É o melhor passador deste ano, com 10 assistências, mais que as sete da temporada 2017-18. Seu tempo em campo também é maior. Participou de 50 partidas, jogando 3.687 minutos, enquanto em sua campanha anterior somou 2.994 minutos ao longo de 44 jogos.

Campeão do campeonato português com o Benfica, pelo qual também conquistou duas Copas e uma Supercopa, e campeão europeu sub-21 com a Espanha, Rodrigo quer adicionar outro troféu à sua galeria. Desde 2014, quando conseguiu a tríplice coroa em Portugal, não voltou a celebrar um título. Nas horas que antecedem a grande final deste sábado contra o Barcelona no estádio Benito Villamarín, em Sevilha, ela já sabe para quem dedicará um gol se conseguir bater o goleiro Jasper Cillessen, que substituirá o lesionado Ter Stegen. Será para sua filha, que nascerá em setembro, como revelou o atacante no programa El Partidazo de Cope. “Comprarei muitas coisas para ela, tudo que me pedir”, disse Rodrigo, muito solto durante a entrevista. Ele reconheceu que desde que soube que vai ser pai já marcou em dois jogos, em Huesca e Valladolid, mas esqueceu de dedicar os gols à sua mulher: “Sempre planejo colocar a bola por baixo da camisa, mas quando marco acabo esquecendo, e ela reclama”. Seu companheiro de clube Parejo, que também participou do programa, prometeu lembrá-lo da comemoração.

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