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Michelle Bolsonaro, uma discreta primeira-dama evangélica

Mulher do presidente eleito teve uma participação discreta na campanha do marido e pretende realizar ações sociais como primeira-dama

Michelle Bolsonaro, uma discreta primeira-dama evangélica
AP

Maquiagem discreta, calça cinza e uma camiseta preta. Assim Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, 38 anos, acompanhou o marido Jair Bolsonaro (PSL) na convenção que formalizou sua candidatura à Presidência, no último dia 22 de julho. Sentou ao lado dele no palco, mas não discursou. Durante mais de duas horas de evento, escutou os pronunciamentos, posou para algumas fotografias e conversou em libras com um grupo de deficientes auditivos que manifestava apoio ao marido. Colando uma imagem de simplicidade, chamou a atenção naquele dia mais pelo discurso de Jair Bolsonaro, que, do púlpito, lhe agradeceu por educar a filha caçula do casal, de sete anos, e contou como conheceu a esposa 25 anos mais jovem que ele, nos corredores da Câmara dos Deputados. Nos meses seguintes, inclusive durante a campanha eleitoral, foram raras as vezes em que a primeira-dama apareceu publicamente ao lado do candidato. Preferiu manter a discrição e apoiar o marido de maneira mais reservada.

Quando soube que Bolsonaro planejava disputar as eleições presidenciais, Michelle pensou que o marido estava "maluco", mas não se opôs. “Se ele quer, vou apoiá-lo. Agora tá nas mãos de Deus. Estou bem confiante, e o que Deus tiver para nós vai ser uma bênção”, afirmou em entrevista ao Jornal Nacional, na última semana de campanha, quando as pesquisas apontavam que o candidato do PSL seguia na frente, mas com uma diferença menor em relação ao rival Fernando Haddad (PT). Na reta final, aliás, a primeira dama resolveu abrir mão da estratégia que adotou durante todo o primeiro turno e apareceu pela primeira vez na propaganda eleitoral de Bolsonaro para a televisão. A três dias do segundo turno, participou de um programa dedicado à comunidade surda, pela qual desenvolve trabalhos sociais. Sem nenhum tipo de deficiência, Michelle decidiu aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para conseguir se comunicar com um tio surdo. "Ele que plantou essa sementinha”, contou na propaganda eleitoral gratuita.

Com o marido eleito presidente, Michelle espera seguir a tradição das primeiras-damas brasileiras. Em uma das raras entrevistas que deu à imprensa, manifestou o desejo de desenvolver "todos os trabalhos possíveis" na área de ação social, embora ainda não tenha detalhado como deverá ser essa atuação. “Eu já fazia isso antes de conhecê-lo, que é um chamado que eu tenho", disse ao Jornal Nacional. Evangélica, a primeira-dama realiza trabalhos voluntários na igreja, principalmente de educação à comunidade surda. É com esse público, aliás, que costuma ter maior proximidade nos cultos de domingo da Igreja Batista Atitude, no Recreio (zona oeste do Rio), pra onde vai duas vezes por semana, sempre acompanhada de seguranças.

Como evangélica, Michelle Bolsonaro teve um papel fundamental na aproximação do marido —Jair Bolsonaro é católico— com sua religião. Começou a levá-lo como acompanhante em alguns cultos que frequentava desde o início do relacionamento, há 11 anos. Ali, Bolsonaro encontrou espaço para ampliar a pauta conservadora que defende, como por exemplo sua posição contra o aborto e o casamento entre homossexuais.

Terceira esposa de Jair Bolsonaro, Michelle conheceu o marido em 2007 nos corredores da Câmara Federal, onde trabalhava como secretária parlamentar. Bolsonaro, que estava no quinto mandato parlamentar, a convidou para trabalhar no seu gabinete poucos meses depois. No período de um ano e dois meses em que trabalhou ali, Michelle teve o salário triplicado, mas foi exonerada em 2008, quando o Supremo Tribunal Federal proibiu o nepotismo nos Três Poderes. "A demissão foi pra evitar uma acusação de nepotismo. Mesmo ela tendo o direito de permanecer porque já era empregada quando me casei com ela", explicou Bolsonaro durante a convenção do PSL. Os dois se casaram em 2007, mas a cerimônia religiosa aconteceu seis anos depois, numa mansão de festas que tem vista do Rio de Janeiro até Teresópolis.

Fora da política, Michelle se dedicou aos trabalhos voluntários da igreja. Durante a campanha, quase não foi a eventos políticos com Bolsonaro nem se tornou famosa na sombra do marido. Nem mesmo quando ele esteve internado no Hospital Albert Einstein, depois de ter sofrido uma tentativa de assassinato em um evento de campanha em Juiz de Fora (MG). Diferente do candidato, que costuma se comunicar com o eleitorado nas redes sociais, Michelle decidiu fechar suas contas nas redes sociais neste ano, quando passou a ficar mais conhecida e buscada por jornalistas em razão da candidatura do marido.

Mesmo assim, teve uma atuação na campanha, especialmente na tentativa de afastar do marido as pechas de racista e xenófobo. Em entrevista ao programa Pânico no início de outubro, Jair Bolsonaro afirmou que a esposa é filha de um nordestino negro. “O meu sogro é o Paulo Negão, de Crateús, no Ceará. A minha filha [Laura] tem sangue de cabra da peste correndo em suas veias”, afirmou.

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