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Imigrante de 7 anos morre desidratada após ser detida na fronteira dos EUA

Caso ocorreu na semana passada, e envolve uma menina que chegara da Guatemala com o pai.

Segundo a guarda fronteiriça, ela havia passado vários dias sem água e comida

Uma família de imigrantes centro-americanos em frente a um albergue em El Paso, Texas, em 29 de novembro.
Uma família de imigrantes centro-americanos em frente a um albergue em El Paso, Texas, em 29 de novembro. AP

Uma menina de sete anos procedente da Guatemala morreu na semana passada após ser detida pela polícia fronteiriça dos Estados Unidos, informou The Washington Post citando fontes oficiais dessa corporação. A menina cruzou a fronteira de forma irregular junto com seu pai e um grupo grande de imigrantes. Segundo os agentes fronteiriços, havia passado vários dias sem água e comida.

No último dia 6, por volta de 22h, um grupo de 163 imigrantes se entregou aos agentes fronteiriços ao sul de Lordsburg, no Novo México. Trata-se de uma zona desértica que fica mais de 250 quilômetros a oeste de El Passo (Texas), a única grande cidade ao longo de centenas de quilômetros de fronteira. No lado mexicano, a localidade importante mais próxima é Nogales, a quase 300 quilômetros. Nesta zona desértica, as temperaturas nesta época do ano baixam a zero grau durante a noite.

Cerca de oito horas depois de ser detida, a menina começou a sentir enjoos. O relatório da polícia citado pelo Post diz que a emergência aconteceu às 6h25 (hora local). Segundo um comunicado da corporação, a menor “não tinha comido nem bebido água durante vários dias”. Quando chegaram os serviços de emergência, tinha 40,9 graus de febre.

A menina foi levada de helicóptero de Lordsburg até um centro médico de El Paso, onde sofreu uma parada cardíaca, mas foi ressuscitada, segundo o jornal. “Entretanto, a menina não se recuperou e morreu no hospital menos de 24 horas depois de sua internação.” O pai se encontra em El Paso. A CBP (polícia de fronteira dos EUA) abriu um inquérito para verificar se todos os protocolos foram seguidos.

Um porta-voz do CBP, Andrew Meehan, expressou ao Post as condolências da agência para a família da menina. “Os agentes da patrulha fronteiriça tomaram todas as medidas possíveis para salvar a vida da menina nas circunstâncias mais difíceis. Como pais e mães, irmãos e irmãs, nos solidarizamos com a morte de qualquer criança.”

A área onde os fatos ocorreram é uma das mais perigosas para entrar irregularmente nos Estados Unidos, pois a fronteira está longe da única rodovia importante ou de qualquer povoado, em ambos os lados. Não está claro por onde o grupo de 163 pessoas cruzou. Normalmente, os coiotes (traficantes de pessoas) mantêm os grupos em casas seguras, em pequenas localidades no México, até verem a oportunidade de passar. Não é raro que os imigrantes entrem no deserto enganados, convencidos de que chegarão a uma grande cidade em poucas horas. A cada ano, as condições extremas de alguns trechos da fronteira cobram dezenas de vidas.

As cifras de detenções na fronteira dos Estados Unidos subiram significativamente em 2018 com relação ao ano passado, quando houve uma redução sem precedentes logo depois da posse de Donald Trump na presidência. A maior parte desse aumento se deve à chegada de famílias com crianças. Em todo o ano fiscal de 2018 (de setembro a setembro), foram detidas quase 400.000 pessoas. Só em outubro e novembro já foram detidas mais de 100.000 pessoas.

O aumento nas chegadas de famílias levou o Governo de Trump a uma política radical que incluiu separar crianças migrantes dos seus pais, como forma de dissuasão. A reação social contra essa prática o obrigou a cancelá-la poucos dias depois, além de atrair um escrutínio sobre as condições de detenção dos migrantes irregulares ao longo da fronteira sul do país.

Pelo menos dois políticos do Texas, o deputado Joaquín Castro e o ex-candidato a senador Beto O’Rourke, reagiram na noite de quinta-feira no Twitter pedindo uma investigação completa sobre as circunstâncias da morte da menina guatemalteca. Castro, líder da bancada informal de congressistas hispânicos em Washington, publicou um comunicado recordando que o endurecimento das condições para pedir asilo na fronteira, em vez de reduzir as chegadas de pessoas, empurra a pressão migratória para zonas despovoadas onde é mais perigoso cruzar.

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