Trump destitui chefe do Serviço Secreto

Motivo da saída do veterano dos Marines Randolph ‘Tex’ Alles não foi divulgado pela Casa Branca. Fonte da CNN fala em “expurgo quase sistemático na segunda maior agência de segurança do país"

Randolph ‘Tex’ Alles
Randolph ‘Tex’ AllesDavid Goldman (AP)

No tabuleiro de xadrez que virou a equipe da Casa Branca, houve nesta segunda-feira, 8, um novo movimento que terminou em xeque-mate. À renúncia forçada da secretária de Segurança Doméstica, no último fim de semana, soma-se agora a destituição do chefe do Serviço Secreto (os homens que defendem com sua vida a do presidente dos Estados Unidos). Segundo confirmou nesta segunda a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, Donald Trump ordenou ao seu chefe de gabinete interino, Mick Mulvaney, que demitisse Randolph Tex Alles, apesar de Sanders ter destacado que Alles fez um grande trabalho e que o presidente agradecia "seus mais de 40 anos de serviços ao país". Sanders informou ainda que Alles será substituído no começo de maio por James M. Murray, funcionário de carreira do Serviço Secreto. É a Casa Branca com mil e uma baixas, nomes que entram e saem, cheia de demissões, renúncias e deserções.

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Fontes da administração citadas na imprensa norte-americana disseram que a saída de Alles tem a ver com um conflito pessoal envolvendo o Departamento de Segurança Doméstica, e que não tem relação com a renúncia da secretária desse departamento, Kirstjen Nielsen, nem com o fato de que na semana passada uma chinesa conseguiu burlar a segurança em Mar-a-Lago, a mansão de Trump na Flórida, levando consigo um disco rígido com software malicioso. Yujing Zhang pode ser condenada a até cinco anos da prisão e 350.000 dólares (1,35 milhão de reais) em multas. O FBI abriu um inquérito na semana passada para determinar se esse incidente poderia estar relacionado a uma possível operação de espionagem da China.

Alles era diretamente subordinado à secretária de Segurança Doméstica, Kirstjen Nielsen, que se demitiu no domingo, forçada pelo presidente, aparentemente por se recusar a retomar a prática de separar menores imigrantes de seus familiares na fronteira com o México. O diretor do Serviço Secreto é o responsável tanto pelo trabalho de escolta e proteção do presidente como por investigações que essa agência realizar. Assim como Nielsen, Alles, veterano do Corpo dos Marines, foi recomendado para o cargo por John Kelly, ex-chefe de gabinete de Trump,

“Há um expurgo quase sistemático em andamento na segunda maior agência de segurança nacional do país", explicou uma das fontes à CNN, emissora que primeiro noticiou a saída de Alles. Do mesmo modo, espera-se que logo saiam o diretor dos Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, Francis Cissna, e o chefe da Assessoria Geral do Departamento de Segurança Doméstica, John Mitnick. As demissões possivelmente não param por aí, segundo a CNN.

Trump disse na semana passada que "não poderia estar mais contente com o Serviço Secreto" e que esse corpo encarregado de sua proteção "faz um trabalho fantástico desde o primeiro dia", o que se choca com a decisão de demitir seu chefe. Alles, conhecido pelo apelido Tex, dirige o Serviço Secreto desde abril de 2017, três meses depois da posse de Trump.

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