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Desemprego nos EUA cai a 3,9% e fica no nível mais baixo desde a bolha tecnológica

Ritmo de criação de emprego permite à Reserva Federal aumentar os juros na reunião de junho

Corretor na bolsa de Wall Street.
Corretor na bolsa de Wall Street. AP

O mercado de trabalho nos Estados Unidos se aproxima mais do pleno emprego. A taxa de desemprego caiu dois décimos em abril e ficou em 3,9%, um nível visto pela última vez à época da bolha dos valores tecnológicos. No mês passado foram registrados 164.000 novos postos de trabalho. É uma situação que permite à Reserva Federal (FED, o Banco Central dos EUA) aumentar os juros sem problemas em junho.

O desemprego estava há seis meses seguidos em 4,1%. A marca de abril é bem incomum até mesmo para a maior economia do planeta. Foi registrada coincidindo com as guerras da Coreia e do Vietnã e após a expansão ao final da Segunda Guerra Mundial. Mas pode baixar ainda mais. As últimas projeções do Banco Central dos EUA colocam a taxa de desemprego em 3,8% para o final do ano.

Os EUA estão há 91 meses seguidos criando emprego, desde outubro de 2010. O desemprego à época era de 9,6%. A última vez que esteve abaixo de 4% foi em dezembro de 2000, com Bill Clinton como presidente. O ritmo de criação de emprego em abril é ligeiramente melhor do que os 135.000 postos de trabalho anunciados em março, ainda que fique longe dos 324.000 de fevereiro. Isso se deve em parte ao fato de que as empresas têm cada vez mais dificuldades para conseguir funcionários qualificados.

Os salários subiram 0,1% e o aumento anual é de 2,6%. Apesar dos salários subirem, não o fazem com a rapidez para gerar um crescimento maior esperado da pressão inflacionista e preocupar a FED. Isso se explica em parte porque existem mais pessoas sem emprego do que sugere o dado de desemprego. A taxa de participação no mercado de trabalho – trabalhando e que procuram emprego de maneira ativa – é de 62,8%.

Ao contrário da efervescência vivida durante a bolha das empresas pontocom, o ritmo de criação de emprego se manterá a médio prazo. O presidente Donald Trump não demorou a comemorar o dado do desemprego e aproveitou para atacar os que criticam suas políticas. Ele promete um crescimento superior a 3% graças à reforma fiscal, a diminuição da regulamentação e sua estratégia no comércio. Mas o aumento do gasto dispara a dívida.

A FED manteve na quarta-feira o preço do dinheiro intacto apesar da inflação se aproximar do objetivo a médio prazo de 2%. A economia cresceu no primeiro trimestre a um ritmo de 2,3% pela diminuição do consumo, mas se espera que o crescimento acelere e fique acima de 3% nos próximos três trimestres pelo impulso da reforma fiscal. O país está no caminho de conseguir a expansão mais prolongada da história.

Os membros do Banco Central acham possível mais dois aumentos de juros nesse ano, que se somariam ao decidido em março. Mas não se descarta quem sejam quatro no total nesse ano. O desafio de seu presidente, Jerome Powell, é retirar os estímulos de uma maneira gradual e preservando um equilíbrio que lhe permita ao mesmo tempo evitar que a economia reaqueça sem contê-la muito.

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