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Arthur: “Não sou Xavi nem Iniesta, mas vou trabalhar para chegar no nível deles”

O volante brasileiro, que tem como referências os dois meias que marcaram o jogo moderno do Barça, se mostra confiante em encaixar na equipe por suas características

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Arthur posa no Camp Nou com a camisa do Barça. REUTERS

Desde que chegou na quarta-feira ao Camp Nou, Arthur não parou de distribuir sorrisos, abraços e cumprimentos afetuosos a todos que cruza pelo caminho, funcionários e dirigentes do Barcelona. “Nota-se nele uma atitude sincera”, explicam no clube. “É muito amável, atento e chegado.” Fez o mesmo nas arquibancadas do Camp Nou, quando depois de pegar o microfone –“bom dia, estou muito contente por ser jogador do Barça. Viva o Barça! E viva a Catalunha!”, falou de memória e em um catalão bem correto– se entregou aos abraços com os dirigentes esportivos, bem como o presidente azul-grená, Josep María Bartomeu. Depois de dar alguns toques na bola, sempre com a faixa de dentes luminosos se destacando, desamarrou as chuteiras e enfim atendeu aos meios de comunicação. “Sempre foi meu sonho, desde menino, jogar no Barça”, começou com uma frase mais do que manjada. “Fiquei muito feliz quando soube que poderia vir para o Barça e acho que tenho as características para jogar aqui. Vou desfrutar ao lado de grandes jogadores.”

Mas não vai poder compartilhar o vestiário com duas de suas grandes referências: um Xavi que há tempos joga no Catar e um Iniesta que partiu no final da última temporada a caminho do campeonato japonês. Embora não sejam poucos os que veem muitas semelhanças em seu jogo, capaz de agitar e dar novo rumo ao jogo, de controlar e girar, e também de fazer os outros jogarem. “É fantástico ser comparado com eles. Não escondo minha paixão por eles. Sempre foram dois jogadores que admirei. Mas eu sou Arthur, não sou Xavi nem Iniesta. Sei o que esses jogadores fizeram, são um espelho, uma referência. Fizeram história no clube e esse é meu objetivo. Trabalharei para chegar perto do nível deles”, enfatizou, e acrescentou: “Controlo o jogo e minhas características se encaixam muito bem no Barça”, se aventurou a dizer o meio-campista brasileiro. O diretor esportivo, Eric Abidal, pegou a deixa: “Em nível técnico, é um jogador impressionante, de visão de jogo, controle, proteção e passe. Vai se encaixar bem no Barça. É muito jovem, mas tem uma projeção importante.” O meia não se preocupa, de modo algum, com as exigências do jogo azul-grená. “O Grêmio tem uma forma de jogar diferente da daqui. Mas como o Barça sempre teve o mesmo estilo e sempre o estive observando, isso me ajudou a aprender seu jogo. Mas aprenderei muito mais aqui com meus companheiros”, sentenciou. “E vou passar por momentos difíceis, mas vou tentar aprender.”

Jordi Mestre, vice-presidente do Barcelona, deu as cifras oficiais da operação: “São 31 milhões de euros [140 milhões de reais] mais nove milhões [40,5 milhões de reais] em variáveis por seis temporadas com cláusula de 400 milhões [1,8 bilhão de reais]”. E acrescentou: “Esta aquisição foi a pedido do técnico e não representou custo adicional para o clube, pela disponibilidade do jogador.” Isso apesar de a operação ter sido feita com Robert Fernández, o secretário técnico anterior, e programada para o início do próximo ano. “Tomamos a decisão de antecipar sua chegada porque seu estilo se encaixa no Barça. E também é melhor na pré-temporada do que em janeiro, como estava previsto, pela questão da adaptação”, ponderou Abidal.

Antes de assinar sua contratação com o Barça, Arthur consultou Neymar, Coutinho e Paulinho sobre o clube. “Eles me contaram que é uma cidade maravilhosa, com uma cultura fácil, um bom clima e um grande clube em que é muito fácil trabalhar”, explicou. E se animou. “Sempre vi grandes jogadores brasileiros com esta camisa. Acho que não vou ter problemas com o estilo de jogo. Sempre estive com a bola no pé, pensando que gostaria de vir algum dia para o Barça.” Ele ainda não conversou, porém, com o técnico Ernesto Valverde. “Quero falar com ele e o que me disser vou procurar captar o mais rápido possível”, afirmou.

Abidal: “Não sei se será preciso mudar muitas coisas”

Abidal não quis falar sobre as ligações telefônicas interceptadas que se tornaram públicas do ex-presidente Sandro Rosell e seu ajudante Juanito Castillo, onde insultava gravemente o jogador e se revelava que o fígado –Abidal tinha câncer– conseguido para ele era ilegal, e não de seu primo, como Abidal afirmara na época. “Acho que hoje não é o momento de falar desse assunto. Tudo o que tinha a dizer já foi dito. Meu discurso será este e não mudará nunca”, encerrou, sem se explicar na primeira ocasião que falava em público. Concentrou-se apenas em questões esportivas e enviou sua mensagem: “Acabamos de conquistar dois títulos e não sei se, realmente, será preciso mudar muitas coisas”. Sabe-se que o clube busca um meia e um atacante, talvez outro zagueiro no caso de que seja fechada a transferência de Yerry Mina.

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