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Meninos deixam hospital na Tailândia: “Ver o mergulhador foi como um milagre”

As crianças resgatadas após 17 dias em uma caverna e seu treinador falaram pela primeira vez à imprensa após receber alta médica

Os 12 meninos resgatados em uma caverna da Tailândia.
Os 12 meninos resgatados em uma caverna da Tailândia.SOE ZEYA TUN (REUTERS)

Visivelmente nervosos, mas com um grande sorriso e muito agradecidos. Assim falaram à imprensa pela primeira vez, nesta quarta-feira, os 12 garotos tailandeses e seu treinador para relatar sua odisseia dentro da caverna de Tham Luang. “Foi um milagre”, disse um deles, ao ser perguntado pelo momento em que escutaram os dois mergulhadores britânicos que os localizaram após 18 dias presos.

Os “javalis selvagens” chegaram vestidos com as camisas de sua equipe e jogaram um pouco em um pequeno e improvisado campo de futebol. Depois se sentaram em bancos ao lado de alguns médicos que cuidaram deles e parte da equipe de resgate para explicar como viveram os longos dias de confinamento na caverna e a complicada e perigosa operação de resgate que manteve apreensivos toda a Tailândia e meio mundo.

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O treinador, Ekapol Chantawong, de 25 anos, foi o porta-voz no momento de responder às perguntas. Explicou que o grupo concordou em entrar na caverna, onde vários dos integrantes já haviam estado antes. Não levavam comida e, ao contrário do que foi informado, todos sabiam nadar. “Pensamos em ficar na caverna por uma hora, mas percebemos que estávamos presos quando quisemos sair. Não tínhamos consciência de como a água poderia subir rápido”, disse.

“Nesse momento não tivemos medo, não estava preocupado, pensei que no dia seguinte a água teria baixado”, disse Aek. Mas não foi assim. “Decidimos procurar uma maneira de sair. Discutimos se era melhor continuar em frente ou retornar”. Por fim optaram pela segunda opção, mas parte do caminho de volta já estava inacessível. “Fomos para outro lugar, mas em uma hora a água subiu quase três metros”.

Uma vez instalados em um local elevado da gruta a salvo da água, o grupo se revezava para cavar um buraco à procura de uma saída com a ajuda de pedras. “Vimos que a água pingava das paredes, de modo que ficamos próximos a essa fonte. A água era limpa”, disse o treinador. Com o passar dos dias, a fome começou a afetá-los: “Eu me sentia muito fraco e tinha a sensação de que desmaiava. Tentava não pensar em comida”, disse o mais novo do grupo, Chanin Wiboonrungrueng, o “Titã”, de onze anos. Aek afirmou que durante os dias em que estiveram presos tentou levantar o ânimo do grupo e se assegurar de que todos os integrantes bebessem água.

As autoridades tailandesas, preocupadas pela saúde mental dos garotos por sua súbita popularidade em todo o mundo, prepararam cuidadosamente a primeira aparição à imprensa. Os jornalistas entregaram suas perguntas com antecedência, que foram analisadas e selecionadas pelos psicólogos. Um moderador se encarregou de fazê-las uma por uma em uma entrevista coletiva exibida por dezenas de canais no país.

As autoridades e o corpo médico recomendaram aos meninos e suas famílias que evitem conceder mais entrevistas à imprensa, pelo menos a curto prazo, e tentar retomar sua rotina de antes do acidente o quanto antes.

Os “treze javalis” receberam alta do hospital provincial Prachanukroh de Chiang Rai na quarta-feira, um dia antes do previsto e exatamente uma semana depois dos últimos quatro integrantes da equipe e seu treinador terem sido resgatados da caverna. Sua recuperação foi rápida, ainda que alguns deles tenham recebido antibióticos após contraírem um princípio de pneumonia pelos mais de quinze dias que passaram no interior da gruta. Todos recuperaram um pouco de peso, de dois a três quilos em média cada um. Também não apresentam sequelas psicológicas. “Estão prontos para ir para casa, não há nada com que se preocupar”, disse uma das médicas que os tratou.

A equipe também se lembrou de Saman Kunan, o ex-militar tailandês que morreu ao ficar sem ar dentro da gruta enquanto colocava cilindros de oxigênio. Os meninos mostraram um desenho do mergulhador com suas mensagens de agradecimento, em homenagem ao homem que deu a vida para salvá-los. “Estamos todos muito tristes. Nós nos sentimos culpados por sua morte”, disse Aek. O desenho será entregue à família de Kunan.

As crianças, algumas mais conscientes do que outras da façanha de saírem vivas da caverna, prometeram ser mais cuidadosas a partir de agora. Para alguns, o sonho de ser um jogador de futebol profissional já se juntou ao de se tornar um membro da força especial da Marinha do Exército Tailandês. Outros, talvez até mesmo sem saber, já conseguiram uma importante vitória: os quatro apátridas da equipe, três das crianças e seu treinador, receberam a nacionalidade tailandesa.

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