Líder do Estado Islâmico reaparece em um vídeo pela primeira vez em cinco anos

Imagens de Abubaker al-Bagdadi são as primeiras desde que ele proclamou o califado em Mosul

Abubaker ao Bagdadi, no vídeo difundido nesta segunda-feira.@siteintelgroup / atlas

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O fugitivo mais procurado do planeta, Abubaker al-Bagdadi, líder do Estado Islâmico (EI), reapareceu nesta segunda-feira em um vídeo pela primeira vez desde 2014, e no mês seguinte à queda de seu último feudo territorial. Nem os serviços de inteligência norte-americanos, que puseram um preço de 25 milhões de dólares por sua cabeça, nem os agentes russos nas fileiras do regime sírio conseguiram dar com seu paradeiro até agora, presumivelmente em alguma desértica guarita na fronteira entre Síria e Iraque. Entre sua primeira imagem — metade insurgente jihadista, metade clérigo sunita — quando proclamou o califado na grande mesquita Al Nuri de Mosul (norte do Iraque) e a gravação agora difundida, mostrando um avantajado Al-Bagdadi, há a custosa derrota de um culto do terror que empreendeu o genocídio da minoria religiosa yazidi e chegou a controlar a 11 milhões de pessoas em um território do tamanho do Reino Unido.

O vídeo, de 18 minutos de duração e no qual aparece sentado sobre as pernas cruzadas e com um fuzil Kalashikov ao seu lado, foi divulgado pela agência audiovisual jihadista Al Furqan, fonte habitual da propaganda do Estado Islâmico. Alguns dirigentes do grupo aparecem também com a cara coberta para não serem identificados. Para confirmar que continua com vida, Al-Bagdadi faz referência a muitos acontecimentos recentes, como os atentados do Sri Lanka, que ele atribuiu ao Estado Islâmico, e afirma estar agora imerso em uma "guerra de desgaste”.

Na gravação, divulgada através da rede social Telegram, sustenta que seus combatentes não entregaram a localidade síria de Baguz às tropas curdo-árabes das Forças Democráticas Sírias (FDS, respaldadas pelos Estados Unidos), e sim que morreram combatendo até o final, como fizeram também em Mosul e Raqa, cidade síria de onde o califado mais tarde governou. Al-Bagdadi, que foi dado como morto em mais de uma ocasião, também promete no vídeo que vingará os jihadistas mortos ou tomados como prisioneiros.

Contrariando o que diz seu líder, os jihadistas do Estado Islâmico foram se entregando ao longo dos últimos meses em Baguz, na fronteira sírio-iraquiano, rendendo-se ao cerco das forças curdas e depois de receberem garantias para a retirada de seus familiares. Embora os comandos curdos tenham proclamado a conquista de Baguz em 23 de março, a captura de jihadistas ocultos em cavernas se prolongou durante as semanas seguintes. Em 2017, as tropas do EI alcançaram também um acordo com as FDS para desalojar Raqa depois dos intensos bombardeios aéreos da coalizão internacional liderada pelos EUA.

Além de elogiar no vídeo os terroristas que mataram mais de 250 pessoas no Sri Lanka no último Domingo de Páscoa, o líder do EI diz que aceita o juramento de lealdade expresso por Adnan Abu Walid Sahraui, ex-alto funcionário da Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) e que atualmente comanda o Estado Islâmico no Grande Saara (EIGS), ativo principalmente no Mali e Burkina Faso.

Al-Bagdadi se refere sucessivamente à queda de Abdelaziz Buteflika na Argélia (no último dia 2) e à de Omar al Bashir no Sudão (em 11 de abril), assim como à reeleição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições legislativas de Israel (no dia 9). Na gravação, cuja autenticidade não pôde ser verificada de forma independente, indica-se que foi gravada no começo de abril.

Desde a proclamação do califado em 2014, o EI divulgou várias gravações de som atribuídas a Al-Bagdadi, a última delas em agosto do ano passado, quando estimulou seus combatentes a “perseverarem” na luta contra seus inimigos. Ao longo de mais de oito anos de guerra na Síria, a aniquilação do Estado Islâmico foi o único objetivo compartilhado por opositores confrontados, como a Rússia e o Irã, aliados do regime, a Turquia, associada à rebelião islâmica, e os EUA, que bombardearam suas bases durante mais de quatro anos para sustentar o avanço dos milicianos curdos que derrotaram sobre o terreno o califado territorial.

Como insurgência jihadista, o EI continua em condições de golpear através de grupos muçulmanos sunitas radicais e fanáticos que lhes prestam vassalagem em todo o mundo, como acaba de ficar comprovado no Sri Lanka. Al-Bagdadi já advertiu em sua mensagem de áudio anterior que a perda de território não deve condicionar a vitória final dos jihadistas.

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