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EUA pressionam na ONU para que Maduro renuncie de maneira pacífica

Washington espera que o Conselho de Segurança vote nesta semana uma resolução exigindo que a Venezuela autorize o acesso à ajuda humanitária

Elliott Abrams, o enviado especial dos EUA para a Venezuela.
Elliott Abrams, o enviado especial dos EUA para a Venezuela. EFE

A crise humanitária se agrava na Venezuela à medida que crescem a tensão e a violência. Perante esta trágica situação, os países europeus do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os representantes do Grupo de Lima fizeram um apelo à contenção, a que se evite o recurso à força letal e, especificamente a Caracas, que autorize o acesso da assistência. Do mesmo modo, condenaram a intimidação de civis e deputados que estão se mobilizando para distribuir a ajuda humanitária.

“Urge buscar uma solução política inclusiva e pacífica”, leram os sócios europeus em nota. “O país precisa de um Governo que represente a vontade do povo.” Elliott Abrams, enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, denunciou por sua vez que o ocorrido no último fim de semana demonstra quais são os interesses e intenções do regime “corrupto” de Nicolás Maduro. “Usa-se a ajuda humanitária como arma política”, insistiu. “Quanto mais tempo estiver no poder, mais vai oprimir ao povo. A solução para a miséria e a tirania é que haja eleições livres”, advertiu, insistindo por isso na importância de que a comunidade internacional “pressione para que o regime de Maduro abdique de maneira pacífica”. Também mostrou sua preocupação com a segurança do presidente interino reconhecido pelo Parlamento, o líder opositor Juan Guaidó.

A reunião do Conselho de Segurança foi convocada a pedido dos EUA em resposta à escalada da violência durante o fim de semana, e com o vice-presidente Mike Pence viajando à Colômbia para se reunir com Guaidó. Cerca de 50 países apoiam que ele seja reconhecido como presidente interino, incluindo EUA, França e Reino Unido, que têm poder de veto no Conselho de Segurança.

A Rússia, porém, continua respaldando Maduro, e seu embaixador qualificou o líder da Assembleia Nacional venezuelana como “impostor”. Desta vez não tentou manobras para evitar a reunião do Conselho sobre esse tema, mas voltou a criticar as táticas dos EUA e as contínuas ameaças de uso da força. As duas potências elaboraram rascunhos rivais de resolução.

Washington busca que a ONU seja o ponto de partida de um processo que leve a eleições presidenciais “livres, justas e confiáveis” com a presença de observadores militares na Venezuela. Moscou considera isso uma tentativa de intervenção para mudar o regime. “O Exército venezuelano está protegendo sua fronteira para garantir sua inviolabilidade”, reiterou o representante russo.

O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, acusou os EUA de “organizarem, financiarem e liderarem uma agressão” contra seu país. Ele falou de movimentação de tropas no Caribe e compras de armas para opositores. E também negou que seu Exército tenha recorrido à força letal. “A agressão veio da Colômbia”, declarou em seu discurso enquanto mostrava fotos de caminhões incendiados. “Que hipocrisia”, disse.

Elliott Abrams espera que sua resolução seja submetida a votação esta semana, exigindo que a Venezuela permita o acesso à assistência humanitária – o que a Rússia bloqueará. E também a China, porque considera que representa uma interferência externa. A secretária-geral adjunta da ONU, Rosemary DiCarlo, pediu que sejam considerados em primeiro lugar os interesses dos cidadãos e qualificou a situação de “extremamente urgente”.

O embaixador alemão reiterou que a intervenção é necessária porque estão sendo violados os direitos humanos e, dirigindo-se diretamente ao ministro Arreaza, afirmou que sabe que há “crianças que estão morrendo” por causa do impedimento do acesso à ajuda. “É uma crise provocada pelo homem”, acrescentou o embaixador britânico. É a segunda reunião do órgão da ONU sobre a Venezuela em um mês.

“O Conselho de Segurança não existe para criar as condições para que outros façam a guerra”, concluiu Arreaza, que pediu uma resolução que exclua especificamente o uso da força, como pede o presidente Donald Trump, o vice-presidente Pence e o chefe de Segurança Nacional, John Bolton. “Leiam meus lábios”, ele acrescentou, “o golpe fracassou”. “Os EUA prepararam uma tragédia, e tudo deu errado.”

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