Donald Trump

Trump é abandonado por seu grande protetor e amigo

Dono do ‘National Enquirer’ obtém imunidade na investigação federal, assim como o diretor financeiro da empresa do presidente dos EUA

David Pecker, diretor executivo da American Media.
David Pecker, diretor executivo da American Media.STRINGER (REUTERS)

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Michael Cohen fez tudo o que pôde para proteger Donald Trump. E o fez com a ajuda de David Pecker, dono do grupo de comunicação American Media. A declaração de culpa do advogado pessoal do magnata, na terça-feira, ajuda a entender até que ponto chegou o entendimento entre ambos para limpar o caminho do amigo nova-iorquino enquanto ele avançava rumo à Casa Branca.

Cohen decidiu quebrar o pacto na terça-feira e expôs como trabalhou com Pecker para “caçar e matar” histórias que pudessem prejudicar a imagem de Trump e impedi-lo de vencer as eleições. A tática era conhecida havia meses. Essencialmente, compravam a roupa suja que circulava e o dono do tabloide National Enquirer a guardava trancada em seu escritório para que nunca visse a luz.

“Fizemos isso a pedido do candidato”, disse Cohen perante o juiz admitindo o intenso trabalho de encobrimento que realizaram, entre elas a história da relação sexual com a atriz pornô Stormy Daniels e a ex-modelo da Playboy Karen McDougal. Trump e Pecker eram amigos íntimos. Comprando os direitos de histórias potencialmente prejudiciais faziam-lhe um favor do qual esperavam um retorno.

Essa caixa-forte, como apontam diversos veículos de comunicação citando funcionários da revista, era uma fonte de poder para o chefe do Enquirer, que, como conta Cohen, se ofereceu para ajudar na campanha de Trump identificando as histórias que poderiam comprar para evitar sua publicação. Dois dias depois da rendição do advogado, foi divulgado que Pecker havia recebido imunidade na investigação federal.

É uma má notícia para Trump, que insiste que soube dos pagamentos depois de terem sido feitos. Dylan Howard, diretor de conteúdo do Enquirer, limpou a caixa-forte nas semanas que antecederam a posse. Não está claro se as provas foram destruídas ou se simplesmente foram mandadas para um lugar ainda mais restrito. Howard também está protegido pela imunidade.

Outro integrante do círculo mais próximo de Donald Trump que também foi blindado é Allen Weisselberg, diretor financeiro da empresa familiar do presidente. Os investigadores federais garantiram-lhe imunidade se cooperasse também. O guardião das contas da corporação já foi chamado para depor diante de um grande júri em Nova York como parte da investigação.

Weisselberg tinha um perfil muito baixo, apesar de ser um dos principais diretores. Seu nome, no entanto, apareceu em julho no vazamento de uma gravação em que Cohen o cita em uma conversa com Trump sobre o pagamento a McDougal. Na gravação, disse que o havia consultado para criar a empresa que usou para financiar a compra dos direitos exclusivos a Pecker.

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