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Fim da trégua: Trump confirma novas tarifas de aço e alumínio contra UE, Canadá e México

Washington também vai impôr cotas ou limites de volume para Brasil, Coreia do Sul, Argentina e Austrália

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, em uma audiência no Congresso no dia 22 de março.
O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, em uma audiência no Congresso no dia 22 de março. AFP

A trégua terminou para Donald Trump. A Administração norte-americana decidiu reativar as novas tarifas sobre o aço (25%) e o alumínio (10%) importado da União Europeia, México e Canadá que havia deixado em suspenso até esta sexta-feira, 1 de junho, com a finalidade de iniciar uma negociação que lhe valesse contrapartidas. Washington impôs estes ônus em março, mas isentou temporariamente os países citados, entre outros, enquanto buscava pactuar algum tipo de limitação a suas exportações, o que não vingou. As previsíveis represálias por parte da UE beiram a guerra comercial.

Wilbur Ross, secretário de Comércio, anunciou nesta quinta-feira que os encargos entrarão em vigor à meia-noite. A administração Trump também colocará cotas ou limites de volume para outros países, como Brasil, Coreia do Sul, Argentina e Austrália, em vez de tarifas, disse Ross, segundo o canal CNBC.

Nesta semana Washington também deu por encerrado o cessar-fogo com a China e advertiu que as tarifas pelo valor de 50 bilhões de dólares (187 bilhões de reais) serão impostas em 15 de junho. Ainda assim. Ross viaja nesta sexta-feira a Pequim para continuar com as conversações.

Trump prometeu quando candidato travar a batalha contra o déficit comercial dos Estados Unidos, ou seja, a diferença negativa entre o que exportam e o que importam. Esse desequilíbrio alcança mais de 550 bilhões de dólares (2,05 trilhões de reais) e o magnata nova-iorquino o aponta como grande mal para o setor industrial e a classe média norte-americanos. A China, que responde pelo grosso dessa defasagem (375 bilhões de dólares, 1,4 trilhão de reais), está no centro de sua mira, mas imediatamente depois aparece a UE (151 bilhões, 560 trilhões de reais).

Com a Europa, o sistema trumpiano de abrir as negociações com reféns sobre a mesa (com tarifas sobre produtos específicos já anunciadas e em seguida congeladas) não funcionou. Bruxelas indicou que desistirá de qualquer negociação comercial com os Estados Unidos se houver novas tarifas. Além disso, já planejou a represália a Washington, uma série de encargos sobre 350 produtos – de uísque a calçados, passando por motocicletas –, cujas vendas anuais somam cerca de 6,4 bilhões (24 bilhões de dólares).

O México também avisou que dará resposta. “O México imporá medidas equivalentes a diversos produtos, como aços planos (chapa laminada quente e fria, incluindo revestidos de cobre e tubos diversos), lâmpadas, pernil e costela de porco, embutidos e preparados alimentícios, maçãs, uvas, mirtilos, diversos queijos, entre outros”, disse em um comunicado o Ministério da Economia.

Na quarta-feira pela manhã, em Paris, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, já havia deixado entrever que Washington se inclinava por reativar as tarifas sobre o aço e o alumínio de seus parceiros europeus. Disse isso ao enfatizar que a imposição dessas taxas não deveria ser incompatível com um processo de negociação com a UE. “Pode haver negociações com ou sem tarifas em vigor”, disse em um evento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “A China está pagando as tarifas, que entraram em vigor em março e não usou isso como desculpa para não negociar conosco. Somente a UE insiste em que não podemos negociar se houver tarifas”, ressaltou.

A China e os Estados Unidos anunciaram tarifas de forma recíproca para produtos pelo valor de 50 bilhões de cada lado e ameaçaram com rodadas ainda mais volumosas. Enquanto isso, os únicos efetivados até agora são esses comunicados em março e mencionados por Ross, sobre importações pelo valor de 6 bilhões de dólares (3 bilhões de cada lado). Afetam o aço e o alumínio chineses, por um lado, e carne de porco, certas frutas, vinho e tubos de aço que os EUA vendem, por outro. É uma cifra pequena em relação aos 630 bilhões que o comércio dessas duas potências movimentou no ano passado.