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Primeiros resultados oficiais dão vitória ao ‘sim’ no referendo sobre o aborto na Irlanda

Dados de quatro circunscrições apontam 66% dos votos a favor, com uma participação superior a 62%

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Contagem dos votos do referendo sobre o aborto em um centro eleitoral de Dublín. AFP

Os primeiros resultados oficiais correspondentes aos dados de quatro circunscrições confirmam uma vitória esmagadora do sim à liberalização do aborto na Irlanda depois do referendo realizado na sexta-feira, com 66,4% a favor, 33,6% contra e uma participação de 62,2%.

Destaca-se pela contundência o resultado da circunscrição de Dublin Centro, onde o sim venceu por 76,51%, enquanto o não ficou com 23,49%.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, ressaltou que depois do referendo a Irlanda terá "uma Constituição moderna para um país moderno". Varadkar ressaltou que o resultado, inesperadamente claro a favor do sim, é uma "revolução silenciosa" e anunciou que a nova lei da interrupção voluntária da gravidez poderá estar em vigor no fim deste ano.

Àqueles que votaram não, Varadkar disse que a Irlanda "é o mesmo país da semana passada, apenas um pouco mais amável, um pouco mais tolerante e um pouco mais moral".

O The Irish Times –o principal jornal irlandês– não hesitou em qualificar o triunfo do sim como uma "vitória esmagadora para além de qualquer expectativa".

O Governo irlandês propôs uma lei de prazos com interrupção livre até a décima segunda semana de gravidez, por risco físico ou mental para a mulher e risco para o feto antes ou logo depois do parto.

No entanto, primeiro era necessário revogar no referendo a Oitava Emenda da Constituição, que consagra o direito à vida dos nascituros. Atualmente, a Irlanda tem uma das leis mais restritivas do mundo sobre o aborto devido à influência do catolicismo.

O texto atual diz que "o Estado reconhece o direito à vida do bebê por nascer", que equipara ao da mulher grávida, o que significa a proibição do aborto na maioria dos casos.

A campanha Juntos pelo Sim, favorável à eliminação da emenda, comemorou o resultado e anunciou o início de sua dissolução, uma vez cumprida sua missão. "Nos levantamos esta manhã em uma nova Irlanda. A Irlanda mudou. Não importa o que saia das urnas, agora sabemos que as coisas são diferentes", disse sua diretora, Deidre Duffy, ao Irish Times.

A contundente vitória do sim demonstra o apetite da sociedade por uma mudança radical e coloca o Executivo liderado pelo partido democrata-cristão Fine Gael em uma posição de força que, de acordo com especialistas, aproveitará para elaborar uma nova legislação realmente progressista.

De acordo com a pesquisa de boca de urna realizada pela televisão pública RTE com 3.800 eleitores, o sim obteve 66% de apoio entre os homens e 72% entre as mulheres, enquanto que o apoio dos jovens entre 18 e 24 anos atingiu 87%. O único grupo de idade que disse "não" foi o dos maiores de 65 anos, com 58%, resultado que os especialistas atribuem à influência que a Igreja Católica mantém sobre esse setor da população, apesar dos escândalos de abuso sexual de menores.

A diferença entre áreas urbanas e rurais também foi significativa, pois embora o sim tenha vencido em ambas, com 72% e 63%, respectivamente, a pesquisa mostrou que o eleitorado continua sendo mais conservador fora das grandes cidades, onde está concentrada a população mais jovem.

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