Festa Literária Internacional de Paraty

Flip 2019 confirma presença de crítico de cinema Ismail Xavier e reforça destaque à não ficção

Especialista na produção nacional, ele apresenta na Flip o livro 'Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome'

O crítico de cinema Ismail Xavier.
O crítico de cinema Ismail Xavier.Divulgação

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Dentro de sua proposta de dar protagonismo à escrita de não ficção, a Flip 2019 (Festa Literária de Paraty) terá como autor convidado o crítico de cinema Ismail Xavier, especialista na produção cinematográfica nacional. Xavier apresentará em Paraty a terceira edição de Sertão Mar - Glauber Rocha e a estética da fome, publicado por primeira vez em 1983 e hoje considerado um clássico da crítica de cinema. A Flip, que este ano tem a curadoria da editora Fernanda Diamant, acontece de 10 a 14 de julho.

Xavier debruça-se sobre a obra do cineasta baiano, considerado por ele "o mais importante cineasta brasileiro", que foi um dos líderes do Cinema Novo, e analisa sua influência na cultura brasileira e na construção identitária das produções audiovisuais brasileiras.

Em Sertão Mar, o crítico destaca a chamada "estética da fome", um dos pilares do Cinema Novo brasileiro —que relaciona-se com a Nouvelle Vague francesa e aos cinemas novos de outros países latino-americanos e africanos—: uma proposta de cinema não industrial, feito com baixo orçamento. "Glauber criou um estilo ajustado a essa circunstância de poucos recursos. Primou o uso de câmera na mão e inventou novas maneiras de trabalhar com ela e com os atores, que, muitas vezes improvisavam. O diretor os convidava a ser cocriadores dos filmes, é uma relação totalmente diferente, com mais liberdade de movimentos, que nem sempre eram ensaiados", explica Xavier.

Em sua obra, o crítico cinematográfico estabelece contrapontos entre dois dos principais trabalhos de Glauber, Barravento (1962) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e duas produções da Companhia Vera Cruz —que nasceu em 1949 como tentativa de criar uma indústria cinematográfica robusta no Brasil, mas faliu em 1974—: O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, e O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte.

Nas duas principais obras de Glauber Rocha, Xavier considera que o diretor procura procura dar forma às relações entre intelectuais e classes populares no Brasil, mediadas pela política, tendo como ponto de fuga a construção de um país desenvolvido em todos os sentidos. "Isso também é a estética da fome", diz.

O crítico de cinema integrará a programação da Flip ao lado de grandes nomes da ficção e da não ficção, como a escritora e artista interdisciplinar Grada Kilomba, o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, as autoras Carmen Maria Machado, Sheila Heti e Kristen Roupenian (autora de Cat Person), além da escritora e jornalista venezuelana Karina Sainz Borgo.

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