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Neymar enrola o Real Madrid

Pai do jogador diz a um representante do clube que quem quiser seu filho deve negociar primeiro com o PSG. O clube francês prioriza o brasileiro em relação a Mbappé

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Neymar lamenta-se depois da eliminação do Brasil em Kazan. REUTERS

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O destino de Neymar se inclina para o Paris Saint-Germain depois de meses de dúvidas e uma semana de crise. Após a eliminação da Copa do Mundo nas quartas de final contra a Bélgica, o brasileiro prefere ficar quieto. É o que disseram o pai do jogador – também chamado Neymar –, vários representantes que trabalham para ele ou sua empresa, e funcionários da Nike em contatos com o PSG e com emissários do Real Madrid, o clube que desde janeiro avalia as possibilidades de contratá-lo em uma série de sondagens informais que se tivessem sido bem-sucedidas teriam resultado na mais elevada transferência da história do futebol.

O pai de Neymar se manifestou sobre isso na semana passada a um dirigente do PSG. “Ele nos contou que Neymar está bem em Paris, agradece o apoio da família real do Catar e para ele a única coisa inegociável é que quer se sentir o jogador mais importante”, diz uma fonte próxima da diretoria do PSG. “Nisso o pai foi muito claro: sua única condição para continuar é que ninguém duvide que o centro do clube é ele”.

Nasser Al-Khelaifi, representante dos príncipes catarianos que dirige o PSG, deu um suspiro de alívio. As mesmas fontes parisienses indicam que desde maio Al-Khelaifi esperava o telefonema do Real Madrid para saber o preço do jogador ou, pior ainda, a chamada dos representantes de Neymar anunciando que não se sentiam confortáveis no PSG e que queriam mudar de clube, circunstância que os teria forçado a negociar sua transferência. Isso não aconteceu.

Neymar costuma ser inacessível. Especialmente quando está de férias. O jogador, de 26 anos, se manifesta como os deuses pagãos, por meio de intermediários. Não lhe faltam representantes. O primeiro, seu pai, que de acordo com pessoas do entorno do jogador se encontrou regularmente com enviados do Real Madrid desde dezembro. Essas pessoas, que pedem anonimato, dizem que o Real Madrid enviou um funcionário ao Brasil na semana passada para dizer a Neymar que o clube espanhol estava disposto a criar um projeto para ele, e que prova disso foi a transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus. O programa Globo Esporte, da TV Globo, informou que esse embaixador foi Juni Calafat, brasileiro contratado pela secretaria técnica do Real e pessoa de confiança do presidente Florentino Pérez.

Um agente próximo das duas partes indica que o representante do Real não foi recebido pelo ídolo, mas se encontrou com Neymar pai e lhe disse que no Bernabéu seu filho seria “o único rei”, enquanto em Paris deveria dividir as atenções com Kylian Mbappé, o principal estandarte do futebol francês e iminente campeão mundial. De acordo com a fonte, a esse argumento o pai do ídolo respondeu categoricamente: “enquanto Neymar estiver em Paris, ele será o único rei”.

Pai e filho não fecharam as portas ao Real, mas desta vez a mensagem enviada ao clube espanhol foi dissuasiva. Primeiro, que o jogador estava cansado e triste e que não era o momento de propor uma mudança; depois, se o Real o quisesse, não deveria esperar que o jogador abrisse o caminho da negociação, mas apresentar uma oferta formal ao PSG. E que se o PSG estivesse disposto a vender, eles se sentariam para negociar.

Nunca houve nada oficial

Essa última sugestão – feita com toda a cortesia – foi a coisa mais próxima de uma batida de porta na cara do enviado ao Brasil. Essa é a interpretação feita por um dirigente do Real consultado a respeito, que adverte que o clube não descarta a contratação, mas que a considera praticamente perdida, a não ser que aconteça algo imponderável que mude o panorama. Por razões de prestígio, o Real – afirma essa fonte – dirá oficialmente que nunca quis contratar Neymar, e pai e filho dirão que jamais negociaram com alguém.

Mais do que sua capacidade esportiva, o potencial de Neymar reside em seu poder para permitir grandes contratos de intercâmbio de direitos de imagem, parte essencial do orçamento dos clubes que aspiram a dominar no futebol com base na força financeira. Assim o entendem os diretores do clube espanhol e assim acreditam os donos catarianos do PSG, aliviados que o jogador finalmente tenha dado mostras de querer permanecer em Paris. Por mais que Mbappé tenha se tornado a nova estrela do futebol depois de vencer a Copa do Mundo, seus assessores enfatizam que o presidente Al-Khelaifi não tem dúvidas: se tiver de escolher, se inclina por Neymar.

A coexistência de Mbappé e Neymar é o grande quebra-cabeça que os estrategistas de Paris enfrentarão no próximo mês. No vestiário do PSG, avisam que são personalidades incompatíveis. Neymar adverte que quer ser o número um. Al-Khelaifi acredita poder criar “espaços” para ambos, se for preciso, pagando mais.

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