Itália abandona no mar outro barco com 224 imigrantes

Matteo Salvini, ministro de Interior italiano, chamou as pessoas resgatadas de "carne humana"

Um grupo de imigrantes é resgatado pela equipe do navio 'Aquarius', no dia 9 de maio.
Um grupo de imigrantes é resgatado pela equipe do navio 'Aquarius', no dia 9 de maio.Óscar Corral

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, negou a entrada em seu país de um barco com bandeira holandesa da ONG alemã Lifeline com 224 imigrantes resgatados em frente à costa da Líbia. Em seus já habituais vídeos ao vivo nas redes sociais, Salvini explicou nesta quinta-feira o que está acontecendo com o navio e acusou à ONG de não respeitar as ordens da Guarda Costeira italiana e líbia: "A Guarda Costeira italiana avisou-lhes que não se movessem, que a Líbia se responsabilizaria [de resgatar os imigrantes], mas eses desgraçados, inclusive colocando em risco a vida dos imigrantes nesses botes, não escutaram a ninguém e intervieram carregando à força essa grande quantidade de seres humanos, de carne humana a bordo". Salvini advertiu que "as ONGs não pisarão nunca mais os portos italianos".

Há dez dias, o navio Aquarius, das ONGs Médicos sem Fronteiras e SOS Mediterranée teve que desviar seu rumo até Valência (Espanha), acompanhado de dois barcos da guarda costeira italiana, depois que o país negou a entrada dos 630 refugiados resgatados no mar.

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Salvini acrescentou que mandou uma nota oficial à Embaixada dos Países Baixos em Roma para saber se a embarcação da Lifeline pertence ao país. E agregou: "Itália vai ver esse barco em cartões postais, porque as regras devem ser respeitadas. Queremos acabar com a máfia da imigração clandestina que causa milhares de vítimas". Salvini, que também é líder do partido de ultradireita Liga, acrescentou que não permitirão a existência dos "táxis marítimos que depois desembarcam na Itália". O ministro do Interior atacou as ONGs, afirmando que elas "não fazem voluntariado", senão que "ajudam ao tráfico de seres humanos". Sobre os resgates, Salvini afirmou: "Esses falsos socorristas ligam mais para a própria carteira do que para salvar vidas". Ao falar dos países aos que pertencem os barcos, indicou: "Levem toda essa carga de seres humanos à Holanda, ou a Gibraltar, ao Reino Unido, à Espanha, à França ou onde queiram. Itália não pode assumir o fardo dos custos econômicos e sociais de uma imigração fora de controle".

Por sua parte, o ministro de Infraestruturas e Transportes, Danilo Toninelli, também informou que o barco de Lifeline está atuando "em águas líbias fora das regras do direito internacional" e que "embarcaram a 250 náufragos sem ter os meios técnicos para garantir sua segurança".

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Gepostet von LIFELINE am Mittwoch, 20. Juni 2018