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Após pedido de prisão de Battisti, Bolsonaro diz que Itália pode contar com ele para extradição

O ministro Luiz Fux pediu a prisão do ex-ativista condenado na Itália por quatro assassinatos

Caso Cesare Battisti
Cessar Battisti, em 2015 REUTERS

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse ao ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, que vai trabalhar pela extradição do ex-militante de esquerda Cesare Battisti, condenado por quatro assassinatos na Itália. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, ordenou a prisão preventiva do ativista nesta quinta-feira, 13, em resposta a um pedido da Procuradoria-Geral, que considerou necessário "evitar o risco de fuga e assegurar sua eventual extradição". A polícia já começou a procurá-lo no litoral de São Paulo.

“Obrigado pela consideração de sempre, senhor ministro do Interior da Itália. Que tudo seja normalizado brevemente no caso deste terrorista assassino defendido pelos companheiros de ideais brasileiros. Conte conosco”, afirmou Bolsonaro nesta sexta-feira em uma postagem, primeiro em italiano, depois em português. A declaração foi uma resposta à postagem de Matteo Salvini, em que afirma: “Darei grande mérito ao presidente Jair Bolsonaro se ajudar a Itália a fazer justiça, 'presenteando' Battisti com um futuro na prisão da pátria”.

Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país por quatro assassinatos cometidos há quatro décadas, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço das Brigadas Vermelhas, o grupo armado mais ativo na onda de violência política que sacudiu a Itália no último quarto do século passado. A extradição de Battisti foi vetada em 2010 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu último dia de Governo, mas já durante a campanha eleitoral deste ano, o presidente eleito Jair Bolsonaro defendeu a extradição do italiano.

O ex-ativista foi condenado em 1993 pelos assassinatos cometidos entre 1977 e 1979, os quais ele nega. Fugiu para a França e, em 2004, quando Paris pensava em revogar sua condição de refugiado político, veio ao Brasil, onde permaneceu escondido durante três anos. Sua fuga terminou no Rio de Janeiro no início de 2007, quando foi parado em uma operação conjunta de agentes do Brasil, Itália e França.O Supremo autorizou sua extradição em 2009, mas deixou a decisão final nas mãos de Lula, que a recusou no fim de 2010.

Em abril deste ano, a Justiça arquivou a última denúncia que tinha contra Battisti. Durante sua permanência no Brasil, depois da decisão governamental, teve mais dois processos: um por evasão de divisas, ao tentar cruzar a fronteira com a Bolívia em outubro de 2017 com 25.000 reais (cerca de 6.650 dólares) e outro em abril do ano passado por ter declarado um endereço falso em um documento público.

Em um comunicado divulgado no início de novembro, o italiano disse confiar nas instituições democráticas brasileiras. Há quase uma década, em uma entrevista à revista francesa Paris Match, Battisti disse preferir o suicídio à extradição: "Sempre pensei que o suicídio era uma decisão absurda; nunca a considerei como um ato de coragem. Mas agora, afirma, "a visualizo como uma possibilidade. Não quero deixar aos outros — à justiça e ao Governo italiano — a decisão sobre minha própria morte".

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